Bastidores
O governador de Goiás, Marconi Perillo, fez questão de ligar para cumprimentar Bruno Araújo, do PSDB de Pernambuco. O deputado federal deu o voto decisivo do impeachment. Os tucanos são amigos.
Joãozinho Balestra deve ser candidato a deputado federal em 2018. Depois de oito mandatos, Roberto Balestra tende a se aposentar.
Esperto, parece que esperando alguma reação, o deputado Jair Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro, escondeu-se atrás de alguns deputados e recebeu apenas 30% da cusparada de Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro. Um deputado do Sul do país e um parlamentar goiano, evangélico, dividiram o restante da cusparada. Irritado, o parlamentar do Cerrado chegou a passar álcool nos locais atingidos pela “incontinência” de Jean Wyllys.
Um deputado federal goiano garante que Jair Bolsonaro e Jean Wyllys se odeiam e, ao mesmo tempo, se amam. “Eles nunca saem de perto um do outro. Fica-se com a impressão de que se trata de um casal brigão, mas ligado por uma teia invisível de dependência psicológica”, afirma o parlamentar do Cerrado.
Parte da oposição, com o senador Ronaldo Caiado na linha de frente, tentou identificar o governador de Goiás, Marconi Perillo, com ações anti-impeachment. Não deu certo. A bancada marconista votou em pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff. Dos 17 deputados federais de Goiás, apenas um, Rubens Otoni, votou contra o impeachment.
Não se sabe se por brincadeira, mas Alexandre Baldy teria dito para um colega deputado que seu nome, a partir de agora, é Alexandre “Caiado” Baldy. O presidente do PTN em Goiás chegou a postar um vídeo no Facebook em que conversa animadamente com o senador Ronaldo Caiado, do DEM, sobre o impeachment. Um irmão de Alexandre Baldy, Joel Santana Braga, é filiado ao DEM e ligado a Ronaldo Caiado. Em Anápolis, trabalha pela candidatura de Pedro Canedo, do DEM.
O prefeito afirma que, mesmo na crise, a empresa continua contribuindo para o desenvolvimento de Catalão
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Flávia Morais: sim ao impeachment | Foto: Ananda Borges/Câmara dos Deputados[/caption]
Três deputados federais goianos garantem que a deputada federal Flávia Morais, do PDT, optou pelo impeachment.
Os deputados afirmam que, entre as ordens do PDT e os eleitores, optou pelos segundos.
O jornalista Iúri Rincón Godinho gravou um vídeo dos bolivianos que foram brecados pela Polícia Rodoviária Federal quando se dirigiam a Brasília. A história de um congresso imobiliário, tudo indica, é mero pretexto.
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O impeachment é uma guerra, na Câmara dos Deputados e nas ruas. Mas também é uma festa. Na rua, há protestos e alguma diversão. Conta-se, inclusive, quem vota contra e a favor do impeachment
O repórter Iúri Rincón Godinho mostra o que está acontecendo no domingo, 17, em Brasília. Por enquanto, o clima está tranquilo
A capital está em paz. A Brasília real não está nos jornais e nem passa na tv. Parece que não está nem aí com a Dilma
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Thiago Peixoto e Michel Temer: o deputado percebe o vice-presidente como um político capaz de retirar o país da crise política e econômica | Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção / Marcelo Camargo / ABr[/caption]
O deputado federal Thiago Peixoto, do PSD, afirma que a sociedade brasileira vive um momento complexo: o declínio de uma corrente política, o Partido dos Trabalhadores, e o nascimento de uma nova força política — que ainda não se sabe o que é exatamente. Mas, de algum modo, embora não seja uma volta ao passado, relembra a coalizão política que arrancou o Brasil da crise em 1992, com o impeachment do presidente Fernando Collor. Naquele período, o PMDB e o PSDB se uniram e deram uma nova configuração política e econômica ao país. “Portanto, não se trata, agora como antes, apenas de um projeto de poder, e sim de um projeto de nação”, afirma.
Na semana passada, Thiago Peixoto conversou duas vezes com o vice-presidente da República, Michel Temer, que assume a Presidência se o impeachment for aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado. “Temer está sereno e faz aquilo que a presidente Dilma Rousseff não faz: ouve seus interlocutores com o máximo de atenção e recebe todo o mundo político que circula em Brasília. Ele está sereno e se comporta como um diplomata. Sobretudo, tem ideias de como terá de administrar para recuperar a economia e restaurar a credibilidade do governo.”
Temer disse a Thiago Peixoto que, antes de pensar em reforma tributária e outras, planeja, evidentemente se se tornar presidente, fazer a reforma que governadores e prefeitos estão pedindo há anos: a reconfiguração do pacto federativo. Hoje, admite, a União fica com a parte do leão e entrega as migalhas para Estados e municípios. “Trata-se de um homem lúcido, que sabe o que deve fazer.”
