Bastidores
O vereador Tony “Tomatinho” Marcus, do PMN de Caldas Novas, deve disputar mandato de deputado estadual. Tomatinho faz oposição ao prefeito Evandro Magal (PP) e pode ter o apoio de Ney Viturino, da ex-primeira-dama Eterna Maria, do ex-prefeito e empresário José Araújo e do vereador Arlindo Ceará. Em nível estadual, seguindo orientação do presidente regional do PMN, Walter Paulo, Tomatinho vai apoiar a reeleição do governador Marconi Perillo.
Que não se espere um fracasso político-administrativo do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. O petista está colocando a casa em ordem e, com o apoio do governo federal, deverá fazer as obras necessárias para reorganizar a capital. A mídia acompanha pouco, quase nada, mas o trabalho de recuperação dos bairros tem sido elogiado e aprovado pelos moradores. Paulo Garcia, que é citado como “ausente” nas redes sociais, participa de todos os mutirões nos bairros.
Em Araçatuba, na caravana do Padilha, Lula disse que gostou do verbo “gomidar”. E sugeriu que Antônio Gomide copie a ideia de organizar caravanas para visitar todo o Estado. “Eu tenho de aprender com o companheiro Gomide a como ter 135% de votos”, disse Lula, rindo, a respeito da votação (89% dos votos na eleição de 2012) e aprovação do ex-prefeito de Anápolis (mais de 90%). Lula está entusiasmado com Gomide e acredita que, finalmente, as oposições podem eleger um governador em Goiás.
O PMDB, o PSB e o PT vão disputar, quase no tapa, o apoio do presidente do Solidariedade, o deputado federal Armando Vergílio. No PMDB, Armando Vergílio eventualmente é chamado de “nosso senador”. O PT o considera um vice “excelente” e um candidato a senador “notável”. O PSB daria a vice a Vergílio sem pensar meia vez. Há, claro, a questão da coligação nacional. Detalhe: o governador Marconi Perillo, do PSDB, numa conversa com repórteres do Jornal Opção, disse que é possível uma aliança com o líder do Solidariedade.
O pré-candidato a senador na chapa de Vanderlan Cardoso, o competente e seriíssimo procurador federal Aguimar Jesuíno, está sendo chamado pelos socialistas-capitalistas do PSB de “o Ronaldo Caiado da esquerda”.
Aguimar Jesuíno é uma indicação da Rede Sustentabilidade, espécie de partido informal que “vive” nos poros do PSB. “É o nosso Demóstenes Torres”, afirma um aliado de Vanderlan. Este, que preferia (e ainda prefere) Caiado, teve de engoli-lo.
O vereador Elias Vaz, do PSB e da Rede Sustentabilidade, não acredita que Jorge Kajuru vai disputar mandato de deputado federal por Goiás. Falta apetite política e disciplina partidária para disputar uma eleição. Se disputar, é forte, acredita Elias Vaz.
O engenheiro Martiniano Cavalcante vai disputar mandato de deputado federal. O vereador Elias Vaz vai a deputado estadual. Os estão no PSB, mas representam a Rede Sustentabilidade, o partido informal dirigido pela ex-ministra Marina Silva.
Aliados de Júnior Friboi garantem que ele controla de 70 a 80% dos delegados que votam na convenção. Iristas fazem outra conta: acreditam ter o controle de 160 dos diretórios municipais. Friboi teria apenas 86. Friboizistas contestam os números. Prefeitos e líderes do PMDB vão ao escritório de Júnior Friboi e, depois, vão ao escritório de Iris Rezende. Alguns dizem mais ou menos assim, e em resumo: “Fomos lá para verificar o que o ‘empresário’ está dizendo e viemos aqui contar pra você”.
Um empresário goiano (D.), dono de imobiliária e de uma empresa que vende medicamentos e equipamentos para hospitais, foi preso num dos mais luxuosos condomínios horizontais de Goiás — o mais ecológico, dizem — e levado para Mato Grosso. A prisão foi efetuada pela Polícia Federal e a notícia saiu nos jornais de Mato Grosso, mas não saiu nenhuma linha nos jornais de Goiás.
Um ex-deputado do PMDB explicitou na quinta-feira, 10, o principal motivo para a convocação de uma pré-convenção em maio. Peemedebistas dizem que é para evitar uma divisão mais ampla e reduzir as arestas entre os partidários de Júnior Friboi e Iris Rezende. A verdade é outra.
