Tocantins
O deputado e candidato ao Senado Eduardo Gomes (SD) resolveu mudar o nome político. Em vez do nome Eduardo que adotou inspirado em Eduardo Siqueira Campos, de quem copiou até a tipologia, agora o deputado prefere explorar o sobrenome Gomes. Seria para não confundir com o Eduardo Siqueira candidato a deputado estadual ou para desvincular dos escândalos que ameaçam sua candidatura?
O ex-prefeito de Palmas Raul Filho está à procura de um novo partido. O ex-prefeito, que já anunciou saída do PT com o seu grupo de apoio, busca criar uma nova legenda ou assumir o comando de um partido que possa ser chamado de seu. Se não abandonar logo o PT Raul pode ser expulso novamente. Os petistas já não contam mais com o seu grupo político.
O senador e candidato a governador Ataídes Oliveira (Pros), que foi o primeiro a montar um comitê de campanha, também foi o primeiro a levar a campanha pra rua e se diz satisfeito com a receptividade que tem encontrado nas caminhadas pelas avenidas comerciais de Palmas. O candidato mantém agenda de compromissos da capital e anuncia que vai participar de todos os debates a que for convidado para mostrar que a coligação Reage Tocantins tem propostas para mudar a realidade do Estado.
Integram o conselho político da campanha do governador Sandoval Cardoso o ex-deputado Darci Coelho, o senador Vicentinho Alves (SD), o ex-prefeito de Palmas Raul Filho e o ex-secretário de governo de Palmas Adir Gentil (PP). Ainda na condição de coordenadores estão o ex-secretário da Agricultura Júnior Mazola (DEM) e o ex-prefeito de Tocantínia Manoel Silvino (PR). Já o conselho político da campanha do ex-governador Marcelo Miranda contará com a participação do ex-vice-governador Paulo Sidnei (PPS), do prefeito de Paraíso do Tocantins, Moisés Avelino (PMDB), do ex-vice-prefeito de Palmas Derval de Paiva, do deputado Osvaldo Reis (PMDB), dentre outros que ainda serão anunciados.
Depois de seis mandatos consecutivos de deputado federal Osvaldo Reis (PMDB) desiste da reeleição, mas não vai abandonar a política, pelo menos por enquanto. Reis anuncia que deve coordenar a campanha do candidato a deputado federal Carlos Henrique Gaguim, na região do Bico do Papagaio. O deputado faz apenas uma exigência: que Gaguim mantenha entendimento com Marcelo Miranda. Gaguim já anunciou apoio a Marcelo.
Fortes pré-candidatos que ficaram pelo caminho, o que significa fim da linha. Siqueira Campos (PSDB), Nilmar Ruiz (PEN), Edmundo Galdino (PSDB), Paulo Sidnei (PPS), Osvaldo Reis (PMDB), dentre outros que desistiram de ser candidatos e podem pendurar as chuteiras. Sidnei foi convidado para integrar a equipe de coordenadores da campanha de Marcelo Miranda.
Por onde anda o empresário e suplente de senador Marco Antônio Costa (PSL), que chegou a lançar pré-candidatura ao governo do Estado e depois desapareceu no cenário político? Seu partido integra a base do governo Sandoval Cardoso (SD).
O ex-deputado Totó Cavalcante era o maior entusiasta da candidatura de Paulo Mourão ao governo do Estado. Para ele o petista é o quadro mais preparado do Tocantins para realizar o choque de gestão que o Estado precisa para sair da crise de imobilidade que está sofrendo. Totó mantém o apoio ao candidato a deputado que ele gostaria de ver no comando do Palácio Araguaia.
Partido com maior bancada na Assembleia Legislativa, o Solidariedade é o mais ameaçado de encolher nestas eleições. O partido do governador Sandoval Cardoso, que chegou a contar com sete deputados em plenário, não conseguirá eleger mais do que cinco parlamentares, segundo analistas políticos. Portanto dois não conseguirão retornar ao parlamento. Sem falar nos novos que podem ser eleitos. Não há outro jeito, o Solidariedade vai ter que fazer a “gata parir”.
Analistas políticos preveem um alto índice de renovação na Assembleia Legislativa, ainda que o governador Sandoval tenha o compromisso de reeleger os 16 deputados que o fizeram governador. Os parlamentares de oposição que mudaram de lado e de partido — “vira-casacas”, como diz o povão —, são os mais ameaçados de não retornar ao Parlamento. Solange Duailibe (SD), Vilmar do Detran (SD), Iderval Silva (SD), Eli Borges (Pros), dentre outros, integram a lista dos sujeitos a veto do eleitor.
