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Jornalismo à base de violência e escândalos tem seu preço

É desanimador como o jornalismo feito pelas TVs está, direta ou indiretamente, cada vez mais carregado de tom policialesco. Não é pequena a fatia do tempo gasto com bombas, tiroteios e prisões em telejornais. Se for incluída, ainda, a parte do noticiário político que abrange a Operação Lava Jato e outros fatos do tipo, ver o “Jornal Nacional”, por exemplo, se tornou quase como assistir a uma minissérie como “Swat”, para os mais antigos, ou “CSI”, para os que não são tão velhos. É importante cobrir os fatos policiais que têm de ser noticiados. Mas a dosagem dessa cobertura, sua colocação na escalada e a escolha do bloco em que será inserida, tudo isso diz muito sobre o efeito que se quer realmente produzir por meio daquela informação. Se não tudo, pelo menos muita coisa gira em torno da audiência, dos pontos no Ibope. Violência e escândalos, juntos ou separados, são sempre catalisadores desse objetivo. Que, por sua vez, atrai anunciantes. Resta saber se vale a pena submeter a saúde mental dos que assistem a uma exposição redundante. Não é à toa que uma parcela da população tem revisto seus hábitos em relação à TV, especialmente os canais abertos. Esse tipo de voyeurismo cobra seu preço e muita gente, especialmente de olho nos filhos, não quer pagar para ver. Por isso mesmo, o que é audiência atraída pela exposição de imagens e temáticas escandalosas hoje pode desaparecer no futuro, por não conseguir “reagir” mais. A não ser instigado por cenas ainda mais escandalosas.

O vexame que a imprensa não descobriu

Um assessor de alto escalão relatou sobre o dia em que a imprensa salvou seu assessorado de um vexame. Na verdade, “passando recibo”, para ele, de outro vexame. Era o lançamento de uma cartilha importante para o órgão, do governo federal, conta ele. Ocorre que seu chefe não tinha lido absolutamente nada da cartilha que seria divulgada e o informou isso em cima da hora. Despreparo, negligência, chame-se como se quiser a postura do superior. A sorte foi que o despreparo não era só dele: nenhum dos jornalistas presentes à coletiva tinha lido o material. Ficaram “elas por elas”, com todos falando sobre o release e algumas generalidades. “Deus” está nos detalhes, dizia o arquiteto alemão Ludwig Mies van der Rohe. Uma leitura mais atenta, além do fornecido pela assessoria, é a base de uma boa reportagem. Jornalismo investigativo nas coisas micro, o que poderia ter desmascarado um agente público negligente. Mas a imprensa acabou cumprindo o papel que o governo gostaria: apenas declarou as formalidades.

DM imita Rubinho Barrichello e dá “furo pelo avesso”

[caption id="attachment_70715" align="alignnone" width="620"]Montagem de Rubinho com camisa: coluna do DM também se “atrasou”  | Foto: Divulgação Montagem de Rubinho com camisa: coluna do DM também se “atrasou” | Foto: Divulgação[/caption] A notícia foi veiculada no Jornal Opção — e na imprensa em geral, diga-se — na sexta-feira, 8: o deputado federal licenciado Thiago Peixoto iria deixar o governo estadual (ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico) e voltar ao mandato. A notícia, porém, só chegou na coluna “Fio Direto”, do “Diário da Manhã”, na terça-feira, 12, quatro dias depois. Uma notícia “barrichelliana”: é que o ex-piloto brasileiro na Fórmula 1 (não ex-piloto, porque está na Stock Car, categoria nacional por qual foi campeão no ano passado) ficou conhecido na internet com memes humorísticos que sempre o colocavam se referindo a algo bem atrasado – como desejar “Feliz Natal” na véspera da Páscoa, ou chamar as pessoas para o “Fora Collor”. A propósito, a fama de lento colou em Rubens Barrichello, mas não procede. Como piloto, foi o melhor brasileiro na F-1 depois dos que conquistaram títulos – Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, três gênios das pistas.

