Bastidores

O senador Ronaldo Caiado disse que à TBC que não vai participar do debate na segunda-feira, 17. O candidato do DEM a governador pode não comparecer a mais nenhum debate. Ronaldo Caiado, segundo aliados, acredita que pode ganhar no primeiro turno e que a participação nos debates pode prejudicá-lo. Chegaram à conclusão que no primeiro debate, o candidato do MDB, Daniel Vilela, o acuou e o senador não soube escapar das críticas. Seu desempenho foi abaixo da crítica. Aliados de Ronaldo Caiado temem que o candidato seja acossado sobretudo por Daniel Vilela, do MDB, e Kátia Maria, do PT. Eles também não querem que, criticado, o senador perca as estribeiras e, daí, assuste os eleitores.

O jornalista Enzo de Lisita, craque, vai ser o mediador do debate entre os governadoriáveis na Televisão Brasil Central (TBC). Ele, que desmaiou no debate anterior, está bem. Enzo de Lisita, dada sua competência e serenidade, contribui para melhorar os debates.

Adriano do Baldy, candidato a deputado federal pelo grupo do ministro Alexandre Baldy, está trabalhando, em tempo integral, na sua campanha e na de Daniel Vilela. É mais uma prova do engajamento de Alexandre Baldy na campanha do emedebista. Entretanto, como parte da base de Adriano do Baldy apoia o candidato do PSDB a governador, José Eliton, o postulante a deputado trabalha, às vezes, de maneira discreta para Daniel Vilela. Para não contrariar suas bases.

Baldy, Balestra, Sandes, Adriano e Alcides seriam adeptos do Marvan

Marconi Perillo, do PSDB, Lúcia Vânia, do PSB, Vanderlan Cardoso, do PP, e Jorge Kajuru, do PRP, estão embolados na disputa para o Senado. Há um consenso de que uma das vagas deve ficar com Marconi Perillo — dada sua história política e capilaridade eleitoral em todo o Estado. A segunda vaga está sendo disputada, de maneira agressiva, por Lúcia Vânia, Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru. Há uma tendência a subestimar Kajuru, porque não tem estrutura partidária. Numa conversa com um repórter do Jornal Opção, o vereador disse que vai surpreender. “Estou cada vez mais conhecido no interior e vou ganhar a eleição para senador”, afirma. Subestimar o político do PRP pode ser um equívoco, sobretudo porque, embora tenha quase nenhuma estrutura, está empatado com Lúcia Vânia e Vanderlan Cardoso.

Líder do PP frisa que a senadora se comporta como sra. feudal no PSB

Recentemente, em Brasília, um jornalista perguntou ao candidato do PSL a presidente, Jair Bolsonaro: “Quem é seu principal representante em Goiás?” Bolsonaro respondeu na bucha, em questão de segundos: “O Delegado Waldir”. Mais alguém? Ele reafirmou: “O Delegado Waldir”. Waldir Soares e Bolsonaro, ambos deputados federais, se tornaram carne e unha em Brasília. Eles se fortalecem em Goiás. Na bolsa de apostas, o que mais se fala é que o delegado tende a ser o mais bem votado na eleição de 7 de outubro, daqui a menos de 30 dias, do que qualquer outro candidato.

O candidato a governador não vai revelar seu voto, mas, para agradar Lívio Luciano e José Nelto, sugere apoio a Álvaro Dias

Frederico Bispo, candidato a deputado estadual, mudou de malas, bagagens e eleitores para a companha de Daniel Vilela. “Encontrei apoio e parceria ao lado do candidato do MDB a governador.” O integrante do Patriota conta com apoio de setores da Igreja Quadrangular. O presidente do MDB de Anápolis, Márcio Corrêa, aposta na vitória de Frederico Bispo. Este deve apoiar aquele para prefeito do município, em 2020. Frederico Bispo afirma que os principais líderes do PSDB o deixaram na chapada. “Quem quer apoio precisa pensar também em apoiar”, frisa. “O MDB de Daniel Vilela e Márcio Corrêa me tirou da chapada.”

Santana Gomes apoia Flávia Morais (PDT) para deputada federal. Mas, para governador e senador, fica mesmo com José Eliton (PSDB) e Marconi Perillo (PSDB). Por uma questão de lealdade. Candidato a deputado estadual, Santana Gomes afirma que Flávia Morais é uma “grande política”. “A Flávia é uma força da natura. Trabalha em silêncio, atende bem suas bases e, quando abrem as urnas, aparece com mais de 150 mil votos. Ela é craque”, afirma o suplente de deputado.