O candidato da coligação A experiência faz a mudança, Marcelo Miranda (PMDB), declara que o seu vice Marcelo Lelis, do Partido Verde, também vai governar. Miranda diz que se for eleito terá de passar muito tempo em viagens para o exterior em busca de investidores, e nestas ocasiões vai entregar todo o comando ao vice Marcelo Lelis.
Se depender apenas dos votos de Araguatins o ex-prefeito Rocha Miranda (PMDB) pode encomendar o terno para a posse na Assembleia Legislativa. O candidato escolheu um mote de campanha que ajuda a potencializar apoio de eleitores do seu município. Lançou-se como o deputado de Araguatins. Lá dizem o seguinte: se Augustinópolis elegeu três deputados porque Araguatins não pode eleger um? Pelo jeito a cidade vai mandar Rocha Miranda dar expediente na Praça dos Girassóis.
O candidato a deputado Eduardo Siqueira Campos (PTB) mandou demitir o radialista PC Lustosa por participar de reunião política da oposição e criou um enorme constrangimento para o governo. Além da pecha de perseguidor Eduardo também confirma a suspeita de que continua mandando no governo do qual diz não fazer parte. O candidato negou que tenha alguma ligação com a exoneração do servidor, que apresentava um programa sertanejo na rádio estatal 96,9 FM, mas não conseguiu convencer ninguém. Em matéria de perseguição Eduardo é implacável. Só ele é capaz de perseguir de forma tão violenta pessoas da seu ciclo de amizade, como era o radialista.
Candidatura do deputado Eduardo Gomes (SD) ao Senado sofre novo desgaste com mudança de suplentes. Desta vez o candidato perdeu os dois suplentes de uma vez só: o empresário José João Stival (PR), que ocupava a primeira suplência e havia sido indicado pelo ex-governador Siqueira Campos, e o vice-governador Tom Lyra (PR), que tinha a segunda suplência, indicado pelo seu partido. A renúncia de ambos teve relação direta com a indicação da vereadora de Gurupi Marilis Fernandes (PDT) para a primeira suplência, numa articulação do deputado Eduardo Gomes, certamente pressionado pelo candidato a vice-governador, deputado Ângelo Agnolin (PDT), que busca abrir mais espaço para o seu partido na majoritária. A indicação da vereadora incomodou o segundo suplente Tom Lyra, que decidiu renunciar à candidatura. Lyra já tinha sido vítima desse processo de mudança imposta pela cúpula por pressão política. Ele havia perdido a primeira suplência para o empresário João Stival, indicado de Siqueira Campos. Ao falar sobre as mudanças Eduardo Gomes tentou minimizar a renúncia dos dois suplentes dizendo que não teve nenhuma participação nas mudanças. Ele assegura que a alteração não prejudica em nada a sua candidatura nem desgasta a chapa majoritária. Na verdade foi uma renúncia mal explicada que pode ter a ver com o fraco desempenho do candidato nas pesquisas de intenção de voto. Nos últimos levantamentos ele aparece atrás do deputado Sargento Aragão (Pros). Ainda há o problema do envolvimento do candidato com o escândalo do Igeprev, cujo processo corre em segredo de justiça. É o começo de uma crise que certamente terá novos desdobramentos.
Senadora diz que o Tocantins vive um apagão administrativo e que só um choque de gestão pode tirar o Estado do caos em que se encontra. Para ela,
a crise da saúde é exemplo clássico de incompetência administrativa
Ruy Bucar
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Foto: Valter Campanato/ABr[/caption]
A senadora e candidata à reeleição Kátia Abreu (PMDB) recorre mais uma vez ao Ministério da Saúde para tentar contornar mais um foco de crise no sistema de saúde do Tocantins. A senadora reclama da falta de agilidade do governo estadual na aplicação de recursos que conseguiu junto ao governo federal para construção, ampliação e melhoria da rede hospitalar do Estado, e afirma de forma categórica que a crise na saúde do Tocantins é exemplo clássico de incompetência administrativa. Segundo ela, não faltam recursos, o que sintetiza bem a situação do governo.
A senadora diz que se sente traída com o fracasso do governo Siqueira Campos, ao qual ajudou a eleger. Primeiro, pelo pífio desempenho que, segundo ela, só tem uma explicação: a terceirização do comando de decisão para o filho (Eduardo Siqueira Campos), que em vez de administrar preferiu usar a estrutura para fazer campanha. Segundo, pelo golpe da eleição indireta que levou o governador Sandoval Cardoso a uma nova campanha. “Nós estamos praticamente há quatro anos de apagão administrativo, vivendo quatro anos de campanha eleitoral. Não há nenhum Estado que segure”, comenta a senadora, indignada com as denúncias de má gestão que pipocam para todos os lados.
