Governo monta gabinete 24 horas para enfrentar incêndios e impactos do Super El Niño até 2027
18 agosto 2026 às 17h45

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*Em colaboração Cilas Gontijo
O Governo de Goiás apresentou, nesta terça-feira, 18, o Gabinete de Ações Integradas (GAI), estrutura permanente de governança destinada a coordenar a atuação dos órgãos estaduais diante da estiagem, dos incêndios florestais e dos impactos associados ao fenômeno El Niño no ciclo 2026-27. A coordenação será feita pela Defesa Civil Estadual e pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), reunindo secretarias, agências e entidades estaduais envolvidas na gestão dos impactos climáticos.
O governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), participou de coletiva de imprensa para tratar das medidas de enfrentamento aos impactos do fenômeno climático conhecido como Super El Niño. Ele destacou a criação de um Gabinete Integrado para coordenar ações de prevenção e resposta.
“Essa é uma iniciativa que tem como objetivo mitigar os efeitos desse fenômeno e impactos sob vários aspectos sociais e econômicos. Temos hoje um percentual de assertividade de que vai acontecer uma extensão do tempo seco, um aumento no volume de chuvas, e tudo isso poderá trazer prejuízos significativos para o estado”, afirmou.
Ao ser questionado sobre recursos financeiros, Daniel disse que o planejamento antecipado ajuda a economizar. “Quando você age de forma antecipada, você também economiza. Mas aquilo que for necessário para que a gente possa diminuir o impacto dessa situação será feito. Nós vamos nos desdobrar, se for necessário, para poder ter os recursos e garantir que o estado sofra o mínimo possível”, declarou.
O governador também ressaltou a importância da participação da sociedade. “Mais de 95% das queimadas acontecem por iniciativa humana. Se todos os goianos colaborarem, sendo vigilantes e atentos, poderemos reduzir muito esses casos. Temos hoje monitoramento satelital e vamos utilizar inteligência artificial para identificar rapidamente os criminosos que promovem queimadas. A população pode ajudar muito denunciando e evitando práticas como queimar lixo em pequenos sítios, que acabam se transformando em grandes incêndios”, disse.
Sobre a atuação em casos de incêndios criminosos, Daniel garantiu que haverá rigor. “Estamos utilizando todo tipo de ferramenta tecnológica e humana para coibir e punir quem cometer esse tipo de atitude criminosa. Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica estarão atentos para reduzir esse tipo de crime”, afirmou.
Ele explicou ainda a diferença entre o Gabinete Integrado e o Comitê de Gestão Integrada para o Combate ao Incêndio Florestal. “O Gabinete tem uma função mais executiva, prática, de operacionalização. O Comitê tem um sentido mais teórico, de construção de soluções. O Gabinete é operacional e estará 24 horas pronto para trabalhar no sentido de mitigar as ações das queimadas”, disse.
O estado de emergência será mantido. “Ele também tem a função de alertar a população e o Estado sobre a situação que estamos vivendo ou que viveremos de forma mais intensa nos próximos meses”, afirmou.
Daniel apontou que o diálogo com prefeitos e órgãos federais será constante. “O Gabinete é de integração. Todos aqueles que precisam participar das ações operacionais estarão conosco. Os prefeitos terão oportunidade de contribuir, assim como órgãos como o IBAMA. Aqui não tem discussão política, a situação é pensar no Estado e atuar rapidamente para preservar o máximo possível dos impactos desse fenômeno”, concluiu.
Integração com outras forças estaduais
No evento, o secretário de Saúde, Rasível dos Reis Santos Júnior, destacou as ações já em andamento na área da saúde para enfrentar os efeitos do El Niño. Ele iniciou cumprimentando o governador Daniel Vilela e os colegas presentes e explicou que a Secretaria elaborou o Plano Estadual de Emergências em Saúde Pública.
“Nós escrevemos esse plano, aproveitando o pessoal do ‘Todos pela Saúde’ que veio. Eu assumi a Secretaria de Estado no meio de uma crise de dengue e começamos a fazer o plano de emergência para arboviroses. Estendemos esse plano de emergência para questões meteorológicas, climatológicas, hidrológicas, eventos de massa, como o Moto GP, e incidentes químicos, biológicos, radiológicos, nucleares e explosivos”, afirmou.
O secretário falou sobre a integração com outras forças estaduais. “Temos trabalhado muito com o Coronel Carlos e com o comandante Washington. Trabalhamos com o Incident Command System, conseguimos montar rapidamente gabinetes de crise e trabalhar com essas questões. Isso tem trazido muito benefício para a sociedade”, disse.
