Bastidores
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Vereadora Sabrina Garcêz (PMB | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
A vereadora Sabrina Garcez é, do ponto de vista político, a presença mais expressiva do Partido da Mulher Brasileira (PMB) em Goiás. Mesmo assim, não foi consultada sobre a decisão da cúpula nacional de apoiar o senador Ronaldo Caiado (DEM) para governador do Estado. Os postulantes a deputado federal e estadual também não foram ouvidos.
“Nós iríamos ouvir todos os candidatos, mas, de repente, fomos atropelados pelo PMB nacional. O programa de Caiado tem a ver com o nosso? Ele se interessa pela discussão de gênero? Alianças têm de ser programáticas, mas, no caso, não foi. Não fecho com Caiado e é provável a ocorrência de uma debandada dos vereadores do partido. Nem sei se o PMB vai atingir a cláusula de barreira. O partido não tem nenhum deputado e a gente estava montando uma chapa”, afirma Sabrina Garcez.
A vereadora afirma que mantém uma conversa “avançada” com o governador Marconi Perillo e José Eliton. “Devo apoiá-los.” Porém, como não terá janela agora, não deixará o PMB. “Mas, como não fui consultada sobre a recente aliança, a cúpula não pode exigir que eu apoie Caiado.”
Sabrina Garcez afirma que José Eliton assume o governo no início de abril e terá alguns meses para mostrar à sociedade quem é e quais são seus planos para desenvolver Goiás. “Acredito nele, porque é moderno, aberto e inteligente.”
A jovem política defende que a base aliada “precisa mesmo” atrair a senadora Lúcia Vânia para a chapa majoritária. “Ela é uma política municipalista forte e tem um vínculo forte com a base aliada.”
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Reprodução[/caption]
Os partidos políticos estão articulando a montagem das chapas para deputado federal e deputado estadual. Alguns deles chegam a omitir os nomes de alguns postulantes, porque temem o assédio dos partidos mais estruturados. Mas um problema que nenhum dos partidos — nem mesmo o Partido da Mulher Brasileira (PMB) — está conseguindo resolver: o número de mulheres candidatas. Pela lei, ao menos 30% das vagas de postulantes, de todos os partidos, devem ser reservadas para mulheres.
O problema é que a maioria dos partidos não consegue reunir 30% de mulheres para a disputa. Alguns partidos estão oferecendo apoio ampliado, inclusive mais recursos financeiros, para atrair candidatas. Mesmo assim, não estão conseguindo um número suficiente.
As mulheres sondadas pelos partidos costumam dizer duas coisas. Primeiro, que estão sendo convidadas unicamente porque há cotas oficiais, e não por que são valorizadas. Segundo, estão mais céticas do que os homens com a política partidária.
Na sua lista de pré-candidatos a deputado não figuram nomes do MDB
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Divulgação/Twitter[/caption]
O presidente Michel Temer encomendou pesquisas eleitorais em todos os Estados. Na semana passada, recebeu uma pesquisa quantitativa sobre Goiás. Ele ficou preocupado com o fato de que o senador Ronaldo Caiado aparece em primeiro lugar, com uma frente folgada, e sugeriu uma aliança política, entre MDB e PSDB, para enfrentá-lo.
Mas um ministro de Michel Temer, que acompanha a política de Goiás, ofereceu uma explicação que parece ter contentado o presidente: “Caiado é o tradicional cavalo boliguaio [mistura de boliviano e paraguaio]. Ele sai na frente, mas esgota-se e chega em último”.
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Montagem[/caption]
Parte do MDB não aprende, depois de cinco derrotas consecutivas para os experts políticos do tucanato. Ao tentar definir apoio ao pré-candidato do DEM, Ronaldo Caiado, antes da convenção e da campanha em si, políticos como Adib Elias, Paulo do Vale, Renato de Castro e Ernesto Roller — chamados de caiado-boys — praticamente ignoram o histórico das eleições de Ronaldo Caiado. Ele começa em primeiro e costuma desidratar-se. Pode ser que, desta vez, será diferente? Pode, mas convém não ignorar a história, pelo menos não integralmente.
Ao tentar brecar a candidatura de Daniel Vilela, desistindo da renovação e apostando na tradição, os prefeitos de Catalão, Rio Verde, Goianésia e Formosa estão se comportando de maneira conservadora e contribuindo para enfraquecer o próprio partido, o MDB.
Adib Elias deve figurar como vice, mas vai deixar o MDB
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Montagem[/caption]
O Conselho de Pastores de Anápolis deve bancar ao menos duas candidaturas para deputado estadual: João Gomes (da Igreja Batista), do PP, e Frederico Bispo (da Igreja Quadrangular), sem partido.
Podem surgir outros evangélicos e serão devidamente avaliados. João Gomes e Frederico Bispo são mais considerados porque já se definiram como candidatos.