O ex-deputado estadual Santana Gomes não é policial militar, mas conta com o apoio de centenas, talvez milhares, de policiais, sobretudo do setor administrativo. “Santana é um tenente honorário”, brinca um capitão da Polícia Militar de Goiás. Um coronel diverge: “Santana é um autêntico coronel sem farda”. Sem receio da turma do politicamente correto, Santana Gomes defende os policiais militares. “Eles trabalham duro, servem à sociedade e merecem o respeito de todos”, afirma o suplente de deputado. Santana Gomes é candidato a deputado estadual pelo PDT. A deputada Flávia Morais e o presidente do partido, George Morais, percebem-no como uma das esperanças do PDT para a Assembleia Legislativa.

O português da candidata do PT a governadora, Kátia Maria, é irretocável. Suas frases têm concordância verbal adequada, os pronomes, substantivos e verbos são colocados nos locais apropriados. As frases e as palavras não são ditas pela metade; são sempre concluídas. E, mesmo quando está apresentando uma crítica contundente, demonstra tranquilidade. É craque. Uma política de ideias. O importante para o PT é que, com a candidatura de Kátia Maria, ganha mais uma política de estatura. Fica evidente que, ao menos em Goiás, o partido continua revelando bons quadros.

O secretário de Segurança Pública de Goiás, Irapuan Costa Junior, aposta que o governador José Eliton será reeleito. “Zé Eliton é um jovem competente, dotado de imensa responsabilidade. Os goianos, se querem um governador sério, moderno e eficiente, devem optar por ele.” Irapuan frisa que as campanhas começam emocionais, com os discursos, e depois ficam racionais, com as propostas e os históricos dos candidatos. “Os eleitores seguem o esquema. A partir de certo momento, a racionalidade prevalece e, por isso, acredito que José Eliton vai ganhar a eleição”, aposta o ex-governador.

[caption id="attachment_135908" align="alignright" width="620"] Ronaldo Caiado (DEM), Daniel Vilela (MDB)e José Eliton (PSDB): a campanha eleitoral até agora não mexeu na configuração política, mas, se o emedebista subir, o democrata tende a cair[/caption]
O candidato do DEM a governador de Goiás, senador Ronaldo Caiado, surfa na onda ética — como se fosse o cavaleiro solitário Clint Eastwood. O mar está revolto, mas o líder do Democratas até agora não caiu da prancha. Pode cair? Sim. Porque a campanha eleitoral está começando agora e os candidatos e suas propostas estão sendo expostos. Conforme a aceitação dos projetos e dos postulantes, o quadro pode mudar. O contraditório, nos debates, também começou a ser exposto. Por exemplo: Daniel Vilela, o candidato do MDB, tem dito, com frequência, que é, de fato, o candidato de oposição. Porque Ronaldo Caiado pertenceu ao grupo do Tempo Novo por um longo tempo e chegou a indicar o governador José Eliton (PSDB) para vice de Marconi Perillo (PSDB).
Ronaldo Caiado tem chance de ganhar no primeiro turno? Há uma expectativa de poder neste sentido. Mas cientistas políticos, pesquisadores e marqueteiros sublinham que os eleitores, embora não pareça, estão atentos aos candidatos e às suas propostas. A frente do postulante do DEM é, por enquanto, inercial — quer dizer, os demais candidatos só agora estão se tornando conhecidos. Da comparação entre os postulantes, como Ronaldo Caiado, José Eliton, Daniel Vilela (MDB) e Kátia Maria (PT), de repente, pode pintar surpresa.
Dado o peso da estrutura política, é natural que José Eliton passe a ter índices melhores a partir de 15 de setembro, aproximando-se de 15% a 20%, o que poderá levá-lo para o segundo turno. A tendência é que o candidato tucano absorva votos dos indecisos, sobretudo daqueles eleitores que avaliam que o governador é capaz como administrador — o que impede que Goiás se torne um Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul ou Minas Gerais — e aumente sua musculatura eleitoral.
Há uma interpretação não explicitada pelos comentaristas políticos. É provável que Ronaldo Caiado só diminua seus índices se Daniel Vilela crescer. Porque os dois disputam os eleitores que votam na oposição. Portanto, se o candidato emedebista crescer, chegando a 20%, a tendência é que o postulante do DEM se desidrate aos poucos. Seus aliados afiançam que está crescendo, porque é visto como a oposição de fato e um combatente da corrupção. Mas, se cair para 30% ou 32%, cria-se uma nova expectativa de poder, sobretudo fica sugerido que uma virada não é ficção. No momento, frise-se, não há clima de virada. Porém, se Daniel Vilela crescer, absorvendo mais votos da oposição, o presidente do Democratas tende a cair. O emedebista é, portanto, a peça decisiva para enfraquecê-lo. Se Ronaldo Caiado cair, Daniel Vilela sobe. Se Daniel subir, Ronaldo Caiado cai. É a lógica. O segundo turno depende muito de como o presidente do MDB vai “arrancar” votos de seu adversário.

Jardel Sebba, Demóstenes Torres, Marcus Vinicius, Frederico Jayme e Diego Sorgatto sugerem que, para o eleitor, a campanha está começando agora