Ele detalhou que a Secretaria participa ativamente do Comitê Estadual de Incêndios Florestais e das operações Goiás Alerta e Solidário. “Nós temos uma plataforma na Secretaria de Estado de Saúde para monitorar emergências em saúde pública, dar celeridade nas informações entre as áreas técnicas e monitorar todas as ações”, explicou.
Do mesmo modo, foi enviada uma nota informativa aos municípios com cenários possíveis, recomendações para gestores públicos, vigilância e secretarias municipais de saúde, além de links úteis e contatos emergenciais.
Sobre os cenários de preparação, Rasível destacou as ondas de calor. “Ontem mesmo nos reunimos e estabelecemos critérios e gatilhos. Quando temos umidade relativa do ar abaixo de 20% por mais de duas semanas ou temperaturas acima de 34 graus por mais de duas semanas, já temos gatilho que permite acionar o plano de contingência climatológica”, disse.
Ele acrescentou que a baixa umidade e a fumaça de queimadas estão sendo trabalhadas junto aos municípios. “Já temos também modelo preditivo para precipitação e temperaturas nos 246 municípios, em parceria com o Corpo de Bombeiros e a Secretaria do Meio Ambiente”, completou.
O secretário citou como ação prevista o aumento em 30% do estoque estratégico de oxigênio, broncodilatadores, insumos e soro, com o objetivo de garantir suprimentos regulares nas unidades de saúde. “Estamos olhando essa questão para ter estoques no Estado e nos municípios, caso precisem de apoio”, afirmou.
Ele também destacou a importância da resiliência da infraestrutura de saúde, mencionando a parceria com a Saneago para assegurar abastecimento hídrico constante. “No momento de crise, precisamos que as unidades funcionem, muitas vezes no final de semana, e com problema hídrico temos dificuldade maior”, disse.
A atenção psicossocial e a saúde mental também foram destacadas como ponto relevante. “A rede de atenção está fortalecida com equipes multidisciplinares e fluxos estabelecidos na atenção primária. Temos monitoramento e vigilância integrados com dados ambientais e climáticos”, explicou.
Rasível informou ainda que haverá reuniões com pontos focais regionais e municipais a partir de 24 de agosto para pactuar ações de apoio aos municípios. “Vamos passar em todas as regiões do Estado levando as ações que precisam ser tomadas com relação à questão climática e meteorológica”, concluiu.
Na mesma ocasião, foram apresentadas as diretrizes do Plano de Contingência Estadual (PLANCON Estiagem 2026), que estabelece responsabilidades dos órgãos, procedimentos de atuação integrada e pontos focais para tomada de decisões e mobilização de recursos durante situações de emergência.
Todos os modelos climáticos apontam que as mudanças nos afetarão
A secretária de Meio Ambiente, Andréa Vulcanis, também fez uma fala destacando os impactos das mudanças climáticas no estado. “Estamos vivendo um processo de mudanças climáticas muito evidente. Nos últimos dez anos, vimos efeitos muito impactantes em Goiás”, disse.
“Todos os modelos climáticos apontam que as mudanças nos afetarão diretamente no elemento água. Nos períodos de seca, teremos menos disponibilidade hídrica e, nos períodos de chuva, tempestades e deslizamentos. Aqui no Centro-Oeste temos os dois extremos acontecendo no mesmo período”, afirmou.
Ela ressaltou que os impactos são multisetoriais. “Esses impactos vão de sociais muito claros, como comunidades atingidas pelo fogo ou enchentes, até a saúde, agricultura e abastecimento público. Os nossos dados apontam uma redução média de 30% na disponibilidade hídrica nos rios e cursos d’água, o que afeta abastecimento e irrigação. Estamos diante de um problema sistêmico e multisetorial e o estado precisa se preparar para ter maior resiliência”, apontou.
A secretária explicou que a preparação envolve prevenção e reação. “Esse ano fizemos uma ação muito inovadora, que foi a primeira ação com brigadas comunitárias. Estamos envolvendo a comunidade que conhece o território, apoiados com capacitação, recursos, seguro de vida, alimentação e equipamentos. Todos estão preparados para a primeira ação diante de um incêndio. O Corpo de Bombeiros recebeu mais de R$ 20 milhões em investimentos na preparação da tropa e equipamentos”, afirmou.