Eleita pela sétima vez uma das 100 cabeças mais influentes do Congresso Nacional (única líder do Tocantins nesta lista), Kátia Abreu explica que o segredo de uma boa atuação parlamentar está na obstinação. “Obstinação é a palavra certa. Eu acredito na obstinação em todas as áreas, para quem quer vencer como jornalista, como produtor rural, como um político, etc., a obstinação é tudo”, defende.
Sobre as eleições Kátia Abreu comenta que é hora de renovar as esperanças com a grande possibilidade de mudança, que segundo ela tem todas as condições de acontecer porque é da vontade do povo. “Nós estamos diante de uma possibilidade de mudar tudo isso, de sair de uma constante campanha eleitoral e entrar para efetivar um governo de verdade. Espero que a partir dessas eleições nós possamos ter um governador de verdade”, ressalta.
O que lhe motivou a solicitar intervenção mais uma vez do Ministério da Saúde para tentar contornar crise no sistema de saúde do Tocantins?
Há algum tempo nós fizemos isso com relação ao Hospital e Maternidade Dona Regina, quando os próprios médicos fecharam a UTI neonatal em protesto por não compactuarem com a irresponsabilidade que estava acontecendo naquela unidade. Partindo do princípio de que o Congresso Nacional defende o Estado brasileiro, defende as pessoas e, portanto, também o orçamento público, e os recursos da saúde vêm do Orçamento Geral da União, via SUS, me achei na obrigação de alertar o Ministério da Saúde sobre o que estava acontecendo aqui, partindo de uma ação dos médicos. Isso surtiu efeito de certa forma positivo. Não solucionou definitivamente os problemas, mas foi uma alerta para o governo de que os poderes estão atentos às ações, e agora não é diferente. No Hospital Geral de Palmas os escândalos se repetem todos os dias, inclusive, mostrados no “Jornal Nacional”, não só na imprensa local. Eu achei por bem mais uma vez fazer o meu papel de senadora da República e alertar o ministério para que viesse ver com seus próprios olhos as atrocidades e os desmandos, os descalabros que estão acontecendo no Hospital Geral de Palmas. A população inteira conhece, mas é bom repetir. Um problema foi a UTI no ar que abandonou os serviços por falta de pagamento, e é bom lembrar que esses pagamentos são carimbados pelo SUS, o governo recebeu esses valores que poderiam ter pago a UTI, desviou para outros pagamentos, e isso, com certeza, causou a morte de duas crianças por abandono e por falta de assistência. Depois o lixo do mesmo hospital, em que a empresa, por falta de pagamento, abandonou a coleta. E a ausência de remédios, a falta de plantões, a falta de pagamento dos plantões dos médicos. Então nós chegamos ao fundo do poço. Se fosse falta de recursos nós precisávamos arregaçar as mangas, a oposição, o governo, todos os políticos do Estado, para ir atrás desses recursos, mas ficou provado que o Tocantins recebe recursos, um dos maiores volumes por leito do Brasil. Então fica constatado que o problema é a gestão, a capacidade administrativa, a falta de compromisso.
O que está acontecendo com o sistema de saúde do Tocantins?
Não gostaria de simplificar numa resposta, mas alguns palpites a gente precisa ter e refletir sobre eles. Se você pegar desde o afastamento do Marcelo Miranda do governo, quando tomou posse o deputado (Carlos Henrique) Gaguim para governar um ano e meio, ele já entrou em campanha, não entrou para governar, ele entrou para se reeleger. Posteriormente o Siqueira ganha a eleição e tinha prometido que faria uma administração com a mão muito firme, já que era o seu último mandato ele cortaria na carne no sentido de fazer até algumas ações impopulares, mas em prol do equilíbrio fiscal do Estado. Contrariando o seu compromisso, que ele fez pessoalmente comigo, Siqueira já entregou também o governo a uma campanha do filho Eduardo Siqueira Campos, para que este se viabilizasse governador do Estado. E isso não deu certo, renunciou Siqueira, renunciou o vice numa quase que tragédia no final da carreira de Siqueira Campos, que tanto louvor tem na construção do Estado, teve um fim triste, obrigado emocionalmente pelo filho a fazer essa renúncia, enganado pelo filho, pensando que o filho seria o candidato a governador. Aí Sandoval Cardoso assume o governo e já começa outra campanha. Então nós estamos há quatro anos num apagão administrativo, e estamos vivendo praticamente quatro anos de campanha eleitoral. Não há nenhum Estado que segure, isso é o mesmo que trocar o pneu do carro com o carro andando. Desde Gaguim para cá não há gestão, há apenas campanha eleitoral.
