Brasília é só calma na véspera do impeachment

A capital está em paz. A Brasília real não está nos jornais e nem passa na tv. Parece que não está nem aí com a Dilma

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Iúri Rincon Godinho

Brasília está em paz. Brasília está em silêncio. Enquanto o Congresso Nacional não dorme e está prestes a dar um passo para tirar do cargo a presidente do país, Brasília nem parece ligar. Os shoppings estão cheios, o povo bebe nos bares, faz compras nos supermercados, coloca gasolina no carro. Tudo de forma modorrenta, como convém a um dia de sábado. E ninguém usa camisa amarela e nem vermelha.

No local onde sempre fico, encostado na Universidade de Brasília — uma área totalmente identificada com a esquerda — também é apenas um final de semana quente. Não há piquete, os estudantes evaporaram ou derreteram na névoa abafada de uma linda tarde ensolarada. L2 Norte, W3 Sul, Setor de Embaixadas, Setor de Mansões, tudo tranquilo. Calçadão do Lago Norte lotado de pessoas não para se colocarem contra ou a favor de nada, a não ser da água azul de doer.

Não há veículos com bandeiras e nem buzina — não se buzina na capital do impeachment. Há mães empurrando carrinhos. Um carro que passa com um feixe de varinhas de pescar, um motoqueiro com seu violão nas costas, um vendedor de água e latinhas de cerveja.

Brasília está em paz. A Brasília real não acontece nos jornais e nem passa na tv. Parece que não está nem aí com a Dilma. Onde está aquela meia dúzia de baderneiros gritando palavras de ordem? Em algum lugar que não aqui. O Brasil que ferve no noticiário deve morar em outra cidade.

Um carro com varas de pescar, um homem com violão. Essa é a verdadeira Brasília

(Foto de Iúri Rincón Godinho)

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