Ela destacou a importância dos protocolos de atendimento às emergências. “Assim como o Rasível falou dos protocolos para emergências químicas e biológicas, temos protocolos distintos para saúde, meio ambiente e Defesa Civil, mas eles precisam conversar entre si. Se disparar uma emergência, temos que estar prontos para reagir”, disse.
Andréa também fez um pedido à segurança pública. “Noventa e nove por cento dos incêndios são causados por seres humanos. Quando há investigação e punição, vemos redução expressiva no número de focos. Isso precisa ser constante e divulgado nas mídias para desestimular quem tem intenções nesse sentido”, afirmou.
Ela lembrou ainda das crises de abastecimento público. “Nos últimos anos vimos cidades ficarem até 15 dias sem água, precisando buscar caminhão-pipa. Em alguns pontos, a Saneago perfura poços e não encontra mais água subterrânea, mostrando o problema de recarga hídrica. A educação é fundamental, porque muitas vezes o fogo começa em um lixo queimado ou uma bituca de cigarro. É preciso mudar essa cultura”, disse.
Por fim, Andréa reforçou a importância do gabinete. “O gabinete vai servir para convocar todos que têm participação e permitir reação rápida. Se o El Niño se estender, talvez os recursos preparados não sejam suficientes e teremos que complementar esforços. É importante também responder às mídias de forma competente, porque dados distorcidos acabam prejudicando o esforço de preparação. Estarmos reunidos aqui é fundamental para que a sociedade compartilhe desses esforços”, concluiu.
Coronel Washington destaca desafios climáticos e ações integradas em Goiás
Ainda na apresentação do Gabinete de Ações Integradas (GAI), o coronel Washington Luiz Vaz Júnior, do Corpo de Bombeiros, falou sobre a importância da iniciativa e detalhou os desafios enfrentados por Goiás diante das mudanças climáticas e do fenômeno El Niño.
O coronel enfatizou que o gabinete representa a convergência de forças para enfrentar desastres climáticos. “Na verdade, nós convergirmos ações e força para que possamos responder ao desastre climático. Nós já estamos dentro desse desastre climático. O Rio Grande do Sul está sofrendo com chuvas arrastando pontes, pessoas e casas. Por que aqui não estamos sentindo ainda? Porque ele se misturou, se maquiou com a nossa seca”, afirmou.
Ele alertou para a gravidade da situação no Nordeste goiano. “Estamos vivendo uma seca extrema. Em alguns municípios, especialmente no Nordeste goiano, estamos tendo temperaturas extraordinárias, quase 41 graus. Não sei como as pessoas conseguem ficar com vida lá. Eu tive lá por quatro horas e o corpo já sente a permanência solar. Estamos entrando exatamente no El Niño, são 90% de chance que isso aconteça”, disse.
Washington destacou a necessidade de união entre órgãos públicos e privados. “O intuito é convergência, multiagência, multiempresas, empresas privadas. Cumprimentar o Clodoaldo, da Pró-Soja, pela presença. Um grande exemplo de brigada na região de Silvânia pode ser o modelo que vamos adotar. Falei com o secretário sobre esse modelo de termos um grupo de fazendeiros criando brigadas rurais. Não sabemos o tamanho desses incêndios. Setembro e outubro serão períodos de seca extrema e precisamos ter total atenção”, afirmou.
Ele citou a legislação federal como norte para as ações. “A legislação federal 12.608 traz para nós que a incerteza quanto ao risco do desastre não constituirá impedimento para adoção de medidas preventivas e mitigadoras. Cabe a nós buscarmos soluções para o que vai acontecer”, disse.
O coronel reforçou que o cenário climático já é preocupante. “São 90% de chance de estarmos dentro do El Niño supremo. Já está acontecendo o efeito climático. Existe preocupação não somente com incêndios, mas também com a crise hídrica. No Nordeste goiano, em sete dias debelamos um incêndio e 24 horas depois apareceu outro foco. A vegetação está seca, a umidade abaixo de 12%”, relatou.
Ele apresentou dados alarmantes. “Já temos 151 municípios afetados por crise hídrica. Cinquenta e um municípios já estão vivenciando falta de água. O que assistimos na Europa, como França, Portugal e Espanha, que passaram por incêndios graves e agora enfrentam falta de água, pode acontecer aqui. Por isso a preocupação e a presença do presidente da Saneago”, disse.
Washington também alertou para impactos econômicos. “Podemos faltar água, ter problema com a agricultura. O agricultor precisa entender que estamos vivendo um ano diferente. O período de plantio pode não ser o comum. Podemos perder plantações e impostos, porque envolve a economia do estado. Temos que alertar sobre isso”, afirmou.