A revista inglesa “The Economist” aponta que o Tocantins figura nos últimos lugares em atrativo para investimentos. Há um declínio dos indicadores econômicos do Estado. É o reflexo de uma gestão que em vez de impulsionar está emperrando o desenvolvimento?
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Em oito anos, o ex- governador Marcelo Miranda construiu 40 mil casas, e ele não tinha a força do Minha Casa Minha Vida. Agora, este governo perdeu a oportunidade de encher o estado de casas novas”[/caption]
O Tocantins está sendo apresentado em nível nacional como um Estado inóspito e isso não é a realidade. A natureza nos ajudou muito, nos deu dois dos cinco maiores rios, nos deu terras férteis, áreas agricultáveis e irrigáveis, que é coisa rara no Brasil, temos o maior espaço irrigável do país; nos deu produtores valentes que aplicam tecnologia, que estão desenvolvendo. E quero aqui registrar que se não fosse a natureza, não fosse a vontade e valentia dos produtores rurais, não fosse os investimentos do governo federal, nós estaríamos praticamente vivendo em estado de calamidade pública. Estamos contando com edital que já está na praça, para duplicação da BR-153 pela presidente Dilma; vemos concluir a Ferrovia Norte-Sul pela presidente Dilma; foi lançada a primeira pedra, o primeiro passo para executar a hidrovia Tocantins pela presidente Dilma. No que dependeu do governo do Estado com relação ao Minha Casa Minha Vida, o grande carro-chefe da presidente Dilma, com mais de 3 milhões de casas, o que o Tocantins fez? Com exceção de Araguaína, Gurupi e Palmas, cidades com mais de 50 mil habitantes, onde os prefeitos tem condição de pessoalmente buscar as suas casas, porque é onde o programa existe, as casas aconteceram. Mas lembro que Marcelo Miranda fez em oito anos 40 mil casas, e ele não tinha a força do Minha Casa Minha Vida. Agora, quantas casas o governo fez nestes quatro anos, mesmo com o Minha Casa Minha Vida? Perdemos uma grande oportunidade de povoar de casas novas o nosso Tocantins a exemplo do Mato Grosso, onde estive com a presidente no lançamento do Plano Safra deste ano. Vi e ouvi o governador de lá agradecer à presidente Dilma as 65 mil casas construídas no Mato Grosso. Comparando com o Tocantins, aquilo fez o meu coração doer, mas não basta ter a senadora atrás dos recursos, não basta um programa da presidente Dilma se o governo do Estado não reage, porque o governo do Estado precisa reagir, fazer os projetos, buscar e executar as licitações e os programas colocados pelo governo federal.
Com relação ao hospital de Gurupi, é outro exemplo clássico da falta de competência administrativa. No primeiro ano do governo Siqueira eu consegui com a presidente Dilma os recursos do Hospital Geral de Gurupi, R$ 41 milhões, em dois anos e meio de governo nós deveríamos estar quase inaugurando aquela unidade, o dinheiro está lá, mas não fizeram a licitação, não cuidaram do projeto, não começaram. Isso quer dizer que o sentimento de urgência está direcionado para a campanha eleitoral e não para a solução dos problemas. Lança-se pedra fundamental, tratando a população como se fosse um circo, tratando a todos nós como se fôssemos palhaços, rindo da nossa desgraça, rindo da dificuldade do povo do Tocantins e lançando pedra fundamental em todo o Estado sem executar nada. Os R$ 500 milhões que a presidente Dilma avalizou pelo Tesouro, a meu pedido, porque o Estado não tinha mais condição de tirar esse dinheiro do BNDES, e consegui tirar isso. A secretária Vanda Paiva, da Saúde, foi testemunha comigo quando eu consegui esse aval para construir o Hospital de Araguatins, construir o de Araguaína, reformar o HGP de Palmas, a maternidade Dona Regina e a maternidade de Porto Nacional, o dinheiro não saiu do lugar, esses recursos estão aprovados há quase dois anos. Então, sinceramente, o nosso Estado não merece o que está passando. Felizmente são quatro anos, eu sei que é muito para a população, mas nós estamos diante de uma possibilidade de mudar tudo isso, de sair de uma constante candidatura e campanha eleitoral e entrar para efetivar um governo de verdade. Agora estamos vivendo um governo de mentira, uma farsa, nós estamos assistindo a um golpe que foi aplicado no povo do Tocantins. Eu espero que a partir dessas eleições nós possamos ter um governador de verdade.
