A previsão da formação de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre deste ano acendeu um alerta entre meteorologistas e o setor elétrico em Goiás. O fenômeno climático, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode elevar ainda mais as temperaturas no Centro-Oeste, atrasar o retorno das chuvas regulares e favorecer a ocorrência de tempestades isoladas com ventos intensos e descargas atmosféricas, segundo projeção do Climatempo.

Para o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, a combinação entre calor intenso, estiagem prolongada e temporais aumenta a pressão sobre o sistema elétrico e exige monitoramento constante para reduzir impactos no fornecimento de energia.

Em Goiás, os principais efeitos esperados são períodos mais longos de temperaturas elevadas e um regime de chuvas mais irregular, com precipitações concentradas em eventos de maior intensidade.

De acordo com o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), o El Niño altera o comportamento climático em diferentes regiões do Brasil e do mundo. No Centro-Oeste, os impactos costumam ser marcados pelo aumento das temperaturas e pelo atraso da regularização das chuvas durante o segundo semestre.

Além do desconforto térmico, as altas temperaturas também provocam aumento no consumo de energia elétrica. O uso mais intenso de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e outros equipamentos amplia a carga sobre transformadores e subestações. Quando as chuvas ocorrem de forma concentrada, acompanhadas de raios e rajadas de vento, cresce o risco de interrupções no fornecimento de energia devido à queda de árvores e danos na rede elétrica.

Um exemplo ocorreu em outubro de 2025, quando uma onda de calor levou as temperaturas a se aproximarem dos 40°C em diversas cidades goianas. Naquele período, a concessionária registrou aumento de 14% no consumo residencial em comparação com o mês anterior, alcançando média de 240 kWh por unidade consumidora, o maior índice já registrado para o período no estado.

Segundo Vinicyus Lima, o pico de consumo costuma ocorrer no fim da tarde e no início da noite, justamente quando a população retorna para casa e liga equipamentos de refrigeração, o que aumenta a demanda sobre o sistema elétrico. Ele explica que, durante as tempestades, outro desafio é a incidência de raios e a ação dos ventos, que podem lançar galhos, telhas e outros objetos contra a rede de distribuição.

Além dos efeitos do calor e das tempestades, a estiagem prolongada também aumenta o risco de queimadas. Com a vegetação mais seca, focos de incêndio próximos às linhas de transmissão e distribuição podem provocar desligamentos, comprometer equipamentos e dificultar o restabelecimento da energia.

A concessionária destaca que grande parte desses incêndios tem origem em ações humanas e orienta a população a evitar queimadas e o descarte de materiais inflamáveis às margens de rodovias ou em terrenos com vegetação seca.

Para minimizar os impactos durante o período mais crítico do ano, a empresa informa que intensifica inspeções na rede elétrica, realiza manutenção preventiva em pontos considerados estratégicos e executa a limpeza das faixas de servidão próximas às linhas de transmissão e distribuição. A orientação aos consumidores é utilizar a energia de forma consciente e evitar práticas que possam provocar incêndios, tanto em áreas urbanas quanto rurais.

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