Para comemorar a ascensão de D. Pedro I ao trono imperial, cunhou-se a moeda de ouro de 6.400 réis, que ficou conhecida como a Peça da Coroação e é considerada até hoje, uma das mais raras e valiosas do Brasil.

Foram produzidos 64 exemplares, cunho assinado pelos gravadores Zeferino Ferrez (anverso) e Thomé Joaquim da Silva Veiga (reverso) e fabricados pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro.

Essas moedas não chegaram a circular efetivamente porque a cunhagem foi suspensa por D. Pedro I. O Imperador não gostou do que viu e mandou para tudo. Pedro desgostou o fato de nelas aparecer representado de busto nu, à feição dos imperadores romanos; e o de figurar a coroa real diamantina (ornada com pedras preciosas ou pérolas justapostas, símbolo do poder real), em vez da imperial que designava o título.

A omissão da palavra CONSTITUCIONALIS e do complemento ET PERPETUUS BRASILIAE DEFENSOR, também foram motivos para a interrupção, o que pressupõe um desejo do poder absolutista.

Coroação de Dom Pedro I, Imperador do Brasil. Rio de Janeiro, 1822.

A Peça da Coroação foi cunhada no exato momento em que o Brasil deixava de ser Colônia para se tornar Império. A vaidade de Dom Pedro I ao rejeitá-la transformou, involuntariamente, cada um desses 64 discos de ouro na mais poderosa relíquia da numismática nacional.O que era para celebrar passou a constranger.

Não há documentação conclusiva sobre o destino das outras peças. Sabemos apenas que foram cunhadas 64 e 16 são hoje catalogadas. O restante se perdeu no silêncio de dois séculos.

Esse vazio, esse espaço em branco, também é parte do fascínio. Na legenda que não foi gravada, na coroa que ainda não era imperial.

Peça da Coroação, anverso e reverso. Apenas 16 exemplares sobreviveram.

Uma delas, foi arrematada em Nova York por 499 mil dólares, não pelo ouro mas pelo traço apressado que congelou um país em trânsito. É menos uma moeda, mais um instante da fundação que sobreviveu ao próprio constrangimento.

Dom Pedro não gostou da moeda. A história ficou com ela.