A unidade exportadora da JBS em Mozarlândia, Goiás, foi reprovada em inspeção sanitária realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após auditoria da União Europeia. O frigorífico, considerado uma das principais vitrines internacionais da empresa, abate cerca de 2.000 cabeças de gado por dia e é estratégico para exportações de carne bovina.

Em maio, técnicos europeus estiveram no Brasil para avaliar o sistema oficial de inspeção sanitária. Foram visitados frigoríficos, laboratórios e outras estruturas ligadas ao controle de qualidade. Após a missão, o Serviço de Inspeção Federal voltou a analisar a planta da JBS em Mozarlândia e concluiu que as falhas apontadas não haviam sido corrigidas. O relatório formalizado em 1º de julho destacou deficiências recorrentes.

Segundo o Mapa, entre os problemas identificados estão falhas no processo de certificação sanitária, incluindo o uso do carimbo oficial de salubridade em carnes destinadas à exportação.

Os fiscais apontaram que não há garantia de manutenção do selo após etapas como lavagem das carcaças e aplicação de produtos nas câmaras de resfriamento, também foram registradas deficiências no controle de pragas, como ausência de monitoramento adequado de armadilhas para moscas, além de falhas na separação e descarte de partes dos animais exigidas pelas normas sanitárias. A organização do processamento de vísceras também foi criticada.

A fiscalização destacou ainda problemas na gestão da qualidade da empresa. Segundo os laudos, há falta de análise crítica na validação das medidas propostas e planos de ação superficiais que não investigam a causa raiz das não conformidades.

Isso tem resultado na recorrência dos desvios. Em manifestações anteriores, o SIF já havia apontado ausência de medidas preventivas que garantissem o cumprimento integral da legislação europeia. Em 20 de julho, o órgão voltou a reprovar o plano de ação da unidade, afirmando que a maioria das falhas permanecia sem solução e que a empresa recorria frequentemente à promessa de treinamentos como resposta.

Apesar das reprovações, o Ministério da Agricultura não suspendeu as exportações da planta nem aplicou sanções. As normas da pasta permitem, em casos de não conformidades relevantes, a suspensão cautelar da habilitação para exportar até que os problemas sejam resolvidos. Em maio, a China havia autorizado a retomada das exportações da unidade após suspensão temporária iniciada em março de 2025. Em julho do ano passado, o frigorífico recebeu autorização para exportar carne ao Vietnã.

A JBS declarou em nota que cumpre rigorosamente os protocolos sanitários exigidos pelos mercados em que atua. A empresa afirmou que os apontamentos são pontuais e inerentes à rotina de fiscalização, sem representar risco à segurança dos alimentos ou comprometer a qualidade do produto final.

O endurecimento da fiscalização ocorre em meio ao aumento das exigências sanitárias e ambientais da União Europeia para importação de alimentos. Além dos controles tradicionais, o bloco intensificou auditorias sobre os sistemas de inspeção dos países exportadores. Em maio, a União Europeia oficializou veto à importação de carne brasileira, sem previsão de revisão. A retomada dos embarques dependerá da comprovação de adequação às regras sanitárias.

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