Bastidores
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Antonio Lorenzo: campanha tirou Waldir Soares do páreo e criou confronto entre Iris Rezende e Vanderlan Cardoso[/caption]
O diretor Serpes, Antonio Lorenzo, disse ao Jornal Opção na sexta-feira, 30, que algumas coisas o surpreenderam nas eleições deste ano.
“O que mais me surpreendeu foi a facilidade com que alguns políticos usaram e abusaram de pesquisas de intenção de voto, com números, por vezes, disparatados, e com margem de erro irrealista e nada rigorosa.” O pesquisador sugere que os jornais tenham mais cuidado ao publicar pesquisas, como material jornalístico ou publicitário.
Um dos fatos que surpreenderam Lorenzo, durante a campanha, foi a ascensão e queda rápida do delegado Waldir Soares. O candidato do PR a prefeito de Goiânia não resistiu à campanha e os eleitores o substituíram por Vanderlan Cardoso, possivelmente com o objetivo de encontrar um adversário à altura de Iris Rezende.
A campanha foi curta? “Sim, mas com muita movimentação.” O sr. aposta no 2º turno entre Iris e Vanderlan? “Diria que o quadro está dividido. Há 50% de chance de a eleição ser decidida e 50% de não ser definida no 1º turno. Em 2 dias, sábado e domingo, haverá muita mudança de voto.”
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Gustavo Mendanha e Vinicius Luz[/caption]
Quaisquer que sejam os resultados das eleições para prefeito em 2 de outubro, dois políticos saem consagrados como as principais revelações do pleito de 2016: Gustavo Mendanha, de Aparecida de Goiânia, e Vinicius Luz, de Jataí. Ambos são vereadores. O primeiro do PMDB e o segundo do PSDB.
Mendanha, há um mês, não era muito conhecido e, nas pesquisas de intenção de voto, aparecia com 3%. O prefeito Maguito Vilela pedia calma: “Vamos crescer no momento certo, de maneira sólida e incontornável”. Logo depois, o jovem disparou — superando os experimentados Marlúcio Pereira, do PSB, e Alcides Ribeiro, do PSDB. O primeiro é deputado estadual e o segundo é empresário e foi candidato a vice-governador.
Vinicius fez a campanha do tostão contra os milhões do empresário Victor Piori (DEM). Começou atrás, mas foi crescendo e, na última pesquisa Serpes, estava em 1º lugar. O jovem passou os últimos 4 anos estudando os problemas do município e, sobretudo, articulando soluções para resolvê-los. O resultado é que chegou à campanha mais preparado do que Priori.
Qualquer que seja o resultado das urnas, Vinicius tornou-se uma estrela de primeira grandeza da política de Jataí e do Sudoeste Goiano.
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Mário Rodrigues Filho | Foto: Fernando Leite[/caption]
O diretor do Grupom, Mário Rodrigues, disse ao Jornal Opção que os eleitores foram dando contornos às candidaturas, mudando o ideário dos candidatos. “De início, pensava-se que o tema da segurança nortearia as pesquisas, embora as pesquisas sugerissem a saúde como tema mais crucial. Na campanha, os eleitores perceberam que o problema da segurança não se revolve com um delegado, um major ou um coronel na Prefeitura de Goiânia. Eles entenderam que o problema é de gestão, quer dizer, precisa-se de um político que saiba administrar a cidade. Compreendeu que a problema da segurança não pode ser resolvido por um prefeito e percebeu que o tema foi usado mais como manipulação eleitoral.”
Os eleitores também deixaram patente que não dão importância aos candidatos que fazem propostas demais. “Eles têm consciência de que a maioria das propostas não pode ser cumprida, até por falta de orçamento. Na área de saúde, os eleitores descreem, quase que inteiramente, das propostas dos postulantes. Porque lembram-se das campanhas anteriores e verificam que nada ou muito pouco foi cumprido.”
Campanhas monotemáticas, versando quase que exclusivamente sobre segurança pública, perderam o apoio de milhares de eleitores.