Tradução para o inglês à altura do clássico de Guimarães Rosa está a caminho. Mas depende de um mecenas

A australiana Alison Entrekin se incumbiu, ela mesma, de conseguir um financiador para um trabalho estimado para durar cinco anos – 12 vezes mais do que um romance “comum”

Kajuru “desaparece”, volta dois dias depois e usa caso para extrapolar em busca de mídia

[caption id="attachment_70302" align="alignright" width="620"]Reprodução Reprodução[/caption] Que o radialista e apresentador Jorge Kajuru sempre preferiu o estardalhaço a usar sua grande competência de comunicador de forma mais assertiva, isso ninguém que o acompanhe tem dúvidas. Que é grande sua capacidade de ser polêmico e gerar fatos que, muitas vezes, não são mais do que factoides, da mesma forma. Também não são gratuitos ou “pura perseguição” os muitos processos de que foi alvo. Mas a notícia de seu “desaparecimento”, na semana passada, foi, até para um “exagerado” como ele, um ponto fora da curva. No sábado, 2, um alerta desesperado no Twitter, por parte de sua produção, denunciava seu sumiço desde a tarde daquele dia e pedia socorro . Na manhã da segunda-feira, 4, Kajuru reassumia seu perfil na rede social fazendo agradecimentos a apresentadores de TV e dizendo que iria prestar esclarecimentos à polícia e ao Ministério Público, colocando-se, mais uma vez, na condição de perseguido político. Algumas pessoas costumam deduzir que alguém com o histórico de Jorge Kajuru, se desaparece, significa automaticamente que foi alvo de uma execução, sequestro ou algo similar. Ocorre que, apesar de casos esporádicos de crimes contra a opinião, como o terrível assassinato do radialista Valério Luiz — fato que completou quatro anos na terça-feira, 5, ainda sem julgamento dos réus em primeira instância —, o Brasil é hoje um Estado mais civilizado, em que se busca resolver as diferenças cada vez menos à bala e mais nos barras dos tribunais. Kajuru armou essa situação? É uma possibilidade. Pode ter ocorrido, realmente, alguma ameaça ou intimidação física? Também existe essa chance, mas pelo desenrolar dos fatos e tratando do perfil do protagonista, é algo bem remoto. O fato é que, ao término da semana passada, nem a polícia nem o Ministério Público sinalizaram ter recebido a visita do comunicador. Ou, se receberam, não houve, desta vez, estardalhaço de nenhuma parte. Nem da própria “vítima”: na sexta-feira, 8, o apresentador publicou que tinha viajado “sem rumo”, dizendo-se “alertado” por amigos “dos riscos de ficar em Goiânia”. Mas, ao longo dos dias depois de seu “reaparecimento”, não deixou explicações nas redes sociais sobre o que teria falado (ou mesmo se teria falado) às autoridades.

TV Anhanguera e a crase que furtou a atenção da notícia

[caption id="attachment_70298" align="alignright" width="620"]Reprodução Reprodução[/caption] A pauta da matéria era sobre veículos furtados ou roubados em Goiânia. Mas no “Jornal Anhan­guera – 2ª Edição” da segunda-feira, 5, o que “roubou” a atenção da audiência — ou pelo menos daquela audiência atenta às normas gramaticais — foi a presença de um acento grave antes de uma palavra craseada. De gênero masculino. Na arte (foto) que foi ao ar para mostrar a evolução da criminalidade lia-se “de janeiro à junho de 2015”. Uma desatenção tão “grave” quanto o acento, e que é mais comum do que se pensa no jornalismo — e infelizmente “cada vez” mais comum. Na verdade, a crase de fato não é o sinal (acento grave), mas o fato — a fusão ou contração de duas vogais. O acento grave apenas indica a presença da crase. Uma das formas de perceber a existência de uma crase é trocar o substantivo feminino por um equivalente masculino e ver se cabe um “ao” no lugar de “à”. Quando a palavra não tem gênero ou é do gênero masculino — caso de “junho” ou de qualquer outro mês —, nem se deveria entrar em discussão. Muito menos aparecer na tela da TV. Durante anos, um colega jornalista era especialista em crasear a expressão “a partir”. Seu tradicional “à partir” dava bastante trabalho a seu editor de Esporte em um diário de Goiânia, apesar dos constantes puxões de orelha.

