O prefeito Sandro Mabel (UB) tem recorrido às redes sociais para consultar a população sobre decisões relacionadas à gestão municipal. Em uma das enquetes, Mabel perguntou aos moradores qual intervenção deveria ser realizada no viaduto da Avenida T-63, e a maioria optou pela implantação de um jardim de chuva em vez da recuperação da antiga fonte. Agora, o prefeito volta a utilizar o mesmo mecanismo para ouvir a opinião dos cidadãos sobre as alternativas em estudo para o viaduto da Avenida Castelo Branco.

A iniciativa busca aproximar a administração municipal da população e ampliar a participação popular. Ainda no início da gestão, houve votações pelas redes sociais para a escolha dos nomes dos novos integrantes do Zoológico de Goiânia. Nesse tipo de situação, a consulta até faz sentido porque é uma decisão simbólica, sem implicações técnicas ou administrativas relevantes, e que estimula o engajamento com o município.

No entanto, a questão muda de figura quando as enquetes passam a envolver temas ligados à infraestrutura e à mobilidade urbana. Nesses casos, a opinião dos moradores é fundamental para identificar demandas e apontar problemas. Isso, porém, não significa que deva ser um critério determinante para a tomada de decisão. Obras viárias, por exemplo, exigem estudos de engenharia, análises de impacto no trânsito, avaliações de viabilidade e critérios de segurança.

A consulta pública deve ser entendida como um instrumento de escuta, e não como um mecanismo de deliberação. A experiência de quem utiliza diariamente uma avenida ou enfrenta congestionamentos pode ajudar a administração a compreender melhor os problemas e até indicar prioridades. Mas a definição da solução mais adequada precisa continuar amparada em critérios técnicos e na responsabilidade dos gestores públicos.

Ou seja, a participação popular fortalece a gestão quando serve para orientar prioridades, revelar problemas que muitas vezes escapam aos gabinetes e aproximar a administração da realidade vivida pela população. O erro estaria em transformar uma ferramenta de participação em um substituto para o planejamento técnico.

Afinal, quando uma decisão tão importante em uma obra dá certo ou dá errado, quem responde não são os seguidores que participaram da enquete, e sim a administração municipal.

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