Afonso Lopes
Afonso Lopes

Em terceiro lugar nas pesquisas, Daniel Vilela mostra sinais de maturidade

O pré-candidato do MDB enfrenta o líder nas pesquisas e a sólida estrutura do candidato do PSDB

Deputado Daniel Vilela: comportamento de opositor, como é de
se esperar

No maior espaço em horário nobre concedido pela televisão em Goiás dentre as grandes emissoras, com alcance estadual, o candidato do MDB conseguiu demonstrar que não é mais somente o filho do ex-governador Maguito Vilela, um dos grandes ícones da política estadual e que governou o Estado entre 1995 e 1998. Na época em que o pai ocupava o Palácio das Esmeraldas, Daniel tinha somente 11/12 anos, e ninguém em seu núcleo familiar o chamava pelo nome. Era somente Dan.

Mas entre o garoto Dan e o hoje deputado federal Daniel Vilela a diferença de comportamento é muito grande. Erradamente, ele costuma ser desdenhado na política como mero “filhinho” de ex-governador e herdeiro de patrimônio eleitoral. A imagem é falsa, e ele conseguiu demonstrar sobejamente isso, na semana passada, ao participar do programa “Roda de Entrevista”, da Televisão Brasil Central. Ele encarou com muita tranquilidade os jornalistas Enzo Lisita, o âncora, Vassil Oliveira, da “Tribuna do Planalto”, e Marcos Nunes Carneiro, de “O Popular” e ex-Jornal Opção. E não somente enfrentou as “feras” como terminou, num saldo muito bom em termos de imagem, como protagonista.

Daniel Vilela se comportou na exata medida de um candidato opositor ao governo, sem extrapolar na linguagem, com bom traquejo gestual, o que demonstra certa tranquilidade com o veículo em que estava. Seu principal argumento é o de renovação, ao contrário de seu “colega” de trincheira, Ronaldo Caiado, que fala em “mudança”. As duas palavras tem impactos diferentes. A primeira atende mais ao caráter maratonista de uma campanha eleitoral que começou a ser ensaiada ainda no ano passado. Ela é, portanto, mais permanente do que o tema central de seu adversário dentro do campo oposicionista. Além disso, na prática, ao falar em renovação, Daniel consegue fazer o que se convencionou chamar de triangulação — estratégia genialmente usada na campanha presidencial de Bill Clinton, nos Estados Unidos, e criada por um autêntico mago do marketing eleitoral americano, Dick Morris — sem maiores complicações.

Foi o que ele fez ao falar sobre um dos mais importantes setores do governo implantado pelo agora candidato ao Senado Marconi Perillo: os programas de assistência e inclusão social. Ao usar a palavra renovação, Daniel navega sobre esse tema sem se incomodar com o fato de que é uma bandeira importante de um seus adversários. Ele agiu da mesma forma ao opinar sobre outro tema em que uma mudança radical talvez não seja muito bem recebida pela população eleitora: a co-gestão do sistema de saúde nos grandes hospitais estaduais com Organizações Sociais, as chamadas OS. E desenvolveu a mesma linha de raciocínio em mais uma iniciativa do governo que agrada a maioria: os colégios administrados pela Polícia Militar. Em ambos os temas, Daniel pregou a renovação, e não uma mudança total, o que lhe permitiu elogiar as iniciativas mantendo uma temática oposicionista.

Nem tudo são flores no atual momento de campanha para Daniel Vilela, a começar pelo fato de que aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Ele também faz severas restrições ao governo como um todo, além de demonstrar claramente todo seu distanciamento político em relação à base aliada. A isso é o que se convencionou chamar de triangulação: ele pega fatores governistas amplamente aprovados pela maioria, e acrescenta a eles uma pitada de cor diferente, sem no entanto desfigurar nada.

É claro que não se sabe se essa estratégia, embora globalmente interessante e correta, será suficiente ou não para ele superar seus rivais, o governador José Eliton (PSDB) — segundo colocado nas pesquisas — e Ronaldo Caiado.

Por tudo o que disse no programa “Roda de Entrevista”, Daniel Vilela demonstra que acredita que pode superar seus adversários. Mais do que isso: ele igualmente mostrou amadurecimento político ao saber dimensionar que as campanhas obedecem fases distintas, e evolui entre momentos de criação de discurso e execução de mensagem. A facilidade com que ele surfou sobre todos os temas — embora tropeçando algumas vezes em palavras, especialmente quando usou o termo “qualitativo” quando o correto seria “qualificado” — é um sintoma claríssimo de que a guerra pela bandeira oposicionista está muito longe de ser, e estar, definida.

Sua principal luta é para sair do terceiro lugar — o que não está nada fácil. Ronaldo Caiado lidera as pesquisas de intenção de voto — com tendência a queda, como possivelmente em 1994 — e José Eliton, o governador, é candidato com o apoio de uma poderosa máquina político-eleitoral (apoiado por PSDB, PSD, PP, PTB, PR, PSB, PPS, PDT, entre outros).l

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