Ele destacou a inovação das brigadas comunitárias. “Incluo aqui a parceria Semad/Corpo de Bombeiros. Fizemos algo inovador, não existe isso no Brasil. Brigadas comunitárias onde a comunidade se envolve com o Corpo de Bombeiros e atuam conjuntamente no Nordeste goiano. São 180 brigadistas e tenho certeza que esse modelo vem para criar um modelo para o Brasil. Podemos expandir para povos indígenas e originários. Saúde pública é preocupação nossa, porque aumentam as doenças, e o setor energético também é prejudicado”, disse.
Sobre os eixos estratégicos, Washington explicou que será uma atuação preventiva. “Vamos atuar preventivamente, na preparação e mitigação de danos, preparando todas as pastas. O decreto do governador fortalece as ações conjuntas e a urgência de cada ação. Já estamos atuando em Terra Ronca com grandes incêndios. Caso necessário, teremos ações de reconstrução. O governador foi assertivo. Quando se antecipa o desastre, há 75% de economicidade em vez de só reagir”, afirmou.
Ele lembrou que o El Niño também pode trazer temporais. “Podemos ter chuva e ventos fortes localizados em municípios. O clima é muito mutável, mas essa preocupação existe. O gabinete vai tomar decisões conjuntas, assinar plano de emergência, cada secretário terá sua missão. Teremos grupo de WhatsApp com representantes para comunicação rápida”, disse.
Washington destacou o uso de tecnologia. “Estamos atuando com vários satélites. Em tempo real conseguimos identificar focos de incêndio. O Corpo de Bombeiros descentralizou e montou seis bases no Nordeste goiano. Temos postos avançados em todo o estado. A equipe vai rápida até o local e inicia o procedimento. Temos inteligência artificial apoiada pelo Dr. Hoffman, que aumenta a velocidade do operador, busca na rede de satélite e traz informação com latitude e longitude do incêndio, soltando alerta na regional”, apontou.
O coronel destacou o uso de tecnologia e a estrutura de monitoramento para enfrentar os incêndios e os efeitos do El Niño no estado. Ele explicou como funcionará o sistema de alerta. “Quem está na companhia, no posto avançado descentralizado, vai receber no celular uma mensagem informando que está iniciando um incêndio na área dele. Isso vai aumentar a nossa capacidade de atuar frente aos incêndios. Incêndios não começam grandes, eles começam pequenos. Quanto mais rápido chegarmos perto dele, mais precisa será a atuação”, disse.
O coronel informou que haverá uma sala de situação monitorada 24 horas na Defesa Civil. “Tem um endereço para que todos estejam lá. Vamos fazer painel para entrevistas, diariamente será divulgado o que está acontecendo de incêndio, o que está sendo apagado e o que está sendo preservado”, explicou.
Ele agradeceu à imprensa pelo apoio. “Ontem me perguntaram: ‘Mas 20% da área queimada, governador?’ Eu respondi: ‘Sim, mas foi 80% preservado. Nós preservamos 80% da área’. Estamos atuando para trazer preservação do meio ambiente e da fauna”, afirmou.
Washington destacou que os alertas enviados pela Defesa Civil durante o período de chuvas agora serão adaptados para incêndios. “Vamos trabalhar isso bem para não assustar a comunidade, porque vai chegar um alerta de incêndio na região. Também vamos começar a alertar sobre baixa umidade ou atuação de brigada em determinado setor. Possivelmente essas mensagens já vão chegar como alerta para incêndios”, disse.
Ele lembrou que o sistema também poderá ser usado em situações de tempestades rápidas. “Podemos ter em novembro ou outubro uma tempestade muito rápida em alguma região do estado e atuar em água também”, explicou.
O coronel detalhou a segunda etapa do monitoramento. “Será feita por técnicos da Defesa Civil, que já estão analisando e pegando dados. Temos drones térmicos que vão acompanhar processos de incêndios, medir áreas queimadas e áreas preservadas”, disse.
Ele reforçou que os alertas serão emitidos via celular. “Utilizando a ferramenta de comunicação em massa que todos têm na mão, vamos informar e operar. Por isso a brigada civil é muito importante, porque vai receber o acionamento e fazer a coordenação conjunta”, afirmou.
“Vamos trabalhar outras brigadas conjuntas, como a de Rio Verde, que é muito conhecida, rural, com aviões e tratores, e pode fortalecer a atuação no estado. Não sabemos o que está por vir, então toda mão de obra e equipamento será bem-vindo”, acrescentou.
