Herbert Moraes
Herbert Moraes

O general megalomaníaco

Tanto poder nas mãos levou Soleimani a implementar um sofisticado sistema, comandado por ele, para realizar operações que de certo modo, sucederam bem. Foi esta mudança de atitude que plantou as sementes que levaram à sua morte

General iraniano Quasem Soleimani | Foto: Reprodução

Qassem Soleimani, 62 anos, era respeitado pela sua coragem e pela suas estreitas relações com o líder supremo do Irã, o ayatolá ali Khamenei. Soleimani comandava mais de 15 mil homens diretamente, e estava subordinado ao comandante da Guarda Revolucionária, General Hosseim Salami. Mesmo assim, era ele que guardava o “título” de general mais querido.

O ayatolá Ali khamenei, quem de fato manda e toma as decisões na República Islâmica, chorou durante o funeral de Qassem Soleimani. Não à toa, o Khamenei o considerava um filho adotivo e apesar da subordinação hierárquica com Hosseim Salami, para o Líder Supremo, era Soleiamani o militar número 1 do país, e khamenei, que completa este ano 84 anos, tinha nele o seu substituto natural, além de nominá-lo seu principal confidente.

A personalidade popular e as  relações públicas que Soleimani cultivou ao longo de duas décadas, e ele gostava disso. O General número um do Irã estava intoxicado pela admiração que tinha dentro e fora do Irã, principalmente países como o Líbano, Síria e Iraque. Sua auto-confiança era tão desproporcional que ele se considerava, de fato, um onipresente. Um semi-deus. Sua petulância chegou ao ponto desrespeitar as ordens Khamenei e enviar para Idlib, na Síria, mais de quatro mil homens. O supremo Líder exigiu que ele voltasse atrás, mas mesmo assim, o perdoou.

Israel também considerava Soleimani um bom estrategista, e grande comandante, apesar dos sucessivos erros que vinha cometendo, e teve muitas operações frustradas ou mal feitas por seus asseclas. Todos os ataques que ele planejou junto ao Hezbolah contra Israel falharam. Planejou atentados em vários países contra autoridades israelenses, mas somente em 2012, num ataque em Burgas, pode-se dizer que obteve êxito, quando seis pessoas, entre elas cinco israelenses foram mortos num ataque suicida efetuado por militante do hezbolah.

As Forças Armadas de Israel, a comunidade de escritórios de inteligência  e até mesmo o premier, sempre atrelaram o nome do General Soleimani, em ataques contra Israel e os Estados Unidos. E por trás disso, tem uma estratégia: De um lado, Soleimani e Khamenei, do outro, a Guarda Revolucionária e os iranianos.

Israel, por diversas vezes, planejou o assassinato de Solemani devido ao seu envolvimento direto em ações terroristas contra o Estado judeu em todos os fronts. Mas sempre que teve a oportunidade de eliminá-lo, o país foi brecado, tanto por Bush como por Barack Obama.

Foi durante o termo de Obama no poder, que tudo mudou para Soleimani, quando o presidente dos Estados Unidos classificou o general como um aliado na guerra  contra o Estado Islâmico.

Soleimani sempre foi um alvo fácil e muio exposto. Durante a guerra na Síria, Israel teve três boas chances de eliminá-lo, mas devido à ordens do Pentágono, teve que abortar as três tentativas. O General viajava pela Síria dirigindo seu próprio carro, com se ali fosse seu quintal. Atendia funerais, vistava as bases que estava instalando na fronteira com Israel e viajava tanto em jatos particulares como em aviões de diversas companhias aéreas.

Não era educado, tampouco um intelectual, mas era um comandante militar talentoso, e usava isso, estrategicamente, a seu favor no campo político. Havia um Soleimani, comandante, até a “primavera árabe” em 2011. Depois disso, ele passou a realizar operações secretas e montou milícias que tinham com único objetivo de terrorismo. Daí, veio o caos, trazido pelo Estado Islâmico, que desestabilizou o Oriente Médio, e então, o General iraniano passou a agir como a polícia da região.

Tanto poder nas mãos levou Soleimani a implementar um sofisticado sistema, comandado por ele, para realizar operações que de certo modo, sucederam bem. Foi esta mudança de atitude que plantou as sementes que levaram à sua morte. Ao sair da sombra, onde operava, ele ressurge como um político, e passa a agir como tal. E por causa disso, Suleimani ousou pensar que estava imune.

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