Na semana passada, o sinal de perigo foi dado em conversas de iristas e friboizistas. Eles temem que, até junho, mês das convenções, Antônio Gomide tenha crescido tanto que não dará mais para tirá-lo do páreo. O peemedebismo quer antecipar uma aliança com o PT de Gomide já em maio — e exatamente temendo seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto. Com Gomide subindo para terceiro lugar nas pesquisas, mas com números que signifiquem uma ascensão incontrolável, o PT nacional não vai tirá-lo do páreo. O PMDB, o de Iris e o de Friboi, entendeu isto e alarmou-se. O fato é que todos temem Gomide.
O que parecia impossível aconteceu. PT e PSDB, que se comportam como Caim e Abel na política nacional e do Estado de Goiás, decidiram se tornar Abel & Abel no Centro Acadêmico Clóvis Bevilácqua (C. A. C. B.), do curso de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Segundo informação passada à redação do Jornal Opção, “durante o Conselho de Alunos, realizado ontem [terça-feira, 8], estudantes que” que são integrantes do “PT, PSDB, PMDB, PSD e PDT se uniram para aprovar a Comissão Eleitoral que regerá o pleito da entidade em 2014. A Comissão Eleitoral deverá administrar o C.A.C.B até a nova diretoria ser empossada e terá que garantir que as eleições aconteçam legitimamente. Contudo, esse mesmo bloco de estudantes da comissão já estuda a ideia de montar uma chapa para vencer o pleito”.
O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, disse ao Jornal Opção na quarta-feira, 9, que o partido só vai definir sua posição oficial sobre coligações majoritárias em maio. “Nós, do PHS, permanecemos fieis à base do governador Marconi Perillo, porém insistimos que a definição sobre aliança majoritária só sairá em maio.”
Um dos políticos mais articulados de Goiás, Eduardo Machado afirma que, com a declaração acima, não está fechando portas para ninguém. “Estou apenas explicitando que somos leais à base do governador Marconi Perillo.”
Quanto a uma possível aliança com o pré-candidato do PT a governador de Goiás, Antônio Gomide, o presidente do PHS disse que não há nada definido. “Tenho laços de amizade com o deputado federal Rubens Otoni e com o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide. Sei que Gomide é um candidato forte a governador, mas não definimos aliança com o PT. Insisto: o PHS só define aliança em maio.”
Se depender de Gomide, o presidente do PHS será o seu vice. Eduardo Machado, no momento, prefere ser candidato a deputado federal.
Jales Naves As eleições de 1965 em Goiás para Governador foram as mais disputadas de todos os tempos e em todas as instâncias, quando os dois principais partidos políticos, que eram rivais, novamente se enfrentaram nas urnas. Do pleito surgiu uma nova liderança, o governador eleito Otávio Lage. Fazendeiro moderno e inovador, um dos responsáveis pela consolidação da cultura do café na região do Vale do São Patrício e até então desconhecido do mundo político, ele se destacou pela dinâmica administração que realizou em Goianésia, como Prefeito, de 1962 a 1965, então uma cidade pequena, inexpressiva. E também por ser filho do deputado federal Jalles Machado, um dos principais líderes da UDN histórica, que se sobressaiu pela firme atuação como parlamentar, defendendo os interesses de Goiás e lutando contra os aliados de Getúlio Vargas no Estado, em especial o antigo PSD. Determinado, ousado e com uma mensagem nova, para tirar Goiás de um atraso histórico, que o deixava na lanterna dos estados brasileiros, ele conquistou o direito de ser candidato pela União Democrática Nacional numa disputa muito acirrada. Venceu na Convenção Estadual do partido o deputado federal Emival Caiado, considerado favorito, e lutou para ocupar espaço e consolidar sua candidatura com mais três partidos (PTB, PSP e PDC). Foi difícil obter o apoio do governador eleito de forma indireta, marechal Emílio Ribas Júnior; e da cúpula militar, pois um dia antes da convenção udenista o presidente da República, marechal Humberto Castello Branco, lançou a candidatura a Governador, pelo PSD, do deputado federal Gerson de Castro Costa, conforme registraram os jornais do dia. Depois de superar os obstáculos e dificuldades que se antepunham e assumindo a liderança desse processo, ele soube se impor, consolidar a sua candidatura e, utilizando de estratégias de marketing, conquistar o eleitorado, a partir de um mote especial. A crítica da oposição, de ser despreparado para a função por ser roceiro, foi utilizada como instrumento dessa mudança: ele chegava nas cidades sempre com um chapéu na cabeça e entrava pelas principais ruas montado a cavalo, ou num trator, ou numa carroça, e saía cumprimentando a todos. Dessa forma, foi se tornando conhecido, divulgando sua plataforma de trabalho, centrada em três eixos (educação, energia e estradas) e firmando o seu nome. Na oposição, que ainda dominava o Estado, simbolizada