Italo Moriconi lança em Brasília excelente guia de leitura de Grande Sertão: Veredas
17 junho 2026 às 10h21
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O crítico literário e escritor Italo Moriconi cometeu a proeza de explicar, em meras 109 páginas, as 560 páginas do romance “Grande Sertão: Veredas” (na edição da Editora Companhia das Letras). Gigante nas ideias, o opúsculo “Para Ler Grande Sertão: Veredas” (Autêntica) é uma excelente porta de entrada (e porta de saída) à obra magna de João Guimarães Rosa, o Miguilim da literatura.
Por razões óbvias, Italo Moriconi não desconsidera a vasta bibliografia (Antonio Candido, Willi Bolle) sobre o romance. Mas faz uma leitura direta, altamente criativa. Pode-se dizer que faz uma leitura “moderna”, o que poderá ajudar os jovens (e os nem tão jovens) a ler e, até, reler o cartapácio do escritor mineiro.
Qual é propósito do jagunço-contador de histórias Riobaldo Taratana, o Urutú-Branco? “Seu propósito, como contador da própria história, é fazer seu interlocutor viver a surpresa de cada situação narrada, como se ali estivesse presente”, assinala Italo Moriconi. Eis uma das modernidades de Guimarães Rosa, autor do romance-dos-romances.

Guia auxiliar de leitura da obra-prima
O livro de Italo Moriconi é composto de duas partes. “A primeira parte é um ensaio em forma de diário, narrando minha primeira experiência de leitura completa do romance ‘Grande Sertão-Veredas”, diz o mestre. A segunda parte é “um resumo comentado do enredo do romance”. Trata-se de um “guia auxiliar de leitura”. É um guia original, nada tradicional e, sim, de excelente qualidade.
“O leitor/a leitora pode optar por seguir a ordem e ler primeiro o ensaio, depois o resumo guia, mas pode também invertê-la, começando por este último. A inversão é recomendada especialmente para quem não deseja spoilers. A primeira parte dirige-se a quem não se importa com spoilers”, anota Italo Moriconi.
Há quem pise em ovos a respeito do relacionamento homossexual entre Reinaldo (Diadorim) e Riobaldo? Homem inteligente, de rara perspicácia, Tatarana não sabia que Diadorim era mulher? Talvez não. É possível que a beleza (e a delicadeza/sensibilidade para as cousas do mundo) de Reinaldo o atraísse, independentemente de o amigo/amor ser homem ou mulher. Aquele “homem” diferente o atraía. Italo Moriconi não foge do tema e abre uma bela discussão a respeito.

O fato é que Reinaldo, como Diadorim, foi a grande paixão de Riobaldo. Diadorim torna Riobaldo mais feminino e Riobaldo torna Reinaldo mais masculino?
O que importa mesmo é que se amaram. Um amor no e do Sertão. Talvez, nas noites de sexo com Otacília, o amor da conveniência e da acomodação, Riobaldo, como proprietário assentado, pensasse em Reinaldo, quem sabe em Diadorim.
A alma humana talvez seja mesmo bissexual, dupla. O amor é mais complexo do que imagina a vã filosofia do moralismo, do conservantismo.

Italo Moriconi não comenta isto, porque não é o foco de suas análises. Mas há coisas curiosas a respeito dos nomes das personagens. Reinaldo e Riobaldo (aldos) têm oito letras; os dois nomes começam com “R” e terminam com “O” e contêm quatro consoantes e quatro vogais. Um é “Rei” e o outro é “Rio”. Tatarana também tem oito letras, quatro vogais e quatro consoantes.
Lançamento e bate-papo em Brasília
O livro de Italo Moriconi será lançado, com um bate-papo, em Brasília na quinta-feira, 18, às 19h, na Platô Livraria (Asa Sul CLS 405 Bloco A Loja A, Plano Piloto).
O bate-papel com Italo Moriconi terá a participação de Maria Angelica Madeira, Maria Lucia Verdi e Sérgio de Sá.
[Email: eulerdefrancabelem@gmail.com]



