“Resultados discretos”: Número de homens que procuram rinoplastia aumenta em consultórios
28 julho 2026 às 17h35

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O número de homens que recorrem à rinoplastia tem crescido, e o procedimento deixou de ser visto apenas como solução para problemas respiratórios. Cada vez mais pacientes entre 30 e 50 anos procuram especialistas em busca de resultados que conciliem funcionalidade e estética. A mudança reflete um cenário em que o estigma masculino em relação às cirurgias plásticas perde força, impulsionado pela exposição constante nas redes sociais e pela pressão por padrões de aceitação e imagem.
De acordo com os dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps), em 2023, foram realizadas cerca de 1,1 milhão de rinoplastias em todo o mundo, um aumento de 21,6% em relação ao ano anterior. O levantamento também identificou crescimento da procura masculina por procedimentos cirúrgicos na região da face e da cabeça.
A mudança de perfil também é percebida nos consultórios em Goiânia. Ao Jornal Opção, o médico otorrinolaringologista, Gustavo Jorge, afirma que os homens já representam metade dos pacientes que procuram rinoplastia com ele.

“De uns anos para cá, nós começamos a observar muito mais homens dentro do consultório de rinoplastia querendo mudar o aspecto visual estético. Antigamente, era praticamente cinco mulheres para cada homem. Agora a gente nota que é praticamente um homem para cada duas mulheres. A incidência aumentou bastante”, explica.
Ele explica que geralmente são homens da faixa de 30 a 50 anos. “São pacientes que geralmente têm alguma dificuldade respiratória, mas que querem melhorar o aspecto respiratório e também a questão estética nasal. Em relação à profissão, isso não tem um padrão, pois são pacientes das mais diversas áreas profissionais que nos procuram”, aponta.
O especialista destaca que a motivação pela saúde ainda predomina. “A área da saúde é a principal. Geralmente o paciente tem sinusite de repetição ou um certo grau de dificuldade para respirar pelo nariz porque tem um desvio de septo”, pontua.
“Como já vai realizar um procedimento de caráter funcional, para respirar e melhorar a questão de sinusite de repetição, ele acaba analisando também a possibilidade de dar melhora estética. Então associa tudo num pacote só, para melhorar tanto a questão funcional quanto a estética”, completa.
Sobre a relação entre autoimagem e limitações anatômicas, o médico afirma que alguns pacientes têm problemas de desvio de septo e também em válvulas nasais. “Esses pacientes respiram mal, têm dificuldade de sono e muitos deles, devido a essas alterações na estrutura nasal, têm um nariz que não é harmônico”, comenta.
“Então querem melhorar a autoestima, respirar melhor e ter qualidade de sono. Antigamente, o homem era preconceituoso em mudar o aspecto do nariz. Hoje essa barreira já foi vencida e ele quer melhorar o aspecto geral da face. Melhorando o nariz, que é o centro da face, harmoniza melhor toda a face”, acrescenta.
O médico observa que as redes sociais influenciam diretamente na decisão dos pacientes. “Antigamente, a gente fazia fotografias e era exposto a uma imagem de forma esporádica. Hoje nossa imagem é exposta o tempo todo nas redes sociais. A gente quer se sentir bem e aceito pela sociedade”, aponta.
“Então aquele nariz que não é bonito, que distorce a imagem da face, começa a incomodar. Às vezes é motivo até de crítica nas redes sociais e o paciente acaba optando pela cirurgia para ser aceito nesse convívio social”, afirma.
Ele também aponta diferenças entre homens e mulheres. “Geralmente os homens querem um nariz mais discreto, que não seja chamativo. Querem melhorar o aspecto geral sem descaracterizar o nariz. Querem que passe despercebido no meio social. Já a mulher, às vezes também quer um nariz discreto, mas existe um grupo que gosta da ponta mais refinada, do nariz mais arrebitado, e não se importa de mostrar que fez a mudança para as amigas e para a sociedade”, explica.
O otorrinolaringologista alerta para casos de distorção de imagem. “Às vezes o paciente projeta o nariz dele muito pior do que é na realidade. Por mais que você melhore o aspecto geral, ele continua insatisfeito. Quando desconfia de algum distúrbio de imagem, a primeira coisa é pedir ajuda para que procure um psicólogo”, pontua.
“Esse distúrbio é difícil, porque o paciente se olha no espelho e se vê diferente do que realmente é. Com o nariz também acontece. O nariz já está bonito e harmônico, mas o paciente sempre quer mais. Quer mais fino, mais arrebitado. É preciso tomar cuidado, identificar logo e encaminhar para avaliação”, acrescenta.
Ele cita o exemplo de Michael Jackson. “Esse é o exemplo clássico. Chegou um momento que deveria ter parado e mesmo assim continuou operando o nariz, encontrando profissionais que ainda encarassem a cirurgia, até chegar ao ponto de ficar praticamente destruído. São casos delicados que partem para o lado psiquiátrico”, aponta.
Por fim, Gustavo Jorge ressalta que o preconceito masculino em relação à cirurgia tem diminuído. “Se você tem vontade de se melhorar, de se sentir melhor ou mesmo sofrer menos bullying porque não tem um nariz bonito, existem meios de mudar. É possível ter um nariz mais harmônico com segurança. Hoje existem até simulações, onde você tem uma noção muito próxima de como vai ficar. Esse medo deve ser suplantado. O importante é viver bem e se sentir seguro”, finaliza.
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