O pré-candidato do DEM a governador de Goiás, o senador Ronaldo Caiado, aposta que o deputado federal João Campos, sob pressão ostensiva da Igreja Assembleia de Deus — à qual pertence —, vai apoiá-lo.
João Campos, cuja prioridade era disputar a reeleição, deve ser candidato a senador, embora seu nome também seja ventilado para vice, mas os evangélicos preferem enviar políticos para Brasília.
A cúpula da Assembleia de Deus é pragmática: Luiz Carlos do Carmo (MDB), irmão do venerável pastor Oídes José do Carmo, é suplente de Ronaldo Caiado. Portanto, se o postulante do DEM for eleito governador, a Assembleia de Deus ganhará um senador por quatro anos. Não é pouca coisa.
Se João Campos insistir em ficar na base do governador Marconi Perillo, vai perder o apoio significativo dos evangélicos de Goiás, sobretudo da Assembleia de Deus, grupamento religioso ao qual pertence e com o qual tem profunda afinidade. Se os evangélicos, o deputado terá de voltar de Brasília e reassumir seu cargo de delegado de polícia.
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O PRB em Goiás tem um deputado federal, João Campos, um deputado estadual, o pastor Jefferson Rodrigues, e dois vereadores em Goiânia, Rogério Cruz e Alysson Francisco Lima. Ligado à Igreja Universal, mas com vinculação com parte da Assembleia de Deus — à qual pertence João Campos —, o partido é mais forte do que sugere sua representação eleitoral. Ele é muito bem articulado no plano nacional, tendo ministro no governo do presidente Michel Temer e o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.
Em Goiás, o PRB tem forte ligação com o governador Marconi Perillo. É uma ligação política mas também pessoal. Mas, em outubro, a tendência é que o partido caminhe com o pré-candidato do DEM a governador, Ronaldo Caiado, por dois motivos. Primeiro, seus líderes acreditam que o democrata será eleito. Segundo, sob pressão da Assembleia de Deus, João Campos tende apoiar o senador. Como ele é o principal líder do partido no Estado, todos devem segui-lo.
Há quem aposte que João Campos pode deixar o PRB. Entretanto, mesmo deixando, levaria os votos da Assembleia de Deus? Não. Perderia o PRB e a Assembleia de Deus.
O presidente dará total apoio ao expurgo dos prefeitos Adib Elias, Paulo do Vale, Ernesto Roller e Renato de Castro
O PSD deve indicar o vice de José Eliton
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Foto: Alexandre Parrode[/caption]
O prefeito de Vianópolis, Issy Quinan (PP), é um político posicionado e leal. “Eu ficarei na base e apoiarei tanto José Eliton para governador quanto Marconi Perillo para senador. Mas também vou apoiar a reeleição do senador Wilder Morais.”
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Wilder Morais durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fernando Leite[/caption]
O que se comenta é que Wilder Morais tem mais chance de se eleger senador como candidato de oposição do que da situação. O pré-candidato do MDB a governador, Daniel Vilela, quer receber seu apoio com uma grande festa. Os vilelistas dizem que estão subestimando a força política do senador do PP.
Wilder Morais saiu de baixo — o pai era taxista — e estudou engenharia com extrema dificuldade. Formado, dedicou-se a trabalhos na iniciativa privada, até montar sua empresa de construção, a Orca. Construiu obras para o Carrefour, fez shoppings e edifícios. Trata-se de um self made man e não é um político tradicional. Quer dizer, venceu fora da política, alcançando imenso sucesso no mundo empresarial, que, no Brasil, é muito competitivo.
É mais fácil ir à Lua do que ser empresário no Brasil. Mesmo assim, enfrentando sérias dificuldades, Wilder Morais se tornou empresário poderoso, que venceu por si, sem depender do setor público.
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O objetivo dos deputados federais Roberto Balestra, Alexandre Baldy (que ainda irá se filiar) e Sandes Júnior é permanecer na base governista e apoiar José Eliton para governador de Goiás. Trata-se de uma decisão incontornável.
Os três políticos são profissionais dos mais experimentados.
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Temer e Baldy durante a posse | Foto: Alan Santos/ PR[/caption]
O ministro das Cidades, Alexandre Baldy (quase no PP), aprendeu mais sobre política e sobre o Brasil, em poucos dias no governo do presidente Michel Temer, do que em três anos na Câmara dos Deputados.
Nas suas viagens, o ministro Alexandre Baldy tomou um banho de Brasil. Ele está cada vez mais preocupado com as questões sociais. O ministro-deputado aposta que o governo federal pode fazer muito mais pelos pobres.
Michel Temer está impressionado com a desenvoltura de seu pupilo, sobretudo com suas preocupações genuínas com os problemas dos brasileiros. Não à toa disse recentemente que o político goiano dará, um dia, um grande candidato a presidente da República.

