Euler de França Belém
Euler de França Belém

William Bonner vai deixar a Globo? Tudo indica que não. Mas sempre fica a dúvida

Sites que publicam notícias sobre televisão informaram que o apresentador vai deixar o “Jornal Nacional” em 2023, mas sem apresentar evidências

O Google oferece aos internautas alguns sites que, sugerindo que são noticiosos, são especialistas em fofocas e em notícias maliciosas. Os títulos raramente têm a ver com o conteúdo das reportagens. Há os que insinuam que jornalistas têm casos homossexuais, mas a matéria relata outra coisa. Há os que vulgarizam que atores que se separaram voltaram a se relacionar, notadamente nos títulos. São, claro, sites que buscam obter grande audiência a partir de textos exagerados, com manchetes maldosas.

Mas os sites de “notícias” meramente especulativas — não há fontes confiáveis — estão obrigando as publicações sérias a correram atrás de seu material. Jornalistas e atores eventualmente se dispõem a desmentir as “informações”. Porém, quando fazem isto, as coisas pioram, porque os boatos ganham ares de verdade. Afinal, “onde há fumaça há fogo” e, quanto mais se fala de um assunto, mas ele parece verdadeiro, mesmo quando não é. Na internet as “notícias” vão se espalhando nos sites e nas redes sociais — o que torna quase impossível desmentir ou contestar as fake news.

Na semana passada, o apresentador titular do “Jornal Nacional”, William Bonner, foi a principal vítima do esquema das notícias espetaculosas, “seriíssimas”.

William Bonner, apresentador do Jornal Nacional | Foto: Reprodução

Publicaram que William Bonner, pós o fim de seu contrato, em 2023, deixará a TV Globo. Dado o fato de que o jornalista é a principal estrela do jornalismo da rede da família Marinho, a notícia ganhou espaço amplo em vários sites. E sugere que há uma crise na emissora.

Os sites que deram a notícia, um repetindo o outro, não apresentaram nenhuma evidência de que William Bonner está “insatisfeito” e, sobretudo, está se preparando para deixar a Globo.

Devido à insistência, a Globo e William Bonner decidiram esclarecer que, ao contrário do que estavam publicando, o jornalista não planeja deixar a Globo.

Nem a Globo nem o apresentador erraram ao apresentar uma explicação esclarecedora. Mas convenceram os leitores? Provavelmente, não.

A publicação intensiva de que William Bonner sairá da emissora “pegou”, digamos assim. Quer dizer, é praticamente impossível desmentir o que os sites dizem e as redes sociais massificam.

Se a Globo e William Bonner, dando força aos sites, tivessem esclarecido a questão mais rapidamente, o efeito teria sido mais positivo para a rede e para o profissional? Talvez sim, talvez não. Porque, mesmo com um desmentido cabal, fica sempre a dúvida. As pessoas costumam dizer: “Neste mato tem coelho”.

Há sites que publicam informações corretas sobre o mundo jornalístico. Entre eles estão o Portal Imprensa (seus textos já foram mais bem-escritos; alguns são caóticos e incompreensíveis), o Portal dos Jornalistas e o Portal Comunique-se. Notícias da TV e Na Telinha, localizados no UOL, são, no geral, muito bem-informados, mas, aqui e ali, excedem (fica-se com a impressão, por exemplo, de que jornalistas não podem pedir demissão, ou seja, devem ter sido demitidos). Mas pelo menos nota-se um certo esforço de apuração dos fatos e uma preocupação com a exposição do contraditório.

Recomendo aos leitores que, antes de compartilharem as reportagens sensacionalistas, verifiquem nos jornais — “O Globo”, “Estadão”, “Folha de S. Paulo”, “Correio Braziliense”, “Zero Hora”, entre outros — e em sites confiáveis se há informações a respeito do que estão lendo.

Não há a menor dúvida de que contestar fake news é necessário — até vital —, mas, ao menos em alguns casos, acaba-se por, indiretamente, espalhá-las (desmentir o que não é verdadeiro é quase uma confirmação, por vezes). É provável que o trabalho dos caçadores de fake news só vai aumentar. E os leitores terão de aprender por si, cuidando de maneira adequada de suas leituras, a evitar sites que produzem “notícias quase-verdadeiras”, indicando que estão tentando produzir “fatos”, e a buscar quem faz jornalismo sério.

A notícia está se tornando espetáculo, entretenimento, e até farra. E isto talvez seja incontornável.

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