Ao mostrar como as Olimpíadas revolucionaram Barcelona, canal de esportes toca na ferida carioca

O especial “Volta Olímpica”, apresentado pelo canal fechado Sport, da Globosat, mostrou o que os Jogos Olímpicos fizeram com a cidade espanhola, que sediou o evento em 1992. O programete começa com o repórter Felipe Diniz apresentando Barceloneta, uma praia de cinco quilômetros de extensão que nasceu com as Olimpíadas. Antes dos anos 90, o local era inacessível, tomado por uma linha de trem, além de fábricas e galpões que compunham a paisagem. Jornalismo esportivo bem feito traz, também, informação além do esporte. No caso, a série especial do Sportv, fazendo o contraponto com as edições antigas dos Jogos, deixa claro aos brasileiros mais críticos a baixa qualidade dos investimentos realizados e as escolhas erradas que fizeram os organizações da Rio 2016. Dois anos depois da Copa do Mundo, o Brasil está passando novamente por um acontecimento mundial da mais alta importância sem que tenha feito disso um motivo para se transformar, de alguma forma. O legado não será nada muito além de algumas conquistas pontuais, como o acréscimo na mobilidade urbana. Nada que impeça ou justifique episódios vergonhosos, como a queda de um trecho da Ciclovia Tim Maia, por uma onda do mar — o que causou a morte de duas pessoas — e a admissão do fracasso total na limpeza da Baía de Guanabara, cuja revitalização plena era um dos principais compromissos assinados para receber as Olimpíadas.

Manifestações de ouvintes de rádio assustam pelo ódio das mensagens

Algumas rádios da capital, como a Difusora Goiânia (640 AM) e a Interativa (94,9 FM) conservam a tradição de dar a voz a seus ouvintes. Mas o clima de tensão entre correntes políticas, principalmente com questões envolvendo a Operação Lava Jato e o impeachment da presidente (agora afastada) Dilma Rousseff (PT), tem tornado o que era para ser uma via democrática de liberdade de expressão em palanques de ódio. Quem possui o mínimo de bom senso tem feito algumas reflexões sobre o crescimento desse tipo de discurso, que contém opiniões como “bandido bom é bandido morto” e “alguém poderia fazer um favor ao Brasil e explodir o Congresso”. No caso, o “problema” não está nos veículos de comunicação, mas nos próprios ouvintes, que se sentem animados a, cada vez mais, reproduzir opiniões que trocam completamente a razão por um sentimento de crença absoluta na própria verdade. A dialética se perdeu em algum lugar e, sem ela, não se pode construir qualquer debate que mereça ser chamado assim.

Hélio Rocha lança uma biografia ampla de Pedro Ludovico, o fundador de Goiânia

pedraoEstou lendo o livro “Tu És Pedro — Uma Biografia de Pedro Ludovico” (Kelps, 571 páginas), do jornalista Hélio Rocha. Trata-se de uma pesquisa alentada. A história do fundador de Goiânia é muito bem contada e escrita. A obra será lançada na terça-feira, 5, às 19h30, no Palácio das Esmeraldas. A pesquisa é imperdível. Trecho do livro A cultura do jovem Pedro Ludovico Pedro Ludovico aprendeu francês porque essa era quase uma obrigação dos estudantes de Medicina de sua época, pois a literatura médica inexistia em português e era farta em francês. E acabou ele apreciando muito, também, a literatura francesa, gostando principalmente de Victor Hugo, impressionou-se muito com o romance ‘Os Miseráveis’, de forte conteúdo social. Pedro apreciou bastante o espanhol Miguel de Cervantes por causa do livro ‘Dom Quixote de La Mancha’. Pedro leu, também, filósofos, influenciando-se bastante de Espinosa, de quem se valeu nos conceitos bem relação a Deus. (Página 47)