na figura do senador Pedro Ludovico, o candidato era o médico e deputado federal José Peixoto da Silveira, um dos principais quadros do PSD, que tinha ocupado as três principais Secretarias de Estado (Fazenda, Educação e Saúde), além de ter sido deputado estadual. A situação era difícil, mas prevaleceu a mensagem desenvolvimentista, a proposta de construção de um novo Goiás, a partir dos três eixos, o que realmente aconteceu, e o resultado favoreceu o candidato da UDN. Essa observação se torna importante ainda hoje não só para resgatar o nome e o importante trabalho realizado pelo ex-governador Otávio Lage, como para fazer justiça a um dos mais expressivos governantes de Goiás. Nos últimos anos, seu netos tiveram que defendê-lo diante de críticas improcedentes, injustas e que não correspondiam à verdade. Eles admiravam o avô pela postura íntegra, pelo comportamento ético e por ser um empreendedor preocupado em unir forças para viabilizar projetos. Como a destilaria de álcool, a co-geração de energia a partir do bagaço da cana, o plantio de seringueiras, a inovação tecnológica no campo a partir de sementes certificadas etc. Quando frequentavam o ensino médio, já se preparando para o vestibular, vários de seus netos tiveram que discutir com os professores de História, que teimavam em dizer que ele tinha sido nomeado Governador de Goiás pelos militares. Inclusive, uma questão em vestibular de uma importante instituição de ensino superior, em 2003, tratava desse tema e dessa forma. Colocando-o como Governador nomeado, e não eleito em pleito democrático e popular. Otávio Lage foi, na verdade, o único governador de Goiás eleito no período militar, em pleito direto e com a efetiva participação do eleitor. Um registro que se torna necessário diante dessa falta de compromisso de professores para com a verdade, e que atinge uma pessoa que foi, por princípio, um democrata no exercício de suas funções no Executivo goiano e que honrou o mandato que cumpriu, mesmo num período de exceção. Jales Naves é jornalista.
O deputado federal Armando Vergílio conversou com o Jornal Opção a respeito do quadro político de Goiás. Sobre a crise do PMDB, o presidente do Solidariedade diz que o partido vai dividir-se de vez ou então vai unificar-se. “Quem sabe, um pouco mais à frente, o partido não consiga unificar-se em torno de um nome. Se quiser enfrentar o governador Marconi Perillo em igualdade de condições, o vencido tem de apoiar o vencer. Num ambiente desagregado — com Iris Rezende ou Júnior Friboi na cabeça de chapa —, o candidato se apresentará fragilizado ao eleitorado.”
A respeito de Antônio Gomide, Armando acredita que vai mesmo ser candidato a governador. “O líder do PT deixou a Prefeitura de Anápolis, a segunda mais importante de Goiás, para ser candidato a governador, não para ser vice ou postulante ao mandato de senador. Ele disse isso para o eleitor de sua cidade."
O pré-candidato a governador pelo PSB, Vanderlan Cardoso, é, na opinião de Armando, um “político e um empresário respeitável”. “Mas ele não tem vice, não tem candidato a senador, não tem candidatos fortes a deputado estadual e federal. É preciso verificar qual será o seu tempo de televisão. Com um tempo muito curto, terá dificuldade para apresentar seu projeto e, ao mesmo tempo, fazer as críticas que julgar oportunas.”
Por que Armando ficou fora do processo durante algum tempo? “Resolvi não participar da fase preliminar porque não dependo de ninguém — só da minha estrutura e do meu partido.”
O deputado federal acredita que, nesta eleição, ele deve funcionar como “elemento surpresa”. “A partir de agora, vou entrar em campo pra valer. Vou fazer conversas mais públicas — com todo mundo e sem restrições — e articular uma movimentação mais intensa. Não se paga impostos para conversar. Acrescento que nós, do Solidariedade, temos chapa para deputado estadual e federal. Nós podemos eleger pelo menos quatro deputados estaduais. Na questão da chapa para deputado federal, vai depender muito de meu projeto. Se eu disputar o governo, contribuo para eleger pelo menos um deputado federal, que pode ser o Silvio Sousa ou o Rodrigão Carvelo, de Catalão. O Solidariedade deve participar de algum chapão para deputado federal, pois são necessários no mínimo 162 mil votos para eleger um político para a Câmara dos Deputados.” Instado a comentar sobre a Chapinha, organizada por Eduardo Machado, presidente nacional do PHS, Armando disse que seu líder é um avião político. “Acredito, até, que Eduardo pode ser eleito deputado federal. Mas ressalvo que a Chapinha, se é forte para deputado estadual, pode não ser para deputado federal.”
Mas qual é o principal projeto do líder do Solidariedade? “Posso disputar o governo”, afirma.
Na opinião de Armando, o quadro está se definindo, mas não está inteiramente definido. “As próximas seis semanas serão fundamentais para as decisões políticas.”