“Eleitores são realistas e pragmáticos”, sublinha Mário Rodrigues. “Patrões ou empregados, os eleitores se interessam pela discussão das creches-cmeis. Por vezes, se tornou o segundo tema mais importante da campanha, perdendo apenas para saúde. Os eleitores observam e, se verificam que o projeto é realista, passam a prestar mais atenção no candidato. Porém, se desconfiam das intenções do candidato, começam a abandoná-lo.”
Pode-se falar que Vanderlan Cardoso tem um teto, por volta de 27%, e, portanto, que parou mesmo de crescer? “Não dá para explicar direito a questão, ao menos não com inteira precisão, porque demandaria novas pesquisas, exames qualitativos, mas não há mais tempo. O que se pode dizer, de verdade, é que tanto Vanderlan Cardoso quanto Iris Rezende estão firmes e bem posicionados. O quadro, mesmo em cima da hora, permanece indefinido. É possível que a votação de Vanderlan seja um pouco maior do que a registrada em certo período. Quando o quadro afunila, com os indefinidos assumindo posições, alteram-se os números.” Mário Rodrigues diz que é óbvio dizer o que dirá mas é necessário dizê-lo: “Iris Rezende e Vanderlan Cardoso podem crescer ou não, depende dos humores, na reta final, dos eleitores”.
Como o eleitor percebe Vanderlan Cardoso? “Como um gestor altamente empreendedor. Noutras palavras, é apontado como aquele político que, por ter experiência, dará conta do recado, quer dizer, de administrar a cidade, e de não piorá-la. Iris Rezende é visto pelo eleitor sobretudo como um político experiente. Por outro lado, é visto como não-adepto da modernidade.”
Fala-se, por vezes, que as pesquisas “erram”. Mário Rodrigues frisa que as pesquisas registram quadros fixos, mas que as campanhas “movem” as opiniões dos eleitores, ou seja, podem mudá-las. Assim, uma pesquisa diz uma coisa hoje e outra amanhã. “É a dinâmica da vida. Pesquisa que tem de acertar mesmo é a de boca de urna.”
A campanha de 2016 pode ser considerada curta? “Os deputados federais terão de rever a questão. A campanha poderia muito bem começar em janeiro, pois daria mais tempo para o eleitor examinar as propostas e conhecer aqueles que pretendem executá-las. A campanha, por ter sido curta, não ajudou ninguém; pelo contrário, estressou todo mundo, não reduziu os gastos e aumentou a agressividade dos postulantes. Em cidades pequenas, principalmente, foi quase impossível fazer pesquisas. Os pesquisadores eram ameaçados.”
O que tem a dizer sobre o quadro eleitoral de Anápolis. “O quadro de lá possivelmente terá João Gomes, do PT, e, quem sabe, Roberto do Orion, que pode ser a surpresa. Mas, no momento, o favorito é o prefeito João Gomes.”
Pesquisador atualizado, Mário Rodrigues diz que as pesquisas precisam mudar. “É possível sustentar que as atuais estejam paradas, em termos metodológicos e de uso de tecnologia, na década de 1970.”
A polícia investiga um celular, possivelmente de Gilberto Ferreira do Amaral, no qual haveria conversas entre o assassino do ex-prefeito de Itumbiara José Gomes da Rocha e do cabo Vanilson Pereira e um político do município. Podem ser conversas amenas. Mas há indícios de que conversavam muito.
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Gean Carvalho[/caption]
O pesquisador Gean Carvalho, do instituto Fortiori, avalia que, se o quadro apreendido pelas pesquisas não mudar, Goiânia terá segundo turno para prefeito e será entre Vanderlan Cardoso, do PSB, e Iris Rezende, do PMDB.
O peemedebista está em primeiro, com cerca de 10%. “Não é será fácil virar, mas, dependendo da expectativa de poder, Vanderlan Cardoso pode ate mesmo crescer.”
