Tocantins
Os deputados Júnior Coimbra e José Augusto Pugliesi ou mudaram de estratégia ou estão planejando novos ataques ao PMDB. O certo é que depois que tiveram suas filiações suspensas pela comissão interventora a dupla do barulho que por pouco não implodiu o partido resolveu fazer silêncio. Os dois provocaram tanto estragos na sigla que até quando não estão fazendo nada, preocupam.
[caption id="attachment_9046" align="alignleft" width="300"]
Artista concorre ao Palácio Araguaia pelo PV | Foto: Divulgação[/caption]
O cantor e compositor Genésio Tocantins (foto) é candidato a deputado estadual pelo PV. Um dos principais nomes da música tocantinense, ele diz que o projeto é pra valer e que acredita na vitória. Genésio aprova a decisão do PV de se juntar ao PMDB e acredita que o partido poder ser fator decisivo na vitória das oposições.
Pelos menos cinco vereadores de Palmas são candidatos a deputado. Para estadual: Major Negreiros (PP), Joaquim Maia (PV), Valdemar Júnior (PSD) e Júnior Geo (Pros). Para federal: João Campos (PSC). Todos têm chance. Mais cotados: Maia e Negreiros.
O prefeito de Palmas Carlos Amastha (PP) deu mais uma bela contribuição à renovação do folclore político. Durante a convenção dos partidos da base do governo o prefeito resolveu escarafunchar um assunto considerado tabu para o governador Sandoval Cardoso. A história da onça. E sugeriu que será se a onça da foto não invadiu propriedade em função do desmatamento que alguém está fazendo? Nesta Amastha se revelou o verdadeiro amigo da onça. Trouxe para o palanque uma história (matador de onça) que parece lenda e que constrange e ridiculariza o governador.
E não é só o PR do finado senador João Ribeiro que está dividido nestas eleições, a família Ribeiro também. A deputada Luana Ribeiro e irmão JR ficaram com o governo, mas a viúva Cíntia Ribeiro está com a oposição e até foi indicada para compor a vice na chapa do senador Ataídes Oliveira, do Pros.
Eduardo Siqueira (PTB) impôs a sua candidatura a deputado estadual em detrimento da postulação do irmão mais moço, Alexandre Siqueira Campos (PSDB), que teria eleição fácil para a Câmara Federal, segundo analistas políticos. Eduardo além de causar atrito interno tira a vaga do jovem Alex, que é visto como a renovação do siqueirismo.
A tão propalada candidatura do procurador da República Mário Lúcio Avelar ficou pelo caminho, atropelada pelo fisiologismo, uma doença grave que acomete a maioria dos partidos do Tocantins. O procurador anunciou a desistência acusando a executiva nacional do PPS de não cumprir a palavra dada de que teria legenda para disputar as eleições. Avelar ficou na chapada, como dizem por aqui, e ainda foi usado ao associar a sua imagem de homem público combativo com a de um partido vazio de conteúdo ideológico e governista por excelência.
O deputado Manoel Queiroz (PPS) e o candidato a deputado Osvaldo Durães (PP) integram partidos que estão na base do governo, mas já anunciaram que vão acompanhar Marcelo Miranda e Kátia Abreu. Queiroz já integrava o grupo de apoio do ex-governador e Durães revela que ficou insatisfeito com o chapão na coligação do governo, que segundo ele só serve para garantir mandato para os atuais deputados, o que ele se recusa a aceitar.
[caption id="attachment_8498" align="alignleft" width="300"]
Ex-governador Siqueira Campos: desistência de candidatura num comunicado não assinado por ele | Foto: Aldemar Ribeiro/Arquivo/ATN[/caption]
O ex-governador Siqueira Campos (PSDB) em nota à imprensa comunica a desistência de disputar uma cadeira no Senado e anuncia que pode pendurar a chuteira. A nota enviada na quarta-feira, 25, pelo presidente do PSDB explica os motivos da desistência. Em se tratando de Siqueira Campos é preciso esperar até a última hora do dia 30 para se ter certeza de que não se trata de jogada política. Veja que a nota foi assinada pelo presidente pelo PSDB e não pelo ex-governador. Quando manifestou o desejo de ser candidato o comunicado foi assinado pelo ex-governador de próprio punho. É bom esperar para se concordar com o que a carta anuncia, o fim de um ciclo político e início de um novo ciclo pós-siqueira. Neste ponto não há o que discordar.
