Uma moeda rejeitada pelo Imperador. Um tesouro guardado pela história
11 setembro 2026 às 17h34

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Para comemorar a ascensão de D. Pedro I ao trono imperial, cunhou-se a moeda de ouro de 6.400 réis, que ficou conhecida como a Peça da Coroação e é considerada até hoje, uma das mais raras e valiosas do Brasil.
Foram produzidos 64 exemplares, cunho assinado pelos gravadores Zeferino Ferrez (anverso) e Thomé Joaquim da Silva Veiga (reverso) e fabricados pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro.
Essas moedas não chegaram a circular efetivamente porque a cunhagem foi suspensa por D. Pedro I. O Imperador não gostou do que viu e mandou para tudo. Pedro desgostou o fato de nelas aparecer representado de busto nu, à feição dos imperadores romanos; e o de figurar a coroa real diamantina (ornada com pedras preciosas ou pérolas justapostas, símbolo do poder real), em vez da imperial que designava o título.
A omissão da palavra CONSTITUCIONALIS e do complemento ET PERPETUUS BRASILIAE DEFENSOR, também foram motivos para a interrupção, o que pressupõe um desejo do poder absolutista.

A Peça da Coroação foi cunhada no exato momento em que o Brasil deixava de ser Colônia para se tornar Império. A vaidade de Dom Pedro I ao rejeitá-la transformou, involuntariamente, cada um desses 64 discos de ouro na mais poderosa relíquia da numismática nacional.O que era para celebrar passou a constranger.
Não há documentação conclusiva sobre o destino das outras peças. Sabemos apenas que foram cunhadas 64 e 16 são hoje catalogadas. O restante se perdeu no silêncio de dois séculos.
Esse vazio, esse espaço em branco, também é parte do fascínio. Na legenda que não foi gravada, na coroa que ainda não era imperial.

Uma delas, foi arrematada em Nova York por 499 mil dólares, não pelo ouro mas pelo traço apressado que congelou um país em trânsito. É menos uma moeda, mais um instante da fundação que sobreviveu ao próprio constrangimento.
Dom Pedro não gostou da moeda. A história ficou com ela.