A eleição foi curta? “Não considero que tenha sido tão curta como falam. Pode se falar que a exposição foi maior, notadamente na televisão.” Por que os eleitores optaram por Vanderlan e Iris? “Iris foi prefeito três vezes, e gestor, ganhou tudo na capital. Vanderlan é o grande nome da oposição, é gestor, reuniu amplo apoio e ganha o voto de quem não quer Iris.”
O que é específico da eleição de 2016? “Não sei se é específico, talvez não seja. Mas o eleitor valorizou a experiência do candidato em gestão, daí a preferência por Iris Rezende e Vanderlan.”
Gean Carvalho nota que há uma espécie de esgotamento de lideranças no Estado. “Em quem apostar para o futuro? Os eleitores mencionam José Eliton, Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Maguito Vilela. Mas a grande referência política ainda é o governador Marconi Perillo.”
O presidente do PSD, Vilmar Rocha, diz que a eleição deste ano teve aspectos negativos. “Fica-se com a impressão de que não houve campanha, pois quase não houve movimentação e agitação nas ruas. A festa da democracia ficou escondida, engessada. Faltou o clima festivo que havia noutras eleições. Mas cresceu o uso das mídias sociais. Gravei depoimentos em coloquei no Facebook. É de graça e repercute.”
Na semana passada, os candidatos a prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PSDB, Alcides Ribeiro, e pelo PSB, Marlúcio Pereira, confabularam, desesperados. O tucano, de bico curto, e o socialista, que é capitalista, pensaram em estratégias para evitar que Gustavo Mendanha, do PMDB, seja eleito já no primeiro turno.
Como não conseguiram formular uma ideia brilhante, Alcides Ribeiro e Marlúcio Pereira disseram o óbvio. Se ficar em terceiro, o tucano apoiará Marlúcio Pereira. Já este, se ficar em terceiro, apoiará Alcides Ribeiro.
A questão é que um deles pode ficar em segundo e o outro em terceiro. Mas é bem possível que Gustavo Mendanha seja eleito no primeiro turno. Aí, a aliança vai para o brejo, e já no primeiro turno.
A aliança entre Alcides Ribeiro e Marlúcio Pereira é chamada de “abraço dos afogados” pelos eleitores.
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Foto: Fernando Leite[/caption]
Os grupos de Tião Caroço e do prefeito Itamar Barreto torraram uma grana verde em Formosa. Mas tudo indica que os eleitores do próspero município do Entorno de Brasília fizeram uma opção preferencial pelo deputado Ernesto Roller, do PMDB, que fez uma campanha modesta, em termos de recursos financeiros, mas consistente do ponto de vista das ideias e da seriedade.
Consta que a cúpula do PMDB já comprou até o terno da posse de Ernesto Roller. Mas humilde e nada arrogante, o deputado não quer saber disso, não. Trabalha de sol a sol para ganhar a batalha contra o poder econômico, mais do que contra o poder político.
A eleição deste ano inventou o candidato-mendigo. Ele chega no eleitor e, no lugar de oferecer alguma coisa, pergunta, humilde: “Como e com que você pode me ajudar?” Faltou dinheiro para a campanha de candidatos a vereador, os maiores abandonados. Os candidatos amedrontados e mal informados deram o tom: “Como faço para pegar dinheiro e justificá-lo?” Os fornecedores da campanha exigiram notas precisas, com informações detalhadas. Ninguém quer, adiante, ser convocado pela Justiça para se justificar”. Outra característica da eleição foi o uso intensivo, mas não funcional, das redes sociais. Os candidatos perderam tempo nas redes sociais, às vezes discutindo com eleitores que votam noutros candidatos, ou nem votam.
“Pelo conhecimento que tenho dos bairros e das ruas, posso sugerir, até garantir, que Goiânia terá segundo turno e será entre Vanderlan Cardoso, do PSB, e Iris Rezende, do PMDB. Acrescento que não ficarei surpreso se Vanderlan chegar ao segundo 2% ou 3% à frente de Iris Rezende. Pode até ser que eu esteja errado, mas sinto um clamor na cidade por Vanderlan. O eleitor quer renovar”, afirma o ex-presidente da Câmara Municipal Marcelo Augusto.