O cenário atual aponta para quatro candidaturas mais consistentes a governador: Marconi Perillo, do PSDB, Júnior Friboi (ou Iris Rezende), do PMDB, Vanderlan Cardoso, do PSB, e Antônio Gomide, do PT. “Não é bem assim. É possível que se apresentem de três a quatro candidatos, mas um dos citados pode não ser candidato e eu posso ser incluído na lista.” Armando assinala que, devido ao número de candidatos, o segundo turno estará praticamente garantido. “No segundo turno, pode mudar muita coisa e, assim, ninguém sabe quem vai ganhar.”
O Jornal Opção perguntou: “Marconi Perillo e Vanderlan Cardoso são os mais definidos?” Armando avalia que, pelo contrário, “são os mais indefinidos. Goiás está mais indefinido do que o Rio de Janeiro. Tudo pode acontecer no nosso Estado”. Ele acrescenta: “É possível que alguns pré-candidatos sejam ‘abatidos’ em pleno voo. O jogo só está começando”.
As oposições goianas estão ouriçadas, segundo Armando, porque, pela primeira vez, o quadro “não é inteiramente favorável” ao governador Marconi Perillo. “Marconi está há 16 anos no poder, portanto com desgaste político e administrativo. Observe-se que seu índice de intenção de voto é o mesmo de rejeição e isto, como se sabe, é muito grave. Quem rejeita geralmente não muda de voto.” Mas a rejeição caiu. “Caiu, mas parece estabilizada no alto.”
Armando não deixou de comentar sobre a possível candidatura do deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) a senador. “É quase certo que Caiado dispute mandato de senador, pois já disse que não vai disputar a reeleição. É um candidato forte e pode sair sozinho para senador, mas aí não teria chapa para deputado federal e estadual. Acredito que há possibilidade de ele compor com o governador Marconi Perillo, mas não tenho informação sobre sua verdadeira posição. Acredito que Caiado vai definir de qual aliança vai participar, se participar de alguma, aos 49 minutos do segundo tempo.”
Dado seu trabalho em defesa da área de seguro, Armando está sempre no Rio de Janeiro. “Os candidatos a governador do Rio são eleitoralmente consistentes. Anthony Garotinho, Luiz Pezão, Lindbergh Farias e Marcelo Crivella são políticos conhecidos, consolidados. Garotinho lidera, dependendo da pesquisa, mas Pezão é um bom político, simples, aberto ao diálogo.”
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Ronaldo Caiado, José Eliton e Vilmar Rocha: dois deles vão figurar ao lado de Marconi Perillo na chapa majoritária na disputa de outubro | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opçã[/caption]
Há duas operações no governo de Marconi Perillo (PSDB) e entre seus aliados. Primeiro, há um grupo que, desde já, “definiu” a chapa dos sonhos — com Marconi para governador, José Eliton (PP) para vice-governador e Vilmar Rocha (PSD) para senador (curiosidade: os três são formados em Direito). Fala-se em lealdade, companheirismo e defesa do projeto da gestão do tucano-chefe. De fato, Vilmar e Eliton são respeitados por Marconi, que os considera leais e competentes. Vilmar, além da integridade ímpar, é um intelectual e, sobretudo, um político experimentado. Deputado federal por vários mandatos, tem o perfil de senador.
Eliton surpreende como articulador político hábil e com discurso afiado. Os prefeitos de Goianésia, o articulado Jalles Fontoura (PSDB), e de Rio Verde, o quase nada articulado Juraci Martins (PSD), são os templários de Vilmar.
Segundo, há o grupo que pretende bancar Ronaldo Caiado como candidato a senador na chapa do governador Marconi. O grupo não é pequeno e tem peso político. Entre seus defensores declarados estão os deputados Jovair Arantes e Magda Mofatto e o presidente regional do PSDB, Paulo de Jesus. Há muitos outros. Eles dizem o seguinte: enquanto os votos dos eleitores de Vilmar e Eliton já são de Marconi e dificilmente migrarão para outros candidatos a governador, os votos que Caiado atrairá para a coligação tucano-marconista são votos novos. “Caiado agrega valor”, diz um de seus apoiadores, que, a rigor, não tem muito entusiasmo com o deputado e presidente do DEM. “O fato é que, em política, não se discute amor, se fulano é bom ou ruim. O que importa, do ponto de vista da realpolitik, é ganhar a eleição. Com Caiado, fica mais fácil.”
Há, por fim, a possibilidade de Marconi ir para a disputa com Eliton (vice) — o jovem advogado não está fora do páreo — e com Vilmar (Senado). Caiado disputaria mandato de senador sozinho, mas com o DEM apoiando, não oficialmente, a coligação governista.