Confira a nota: Antes de embarcar para Brasília, nesta tarde, sua excelência o sempre governador Siqueira Campos, criador do Estado do Tocantins e fundador de Palmas, a nossa Capital, incumbiu-me de comunicar aos tocantinenses e à opinião pública que não levará o seu nome à convenção estadual do PSDB, marcada para o dia 30, para candidatar-se ao cargo de senador da República pelas razões expostas a seguir: Entende Siqueira Campos que, com a sua renúncia, deu-se o início a um novo tempo, uma nova era de um processo de renovação das lideranças políticas e partidárias no Estado do Tocantins. Considera Siqueira Campos que este amplo processo de abertura e renovação vem sendo conduzido pelo jovem governador Sandoval Cardoso com competência e dinamismo e que sua decisão abre ainda mais o leque de composições e oportunidades para as demais agremiações partidárias e forças políticas, permitindo que o Estado do Tocantins dê continuidade ao seu processo de crescimento, valorização e melhoria de suas condições sócio-econômicas. O governador Siqueira Campos fez questão de expressar o que classificou de a mais profunda gratidão a nota assinada por todos os prefeitos que integram a Ambip (Associação de Municípios do Bico do Papagaio) e igualmente aos demais prefeitos e líderes de todas as regiões do Estado que emprestaram o seu valoroso apoio e solidariedade que, conforme palavras do próprio governador Siqueira Campos, “guardarei como um reconhecimento à contribuição que busquei dar a este Estado que continua sendo a minha razão maior de viver”. Finalmente, com mais este gesto de grandeza e de desapego ao poder o eterno governador Siqueira Campos, o maior homem público da história deste Estado, coloca-se a todos na condição de um conselheiro e colaborador para todas as causas que possam engrandecer o Estado do Tocantins. Jaime Café Presidente Regional do PSDB
O procurador da República Mário Lúcio Avelar, pré-candidato a governador pelo PPS, caminha para se tornar a grande decepção. Além de não conseguir viabilizar sua candidatura Avelar pouco pôde fazer para evitar que o seu partido aderisse à base governista. Fim melancólico para uma candidatura que prometia ser fenômeno eleitoral.
O professor Élvio Quitino, candidato a governador pelo PSol lamenta que o governo trabalhe para eliminar adversários da disputa, o que é incompreensível, segundo ele, para quem tem uma máquina poderosíssima nas mãos. “O adequado seria que se deixasse o eleitor decidir, mas isso a gente também tem que ver que é fruto de um processo de amadurecimento que os sistemas políticos e do sistema de gestão do Legislativo, Judiciário e Executivo que precisam amadurecer”. É uma pena, mas isso pode estar existindo.
Pessoas próximas ao ex-governador Siqueira Campos (PSDB) garantem que o velho líder tem manifestado com certa frequência arrependimento pela renúncia. Estaria insatisfeito com o andamento do governo e com o nível de organização da campanha. Para quem o conhece bem, na verdade Siqueira estaria com saudades do poder, só isso.
O deputado José Bonifácio revela que o PR está estudando a possibilidade de emitir uma resolução liberando as bases para apoiar o candidato que desejar. O deputado explica que esta medida reflete o equilíbrio entre a maioria que deseja apoiar a oposição e a cúpula, que foi cooptada pelo governo. Ele ainda não decidiu de que lado vai ficar.
O ex-vereador de Palmas Bismarque do Movimento (PT) articula candidatura a Assembleia Legislativa. Ele garante que tem apoio do Movimento de Luta pela Moradia, do Movimento dos Sem Terra, do Movimento dos Atingidos por Barragens, dentre outros. No Parlamento Bismaque promete ser o representante dos movimentos populares que têm forte presença no PT.
O suplente de deputado federal e ex-presidente do PT Donizeti Nogueira observa que o governo tem feito troca de pessoas em comandos importantes para sugerir mudanças, mas continua o mesmo. “É impressionante a capacidade de mutação do governo para não deixar o poder”, comenta o líder petista, que acredita que a opinião pública está atenta a estas manobras eleitoreiras que revelam o desespero do governo, e não a capacidade de mudança.