Washington explicou que a sala de situação ficará na Defesa Civil. “Quem não conhece, fica ao lado do Serra Dourada. Lá está o GAI [Gabinete de Ações Integradas], e todas as informações ao público e à imprensa serão destinadas de lá. Entrevistas do governador, se precisar alertar a comunidade, sairão da Defesa Civil. O governador é nosso comandante-em-chefe das Forças de Segurança Pública e operador de Defesa Civil do estado”, disse.
“O decreto está sendo finalizado para assinatura, criando o Gabinete de Ações Integradas e o símbolo do GAI. Não tem ninguém maior do que ninguém, o ideal é trazer a multiagência para tirar a burocracia das pastas em situações de urgência e emergência. Quando o grupo integrado for acionado, precisamos agir rápido e com precisão”, completou.
Ele informou que o plano de emergência terá duração de 2026 a 2027. “O El Niño vai até abril de 2027. Vamos ter um período de seca muito forte, tempestades e depois chuvas intensas em virtude do aquecimento das águas do Pacífico”, afirmou.
O coronel encerrou sua fala com uma frase que costuma repetir em suas apresentações. “Juntos somos mais fortes, integrados somos imbatíveis. Muito obrigado”, concluiu.
Ibama reforça parceria com Goiás no combate a incêndios
O superintendente do Ibama em Goiás, Leo Caetano, falou sobre a importância da iniciativa e colocou o órgão à disposição para apoiar as ações de enfrentamento às crises climáticas e aos incêndios florestais. “É uma satisfação estar presente com vocês nesse gabinete tão importante que está sendo montado pelo governo. O Ibama está à disposição para apoiar as ações. Já estamos apoiando tanto a Secretaria Estadual de Meio Ambiente quanto o Corpo de Bombeiros. Recentemente estivemos em Terra Ronca com duas equipes atuando no combate”, afirmou.
Leo Caetano explicou que o Ibama conta com cerca de 150 brigadistas contratados. “São também comunitários, em um sistema um pouco diferente de contrato, mas muito semelhante na ideia, que é o mais importante”, disse.
Ele ressaltou que a atuação do órgão ocorre especialmente em áreas federais. “Nós atuamos em territórios indígenas e quilombolas. Ter essa parceria para trabalhar fora dessas atividades será muito importante para a sociedade, porque precisamos entregar o melhor cenário possível diante dessa crise”, afirmou.
O superintendente destacou as ações de prevenção realizadas em 2026. “O Ibama atuou na prevenção especialmente nessas regiões, conversando com a comunidade, dizendo o que pode e o que não pode ser feito para evitar grandes problemas no futuro. Fizemos oito mil hectares de queimas prescritas, que são realizadas em períodos mais tranquilos para diminuir o combustível e evitar grandes incêndios. Também atuamos na fiscalização preventiva no entorno dessas comunidades, notificando todos os proprietários para fazer aceiro e prevenção”, explicou.
Leo Caetano reforçou a importância da integração com os órgãos estaduais. “Esse é um trabalho que o Ibama já executa. Agora, com a parceria que temos desde o ano passado com o Corpo de Bombeiros e a Semad, temos muito a acrescentar, especialmente na região nordeste. Colocamos o Ibama à disposição para apoiar o gabinete e todas as ações de crise, especialmente no combate aos incêndios que infelizmente virão. Estaremos presentes para atuar em parceria, com integração e para entregar um bom resultado para a sociedade”, concluiu.
Goiás amplia rede de monitoramento climático e hidrológico
O gerente do Centro de Informações Hidrológicas, Meteorológicas e Geológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, destacou os avanços na estruturação da rede de monitoramento do Estado. “Hoje temos uma rede de 280 pluviômetros automáticos que respondem a cada 10 minutos, então sabemos onde está chovendo e onde não está chovendo”, afirmou.

Segundo Amorim, a rede meteorológica está sendo ampliada com estações tanto em unidades de conservação quanto nos municípios. “Todos os municípios goianos hoje têm a maior rede de alerta do Brasil. Estamos numa posição de vanguarda em relação à informação”, disse.
“Estações hidrológicas também estão sendo implementadas neste momento, monitorando rios como o dos Bois, Meia Ponte, Abóboras, Rio Verde, Lajes e Rio Verdinho. Todos esses mananciais importantes estão sendo monitorados e isso traz informação que parte do gabinete do nosso Secretário, inclusive sobre queimadas”, explicou.
