A imagem mais icônica de uma invasão alienígena na Terra, nasceu do talento de um brasileiro que o Brasil desconhece. Em 1906, o ilustrador carioca Henrique Alvim Corrêa ficou tão fascinado pelo livro “A Guerra dos Mundos” que, viajou até Londres para mostrar seus desenhos ao próprio H. G. Wells. O autor britânico se impressionou a genialidade daquelas imagens, e chegou a dizer que o brasileiro fez mais pela obra com seus pinceis do que ele mesmo com a escrita.

Nessa época, Alvim Corrêa estava radicado na Bélgica. Foi em Bruxelas que ele criou as ilustrações modernas e representativas da violenta invasão marciana à Terra que impressionaram Wells. Os dois se tornaram amigos.

Alvim Corrêa foi o grande responsável por moldar o visual definitivo dos temidos tripés alienígenas, misturando biologia e engenharia mecânica de forma perturbadora e inédita para a época. Suas ilustrações, carregadas de contrastes brutais de luz e sombra, anteciparam a atmosfera sombria que o cinema de ficção só conseguiu realizar cem anos depois. Pode-se dizer que as ilustrações de Alvim flertam com o surrealismo.

Invasões extraterrestres de alienígenas altamente desenvolvidos e violentas são comuns hoje nos filmes de ficção científica. Até mesmo na versão “Guerra dos Mundos” de 2005, com  direção de Steven Spielberg, baseado na obra de H.G.Wells, as imagens de uma súbita e violenta invasão extraterrestre impressionaram quem assiste à película. Mas, há 120 anos, no fim do século XIX, no Reino Unido, não era bem assim, até o gênero era chamado por outro nome: “romance científico”.

Por isso, ao escrever a obra que cita marcianos hostis e armados com raios que desintegram, prontos para eliminar a raça humana da face da Terra e controlar os recursos naturais do planeta, não era algo comum na literatura romântica. Wells quis dar um alerta ao Império Britânico sobre sua política de colonização e exploração. Ele dizia aos críticos que os marcianos tinham o mesmo comportamento dos britânicos quando invadiam terras estrangeiras e as transformavam em colônias.

O trabalho extraordinário de Henrique Alvim Corrêa ganhou vida em uma luxuosa edição francesa impressa em 1906 e que, em 2026, está completando 120 anos. A edição contou com apenas 500 cópias. Hoje, existem edições especiais da obra de H.G.Wells que possuem as ilustrações do brasileiro disponíveis no mercado, mas que continuam sendo raridades.

O ilustrador brasileiro morreu jovem, aos 34 anos, em 1910, e seu corpo foi levado para o Rio de Janeiro, onde está enterrado. Parte de sua obra foi perdida. Em 1914, quando a Bélgica foi invadida pela Alemanha, na I Guerra Mundial, parte de seus desenhos foram roubados ou destruídos. Em 1942, durante a II Guerra Mundial, muitas ilustrações perderam-se, quando o navio que as transportava para o Brasil afundou, torpedeado por um submarino alemão.