Choquei é o jornalismo que escolhe o espetáculo em vez da verdade
04 maio 2026 às 19h02

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O caso envolvendo o dono da página Choquei expõe, de forma quase didática, a lógica por trás do tipo de “jornalismo” que ele pratica. Os crimes de que é acusado não parecem destoar da linha editorial que construiu, sensacionalismo puro, sem compromisso com a apuração rigorosa, sem zelo pela verdade, apenas com a intenção de provocar impacto imediato.
Nós, jornalistas, sabemos que o erro faz parte da profissão. A pressa, a complexidade dos fatos e até falhas humanas podem levar a equívocos. Mas há uma diferença fundamental entre errar e persistir em não se preocupar com a verdade.
O que se vê nesse modelo de comunicação é uma estratégia deliberada. Matérias pensadas para causar sensação, não para informar. O público vira alvo de uma narrativa fabricada para gerar engajamento, curtidas e compartilhamentos, em vez de esclarecimento.
O jornalismo sério exige responsabilidade. Não se trata apenas de relatar fatos, mas de respeitar o direito do público à informação correta. Quando esse compromisso é abandonado, o que sobra é espetáculo vazio, que pode até entreter, mas não cumpre a função social da imprensa.
O episódio da Choquei, portanto, não é um acidente isolado. É consequência direta de uma prática que normalizou a distorção e a superficialidade. E aqui está a reflexão que precisamos fazer, se o jornalismo perde sua essência, se deixa de ser ponte entre a realidade e a sociedade, ele se transforma em mero produto de consumo rápido, descartável, e pior…nocivo.
O público merece mais do que choque. Merece verdade, contexto e responsabilidade. O jornalismo que se contenta em ser apenas espetáculo não é jornalismo; é entretenimento travestido de notícia. E quando esse disfarce cai, como agora, o que se revela é exatamente o que sempre esteve por trás, descaso com a verdade.
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