O gerente ressaltou que o trabalho é de longo prazo e atende diferentes secretarias. “Estamos monitorando a umidade relativa do ar em todos os municípios. A qualidade do ar também está sendo ampliada, com modelos numéricos para estimativa de material particulado e gases”, apontou.
“Há poucos anos estávamos aquém do monitoramento, hoje estamos muito além e Goiás é o Estado mais bem monitorado em termos de território. A informação chega a cada 10 minutos e os modelos numéricos nos mostram o horizonte. Rodamos o modelo de clima que antecipa seis meses, permitindo prever períodos chuvosos e secos”, disse.
Amorim destacou ainda os investimentos realizados. “Estamos indo para mais de 20 milhões de reais em investimento dentro da pauta do Governo do nosso Governador Daniel Vilela. Isso coloca Goiás na ponta da discussão. Quando a Defesa Civil recebe um alerta, pode ter certeza de que sabemos quanto está chovendo em cada município e também quando não está chovendo”, completou.
Ao ser questionado sobre a previsão de chuvas, Amorim explicou o cenário. “Nós teremos ainda chuvas intermitentes. Estamos com baixa probabilidade de chuva na próxima semana, mas pode acontecer. Setembro pode ter chuvas e outubro também. O problema é que essa chuva não vai consolidar de maneira rápida”, explicou.
“Para o setor agrícola, vão começar a plantar final de outubro ou começo de novembro, mas é preciso esperar o cenário se estabelecer. Os mananciais vão baixando, a vegetação fica mais seca. Esse é o cenário que se desenha e vamos precisar de paciência e resiliência”, concluiu.
Produtores destacam impacto das queimadas e defendem integração
O presidente da Aprosoja-GO, Clodoaldo Calegari, ressaltou a importância da iniciativa para os produtores rurais. “Em nome dos produtores de grãos, dos agricultores, dos pecuaristas e todos os demais, eu posso falar também em nome do meu amigo Eduardo da Faeg [Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás]. Nós ansiávamos por esse tipo de atitude, porque muitas vezes a impressão que transmite é que nós, que estamos no campo, somos os criminosos, colocando fogo”, disse.
“Pelo contrário, o avanço de uma queimada é extremamente prejudicial ao nosso trabalho, quer seja pecuária ou agricultura. Se queima o pasto, tira o alimento do boi. Se queima a palhada, perde-se a proteção que mantém a temperatura mais amena no solo para a próxima safra. Diminui a matéria orgânica, o suporte de matéria orgânica. É uma série de coisas que nos prejudica”, afirmou.
Clodoaldo lembrou da última reunião com representantes da Defesa Civil. “Fiz questão de parabenizar por essa integração. Aqui temos todas as secretarias, Forças de Segurança, Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação. É importante demais a educação levar isso para o ensino fundamental e mostrar: não jogue lixo na estrada, não ponha fogo no quintal”, apontou.
“Muitas vezes isso vem da cultura dos antepassados, de pessoas com pouco estudo e pouca informação. Uma queimada em área rural, dependendo das proporções, afeta municípios vizinhos e cria crises respiratórias, principalmente em crianças e idosos. Temos consciência disso tudo e por isso a importância dessa integração”, disse.
O presidente da Aprosoja-GO destacou que políticas de Estado são fundamentais. “Sempre que se senta à mesa e alguém coloca uma ideia, quando ela é abraçada pelos demais e tirada do papel, tem efeito muito positivo. Esse gabinete deve ser observado como uma política de Estado. Já falei com o governador sobre a importância de implementar políticas que se perpetuem”, disse.
“Este ano já houve vários pontos de incêndio. O senhor falou que 8 mil quilômetros de margens de rodovias, sejam federais ou estaduais, são grandes focos iniciais. Se a Secretaria do Meio Ambiente, o Ibama e a Goinfra puderem trabalhar integrados com aceiros assistidos e controles nas rodovias, isso diminui imensamente o problema nas áreas mais remotas”, afirmou.
Calegari também destacou a mobilização por meio de grupos de mensagens. “Os grupos de WhatsApp têm sido fundamentais. O Eduardo Vera em Silvânia sabe que não é só um grupo, são alguns, e todos têm a integração de alguém do comando do Corpo de Bombeiros. Eles pedem a localização e ajudam a agir. Essa mobilização geral, cada um fazendo a sua parte, consegue chegar a um objetivo comum de grande resultado para a sociedade como um todo. Obrigado, governador, e parabéns mais uma vez pela iniciativa”, concluiu.
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