A única tática que a família Tatico conhece para disputar eleições é torrar dinheiro, sem dó nem piedade. Em Águas Lindas, Enio Tatico, do PMDB, gasta dinheiro como se tomasse refrigerante. Mas não consegue comover e demover o eleitorado.
O caso de amor dos eleitores de Águas Lindas é com o prefeito Hildo do Candango, do PSDB. O motivo: nenhum prefeito fez tantas obras no município.
Hildo do Candango é o político que está modernizando a política e a economia de Águas Lindas. A família Tatico não pensa no povo da cidade e, por isso, quer a cidade para si, para defender seus projetos pessoais. O tucano, pelo contrário, é um estadista — e, portanto, pensa na cidade e nos seus cidadãos.
Se Divino Lemes for eleito prefeito de Senador Canedo, sobretudo se assumir, a Justiça brasileira poderá pedir férias e o Brasil deverá se tornar, mais uma vez, colônia de Portugal.
Ficha suja, condenado em segunda instância, Divino Lemes fez campanha livremente, como se debochasse da Justiça
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Arquivo[/caption]
Na reta final, Evandro Magal, do PP, e Alison Maia, do DEM, intensificaram suas campanhas em Caldas Novas. Os dois candidatos a prefeito fazem críticas duríssimas um ao outro. Sem contemplação.
A equipe de Magal garante que o prefeito é favoritíssimo e já encomendou o terno de posse para o pepista. Mas os aliados de Alison Maia garantem que o candidato democrata não joga a toalha jamais.
Há quem diga que Alison Maia pode até não ser eleito, por falta de estrutura partidária e recursos financeiros, mas teria conquistado o coração dos eleitores de Caldas Novas, como uma espécie de fato novo da política local. Há também quem o elogie por ter coragem de enfrentar, não apenas Magal, mas também os grupos econômicos poderosos que o apoiam.
Quando perguntam sobre o terceiro candidato, Arlindo, os eleitores dizem, brincando: “Voltou para o Ceará”. É que o postulante é registrado com o nome de Arlindo Ceará.
De um político de Itumbiara: “A polícia certamente vai descobrir uma bomba na história do assassinato do ex-prefeito Zé Gomes da Rocha e do cabo Vanilson Pereira. O assassino teria conversado por telefone, várias vezes, com um político da cidade. Conversas pouco católicas, provavelmente”.
O líder itumbiarense frisa que “a investigação do crime, às vezes tratado como resultado de uma questiúncula pessoal entre Zé Gomes e Gilberto Ferreira do Amaral, o Béba, pode levar à questão política”.
“O problema nem sempre é o alto clero. Mas as conversas entre pessoas do baixo clero das campanhas. É provável que alguém tenha potencializado, de maneira inteligente e discreta, um possível ressentimento de Gilberto do Amaral contra Zé Gomes”, afirma o político.
O político avalia que o deputado Álvaro Guimarães, candidato a prefeito pelo PR, não está envolvido no crime. “Mas é possível que alguém do baixo clero, do seu entorno, possa ter incentivado Gilberto a matar o ex-prefeito, ou talvez tenha apenas sugerido. Digo ‘possível’, pois não há provas de nada, até agora.”
Há um consenso entre juristas gabaritados de que a Justiça Eleitoral não pode ser usada como instrumento de censura dos jornais durante as campanhas eleitorais.
A retirada de reportagens, sem uma leitura atenta do que foi publicado, é um caso que mancha a Justiça Eleitoral brasileira.
Políticos de má-fé exploraram a boa fé — e até a falta de informação e formação — de alguns juízes na disputa eleitoral deste ano.
Pode-se dizer que, em alguns casos, a Justiça eleitoral agiu contra os interesses do cidadão, ao “censurar” os jornais, exigindo que reportagens críticas fossem retiradas dos sites. Em definitivo, “censurar” a imprensa não é função de magistrados.

