Herbert Moraes
Herbert Moraes

Reconstrução da Síria passa pela saída do ditador Bashar al Assad do poder

Calcula-se que, para refazer o pa├¡s, s├úo necess├írios 500 bilh├Áes de d├│lares. Mas dificilmente v├úo liberar soma t├úo vultosa para refor├ºar o poder do presidente

Bashar al Assad: nem mesmo a leal aliada Rússia parece apostar na reconstrução da Síria com o presidente no poder | Foto: Kremlin

Desde mar├ºo de 2011, quando a ÔÇ£Primavera ├ürabeÔÇØ chegou ├á S├¡ria, que, assim como l├í, fomos bombardeados, di├íria e ininterruptamente, com not├¡cias terr├¡veis que vinham do front de guerra. De repente, tudo mudou, ou melhor, se calou. Parece que o conflito ÔÇö que devastou um pa├¡s inteiro e provocou tsunamis de refugiados mundo afora ÔÇö, nunca aconteceu.

Pare um pouco e tente lembrar h├í quanto tempo voc├¬ n├úo ler e nem ouve nenhuma not├¡cia sobre a S├¡ria. O assunto sumiu das manchetes dos jornais. At├® mesmo os l├¡deres mundiais n├úo se manifestam mais sobre o assunto. H├í tempos que a quest├úo s├¡ria deixou de ser o ponto central de seus discursos. N├úo h├í mais interesse. Assim como cessaram os esfor├ºos diplom├íticos para estabelecer uma forma diferente de governo. Tudo se arrasta. Os encontros internacionais continuam, como o da pr├│xima semana em Astana, no Cazaquist├úo, onde R├║ssia, Turquia e Ir├ú pretendem, mais uma vez, tentar p├┤r um ponto final no conflito.

Os Estados Unidos não querem se envolver e muitos países árabes preferem o distanciamento na resolução do conflito, que completa oito anos em março do ano que vem.

O centro das aten├º├Áes na regi├úo mudou para outros assuntos ÔÇö como o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, no consulado da Ar├íbia Saudita em Istanbul, na Turquia, e o prov├ível envolvimento direto do pr├¡ncipe herdeiro, Mohamed bin Salman, como mandante do crime. As san├º├Áes americanas ao Ir├ú tamb├®m ocupam as manchetes e ofuscam a S├¡ria.

Quem n├úo se lembra de Allepo, a segunda maior cidade da S├¡ria, patrim├┤nio da humanidade, completamente destru├¡da pelas for├ºas governamentais? Sobre Idlib ÔÇö que se tornou capital do Estado Isl├ómico na S├¡ria, hoje jaz devastada e praticamente inabit├ível ÔÇö, nenhuma palavra. S├│ sil├¬ncio. O mesmo sil├¬ncio que habita as ru├¡nas dessas que foram duas das cidades mais importantes do Oriente M├®dio.

No entanto, para milh├Áes de pessoas, a guerra ainda n├úo terminou. Pelo contr├írio, com a vida ├ás avessas, os refugiados s├¡rios que fugiram para a Europa e pa├¡ses vizinhos como a Jord├ónia n├úo podem voltar porque n├úo tem mais onde morar, est├í tudo destru├¡do.

Com exce├º├úo de alguns pequenos focos de confrontos, Bashar al Assad controla o pa├¡s inteiro novamente. Mas ainda n├úo h├í sinais de reconstru├º├úo. O dinheiro em caixa n├úo ├® suficiente. Ser├úo necess├írios pelo menos 500 bilh├Áes de d├│lares para come├ºar a arrumar o pa├¡s que est├í com a economia falida e n├úo conta com a ajuda de ningu├®m, nem mesmo da R├║ssia. O ditador est├í sozinho, e, por enquanto, n├úo encontrou uma sa├¡da. Ningu├®m quer fazer doa├º├Áes para Assad, que, em quase uma d├®cada, matou pelo menos 500 mil pessoas. Trata-se de um criminoso de guerra que ningu├®m quer ajudar.

Aparentemente, outros pa├¡ses est├úo esperando um tipo de acordo que estabele├ºa um governo est├ível na S├¡ria ÔÇö que vai dever├í administrar os fundos que ser├úo doados de forma mais clara e eficaz, e principalmente sem corrup├º├úo. Por enquanto n├úo h├í doadores definidos e n├úo h├í como prever quem dever├í proceder, dada a desconfian├ºa de muitos pa├¡ses que fizeram doa├º├Áes bilion├írias para a reconstru├º├úo do Afeganist├úo e do Iraque e viram suas contribui├º├Áes nos bolsos de indiv├¡duos que eram pr├│ximos ao regime desses pa├¡ses. Corrup├º├úo.

Os grupos que, no momento, levantam fundos para a reconstru├º├úo da S├¡ria s├úo privados. As organiza├º├Áes n├úo-governamentais tamb├®m se movimentam, principalmente em ├íreas como sa├║de e educa├º├úo. S├│ que, mesmo nestas ├íreas, as doa├º├Áes s├úo escassas.

Bashar al Assad pode ter vencido a guerra, mas agora tem um pa├¡s em ru├¡nas que ningu├®m quer ajudar. Pelo menos enquanto ele estiver no poder. E este ├® o maior obst├ículo que R├║ssia, Ir├ú e Turquia ter├úo que ultrapassar se quiserem de fato tornar a S├¡ria um pa├¡s novamente habit├ível. A reconstru├º├úo da S├¡ria passa pela sa├¡da de Assad do poder. E parece que a R├║ssia, o maior parceiro do ditador na guerra, j├í enxergou isso.

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