A sra. se sente traída por ter ajudado a construir um governo que está terminando tão mal, sendo acusado de atrasar o desenvolvimento do Estado?
Me sinto traída, muito contrariada, triste, decepcionada, porque eu jamais apoiaria se não acreditasse que aquilo tudo fosse verdade. Eu ajudei a fazer o plano de governo, acreditei em todas as propostas, acreditei que seria o melhor governo. Nós todos fomos para a campanha, metade do Tocantins acreditou nisso, não foi só eu, e assim como eu cidadã comum como todos, estamos todos decepcionados. Ninguém consegue explicar o que aconteceu com o governo Siqueira Campos, mas nós que estamos mais próximos sabemos que a tragédia foi exatamente essa. Ele terceirizou o governo para o filho e o filho abriu campanha desde o primeiro dia do governo. Não dá para enxugar a máquina, não dá pra economizar, não dá para ser um pai severo que faz as coisas com responsabilidade com campanha na cabeça.
De fato foi uma grande decepção, por isso me afastei do governo no meio do ano passado, depois de avisar várias vezes de que não tinha mais condições de ficar lá, embora só tivesse uma vaga para candidatura ao Senado, e é sempre mais tranquilo estar na sombra do governo, com todas as benesses, mas eu prefiro estar na sombra da minha consciência. Eu não podia compactuar com aquilo. Estando no lado do governo eu preferi ir para a oposição e não compactuar com o que estou assistindo no Estado. Não faz parte da minha personalidade, do meu caráter.
Mais uma vez a sra. figura entre os parlamentares mais influentes do Congresso, o que ocorre há vários anos. Como avalia isso?
Não estou fazendo mais do que a minha obrigação. Quando eu me elegi senadora, em todos os palanques eu disse que ia me esforçar demais para ser uma das melhoras senadoras que o Tocantins teve. Busquei isso, lutei como louca para o povo do meu Estado se orgulhar de mim, para eu ser uma voz do Tocantins no Brasil, para que o Brasil e os países por onde ando no mundo afora pudessem conhecer o meu Estado. Hoje é raro um país onde eu já tenha ido que não conheça o Tocantins com muita clareza. E em todos os lugares do Brasil, os empresários, o Brasil inteiro sabe o que é o meu Estado. Essa representatividade eu busquei para retribuir a honraria de ser senadora da República. E gosto de dizer que são 200 milhões de habitantes, 81 senadores apenas e eu ser uma desses 81, isso não é mole, é muito difícil de acontecer. Você tem que honrar o cargo que recebeu e se eu me reeleger, se o povo entender que eu mereço ser reeleita, com a ajuda de Deus eu vou fazer muito mais do que eu fiz até agora. Se eu promovi meu Estado, se trouxe recursos, se dei orgulho ao Tocantins, é preciso que os tocantinenses saibam que se eu for eleita novamente, eu farei em dobro o que consegui até agora.
Qual o segredo para esse desempenho?
Obstinação. Obstinação é a palavra certa. Eu acredito na obstinação em todas as áreas, nas pessoas que querem vencer como jornalista, como produtor rural, como um político, enfim, a obstinação é tudo. Infelizmente, muitas pessoas enfrentam uma empreitada e só tem o começo ou começo e meio. Precisamos nos doutrinar para tudo na vida ter começo, meio e fim. Às vezes as bandeiras são longas, demoradas, mas você tem que persistir. Cito como exemplo a hidrovia Araguaia-Tocantins, há quantos anos estou batendo e lutando por essa hidrovia. Se eu fosse desistir na primeira hora não tinha saído.
Há obras mais rápidas, obras municipais que você traz para os prefeitos, os hospitais, as creches, os postos de saúde, o ginásio de esportes, mas o importante é você ter ética, princípios, escolher as bandeiras que de fato chegam e alcançam o coração do povo. O político eleito está lá para isso, tem quase a obrigação de adivinhar o que o povo quer para poder desempenhar o seu papel. Não adianta chegar lá e fazer o que se quer, essa identificação e essa busca do ouvido afinado com o povo é o que eu procuro fazer e defender com rigor. Não tenho medo de nada, eu tenho medo apenas de Deus, eu sou fervorosamente temente a Deus e tenho medo demais de quebrar os meus princípios e a minha consciência, fora isso não tem malandragem, não tem corrupção, não tem nada preso na minha vida. E defendo com muita convicção aquilo em que acredito.