O que impressiona, sublinha Thiago Peixoto, é que “todo mundo” está procurando Temer, que os deputados, senadores e governadores preferem chamar de Michel. “As pessoas dizem que se trata de um político qualificado e que tem visão de Estado.” Numa conversa, o senador Cristovam Buarque disse ao parlamentar goiano que vai votar pela admissibilidade do impeachment, mas que não sabe se votará pelo impedimento. Ele frisa que há indícios de que o Senado vai admitir o impeachment.
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Eduardo Machado e Virmondes Cruvinel: os integrantes do PHS e do PPS são mencionados para vice[/caption]
O deputado estadual Virmondes Cruvinel disse ao Jornal Opção que se colocou à disposição do PPS tanto para disputar a Prefeitura de Goiânia quanto a vice. “Mas é preciso frisar que não estou me oferecendo para ser vice — tanto que estou articulando em pelo menos dez cidades do interior, bancando candidatos a prefeito, com o objetivo de disputar a reeleição em 2018. Ser vice não depende de mim, e sim da coligação e do candidato majoritário.”
Virmondes Cruvinel está acompanhando Vanderlan Cardoso na pré-campanha em bairros e encontros com segmentos organizados. “Percebo que Vanderlan tem ideias objetivas sobre como administrar a capital. É, de fato, um gestor.” O parlamentar é visto como “agregador” e atrai um “voto novo” para Vanderlan Cardoso — o de parte das juventude e de setores da sociedade, como empresários, sobretudo os mais jovens. Além disso, se for vice, sedimenta a aliança entre o PSB e o PPS.
O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, também é cotado para ser vice de Vanderlan Cardoso. “Não fui convidado, mas a aliança com o PSB e o PPS agrada ao PHS”, afirma.
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Vanderlan Cardoso, Lúcia Vânia, Marcos Abrão, Eduardo Machado, Alexandre Baldy, Simeyzon Silveira, Virmondes Cruvinel e Deivison Costa[/caption]
Com a perspectiva de que, para o segundo turno, não irão dois candidatos populistas — há um aposta geral que, se postular o mandato, Iris Rezende (PMDB) irá para o segundo turno —, e sim um gestor, com formação técnica, contra um populista, Vanderlan Cardoso (PSB), Giuseppe Vecci (PSDB), Francisco Júnior (PSD) e Luiz Bittencourt (PTB) estão reforçando seus times e se preparam para colocar todos os titulares em campo. Os quatro têm perfis de gestores, são capazes e técnicos com ampla visão política — não são monotemáticos nem exploram a violência, a miséria das pessoas, para ganhar eleições. São humanistas e conseguem atrair a classe média.
No momento, quem está saindo na frente, em termos de agregar aliados e partidos, é Vanderlan Cardoso. Articulando com habilidade e discrição, tendo como parceiros básicos a senadora Lúcia Vânia (PSB), o deputado federal Marcos Abrão (PPS) e o deputado estadual Virmondes Cruvinel (PPS), o pré-candidato do PSB está trabalhando para montar uma ampla frente político-eleitoral. Líderes de seis partidos — PSB, PPS, PTN, PT do B, PSC e PHS — estão dialogando sobre uma composição para 2016, com reflexos em 2018.
O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, cotado para ser vice de Vanderlan Cardoso, mantém conversas avançadas com o pré-candidato e seu entorno. O deputado federal Alexandre Baldy, presidente do PTN em Goiás, planeja apoiar o pré-candidato do PSB. Deivison Costa, do PT do B, está conversando com a cúpula socialista. O PSC do deputado Simeyzon Silveira já está fechado com a coligação PSB-PPS.
Por que novos grupos políticos estão se agrupando em torno de Vanderlan Cardoso? Porque, dizem, estão apostando que irá para o segundo turno contra Iris Rezende. Seus líderes afiançam que o pré-candidato do PSB é mencionado pelo povão e pelas classes médias como um gestor eficiente, tanto por sua experiência como prefeito de Senador Canedo quanto como administrador de várias empresas em Goiás, Pará e Bahia. “Não é falsa a ideia de que quem conhece aprecia Vanderlan Cardoso”, afirma Marcos Abrão. “Ele é consistente”, afirma Virmondes Cruvinel.
O PHS de Eduardo Machado e o PTN de Alexandre Baldy pretendem irmanar-se tanto na eleição de 2016 quanto na de 2018. Os dois políticos avaliam que a aliança formatada pelo PSB e pelo PPS tem em vista a eleição para prefeito, este ano, mas também têm um projeto de poder para 2018. A estrutura que Lúcia Vânia e Marcos Abrão estão montando no interior e na capital articula um pensamento político mais amplo. Trata-se de um projeto de poder. Lúcia Vânia tanto pode ser candidata a senadora quanto a governadora em 2018. Ao mesmo tempo, se disputar o Senado, pode abrir espaço para um político jovem, como Alexandre Baldy, disputar o governo do Estado.