FBI pode grampear jornalistas sem autorização da Justiça. É o Obamagate

[caption id="attachment_21142" align="aligncenter" width="620"]Presidente dos EUA, Barack Obama | Foto: Michael Reynolds/EPA/Agência Lusa Presidente dos EUA, Barack Obama | Foto: Michael Reynolds/EPA/Agência Lusa[/caption] Jornalistas brasileiros tendem a ver os Estados Unidos como a pátria da liberdade, quando se trata da ação do governo em relação à imprensa. Mas não é bem assim. O site The Intercept, editado por Glenn Greenwald, divulgou documentos confidenciais do FBI indicado que a polícia federal dos EUA pode espionar (escutas) jornalistas sem autorização da Justiça. Se é suspeito de espionagem, ou se estiver contribuindo com o serviço secreto de outro país, o jornalista poderá ser grampeado pelo FBI. Porém, as coisas não funcionam com regras muito bem definidas. O jornalista que estiver investigando ações ilegais ou mesmo legais (mas de interesse público) do governo americano poderá, se apontado como suspeito de espionagem, ser investigado e grampeado pelo FBI. É quase um Obamagate, a imprensa está em polvorosa, mas tudo indica que Barack Obama se tornou uma espécie de James Bond da política: tem licença para quase tudo — espionar, grampear e, até, matar adversários dos Estados Unidos (ah, claro, no exterior). É provável que os oito anos de Barack Obama na Presidência sejam considerados, quando for possível fazer um balanço qualificado e objetivo, como dos mais letais da história dos Estados Unidos. Há dois Barack Obama. O mais acentuadamente público é adepto de uma retórica humanista, até meio angelical. O estadista dos bastidores, adepto da realpolitik, não pensa duas vezes em autorizar assassinatos de adversários no exterior. O atenuante é: “Estamos matando terroristas”. Ainda não se fez a contabilidade, mas é provável que o número de inocentes mortos pelos militares e agentes americanos é muito maior do que o número de terroristas mortos. Há livros de qualidade sobre a ação militar dos Estados Unidos no exterior, mas falta um livro detalhado sobre o assassinato de inocentes em decorrência de ações americanas no Oriente Médio e na África. É provável que, assim que surgir um Raul Hilberg dos tempos contemporâneos, se poderá falar numa espécie de genocídio americano crudelíssimo. Os mortos árabes e africanos são menos lembrados (e até nada lembrados) do que os mortos europeus e americanos. É como se não existissem, é como se não fossem gente. É como se fossem não-seres — indivíduos descartáveis. Parece discurso de esquerdista? Quem escreve isto nada tem de esquerdista, mas também não adere à cegueira interessada dos que avaliam que, na luta contra o terrorismo, vale tudo — inclusive matar inocentes, desde que no Oriente Médio e na África, terras de supostos bárbaros liquidáveis.

Mãe de assassino faz relato pungente e sem concessões sobre a tragédia de Columbine

Relação de Dylan Klebold e Eric Harris, os adolescentes que mataram alunos de uma escola nos Estados Unidos, pode ser definida como uma “loucura a dois”, como sugeriu Jacques Lacan para o caso das irmãs Papin

O jornalista Fernando Pedreira lança, aos 90 anos, suas memórias

“Entre a Lagoa e o Mar” relata o rompimento com o Partido Comunista, o trabalho do profissional na redação do Estado e a fúria de um Mesquita contra a ditadura

Justiça decide pela condenação de Paulo Henrique Amorim por crime de racismo

Racismo do editor do blog Conversa Afiada “esconde” o fato de que se tornou companheiro de jornada do PT contra o PSDB

Thiago Arantes deixa a ESPN e decide permanecer em Barcelona

O jornalista, que não renovou contrato com o canal esportivo, tem outros projetos profissionais na Espanha

Livro de Elio Gaspari mostra que homens-chaves da ditadura controlaram o primeiro governo civil

“Num universo de 125 cargos relevantes” da equipe do ex-presidente José Sarney, “a taxa de sobrevivência dos quadros do governo de Figueiredo fora de 60%, a maior já registrada”