Bastidores
O governador Marconi Perillo avalia que a educação pode torná-lo um político nacional de maneira mais exemplar. Por isso pretende fazer uma revolução no setor. O tucano-chefe quer colocar organizações sociais para cuidar das unidades de ensino do Estado. Não pretende copiar modelos, mas está de olho na charter school dos Estados Unidos. Raquel Teixeira, secretária da Educação, morou nos Estados Unidos, onde estudou, e sabe como funcionam as escolas.
O ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Marcelo Augusto é a principal aposta do PHS para a disputa da prefeitura da capital, em 2016. “O partido, que quer ganhar ‘musculatura’ em Goiás, vai lançar candidatos a prefeito em Goiânia, Anápolis (Elismar Veiga) e Aparecida de Goiânia (Veter Martins) e planeja eleger fortes bancadas de vereadores no Estado”, diz o presidente nacional do PHS, Eduardo Machado.
“Na campanha, vou ‘misturar’ os estilos de Marina Silva e Eduardo Campos. Vou discutir a baixa arrecadação da prefeitura, valorizar o serviço público e cobrar melhoria da qualidade dos serviços ao cidadão. Quero acabar com os marajás e com a corrupção nas obras”, afirma Marcelo Augusto.
Marcelo Augusto diz que o próximo prefeito vai precisar enfrentar, com coragem e competência, três coisas. “Primeiro, a questão do urbanismo. A gestão petista conseguiu desfigurar o plano diretor da cidade, que está se tornando um monstrengo. Alguns bairros estão desfigurados pela construção de edifícios excessivamente altos. Segundo, a prefeitura pode contribuir para combater a violência em Goiânia. O prefeito de uma capital não pode ser omisso, sob o argumento de que segurança pública não é um problema municipal. Terceiro, Goiânia precisa readquirir o conceito de cidade limpa e ecologicamente correta. As flores, mas flores bem cuidadas, precisam voltar a alegrar o goianiense. Hoje, apesar do discurso de sustentabilidade, a política ambiental do petismo é insustentável.”
Para debater Goiânia, Marcelo Augusto pretende recorrer a figuras nacionais, como Delfim Netto e Gaudêncio Torquato, e a grandes urbanistas, locais e de fora.
“Na minha plataforma de governo, vou introduzir a noção de orçamento direto, quer dizer, só vou fazer compromisso com obras se houver dinheiro em caixa. Pretendo propor a criação do ‘IPTU Justo’. O cidadão vai dizer à prefeitura quanto vale o IPTU de seu imóvel. Claro que há formas de verificar a exatidão das informações”, sublinha Marcelo Augusto.
Líderes de Aparecida de Goiânia disseram ao Jornal Opção que se consideram “os maiores abandonados da política de Goiás”. Eles admitem que não mostraram força na campanha de 2014 — o governador Marconi Perillo perdeu nos dois turnos no município —, mas avaliam que, como aliados, merecem ser convocados para a discussão de cargos importantes. A perda da Goiásindustrial — que será presidida por Júlio Vaz — tem sido lamentada pelos políticos do município. Eles admitem que falta uma liderança decisiva, que lute pelos interesses tanto da cidade quanto de seus políticos. O ex-prefeito José Macedo está inelegível. Ademir Menezes tem problemas com a Justiça Eleitoral. O deputado federal João Campos seria “omisso” e articularia mais para os grupos evangélicos.
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), deve ser o candidato da base marconista a prefeito de Goiânia. É inescapável. Não há outro nome. A aliança que apoia o governador Marconi Perillo parece conformada, e até animada, que o candidato está praticamente definido, mesmo a mais de um ano do pleito.
Jayme Rincón, ao mesmo tempo que se tornou um tocador de obras do primeiro time, articula como se tivesse nascido fazendo política. É sempre franco e direto nas conversas, o que tem agradado. Recentemente, dialogou com o deputado Francisco Júnior, do PSD, que tende a ser o seu vice. Chegou a aconselhá-lo a se dizer cristão, que é uma terminologia mais ampla do que católico.
O Jornal Opção pediu a um grupo de políticos — 20, de vários partidos — para apontar as revelações políticas de 2014. Eles listaram:
Adriana Accorsi/PT; Alexandre Baldy/PSDB; Daniel Vilela/PMDB; Diego Sorgatto/PSD; Francisco Júnior/PSD; Giuseppe Vecci/PSDB; José Antônio/PTB; José Eliton/PP; Lincoln Tejota/PSD; Lissauer Vieira/PSD; Lucas Vergílio/Solidariedade; Tayrone di Martino/PT; Virmondes Cruvinel/PSD; Waldir Soares/PSDB.
De um aliado do prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (foto), do PSD: “Ao contrário do que o Jornal Opção publicou, Cristóvão vai ser reeleito, e até com certa facilidade. Marcelo Melo fala muito, mas não tem a energia e a capacidade de trabalho do prefeito. Não duvide de uma coisa: Marcelo pode anunciar a desistência brevemente. Não será a primeira vez”.
Liberado pela Justiça Eleitoral, Naçoitan Leite é o favorito para prefeito de Iporá. Ele é do PSDB. Na eleição passada, ele não pôde disputar, mas contribuiu de maneira decisiva para eleger o prefeito do município. Agora, o eleito tende a apoiá-la. Fica-se com a impressão de que Iporá quer votar em Naçoitan Leite para corrigir o que avalia como uma injustiça histórica.
Segundo petistas, o PMDB estaria engessando a gestão de Paulo Garcia na Prefeitura de Goiânia. Eles acreditam que, quando o prefeito se libertar deste controle, sua administração vai deslanchar. Petistas frisam que “Iris Rezende fazia mais obras, mas de baixa qualidade. Paulo Garcia faz menos obras, mas de melhor qualidade”.
Comentário de um político mineiro: “Lula está se tornando o Itamar Franco da presidente Dilma Rousseff”. O que fazer? “Não há a menor dúvida: despachá-lo para a embaixada do Brasil em Portugal.” Assim se fez com Itamar Franco. Por que Portugal? “Porque Lula é monoglota.” Mas que tal Angola, Moçambique, Guiné-Bissau ou Cabo Verde?
A deputada federal Flávia Morais anda uma pilha de nervos. A líder do PDT trabalhou, em tempo integral, para assumir a supersecretaria de Cidadania, do Trabalho e da Mulher, mas perdeu-a para a deputada estadual eleita Lêda Borges (PSDB). Em conversas com aliados, Flávia Morais teria dito que Trindade foi a principal barreira para ela assumir a supersecretaria. Como pretende ser candidata a prefeita de Trindade, Flávia Morais terá de enfrentar o prefeito Jânio Darrot (PSDB), que, evidentemente, não quer vê-la fortalecida. O que Flávia Morais parece não perceber é que, além do deputado federal Jovair Arantes ter trabalhado para atropelá-la, o grupo de Lêda Borges, que inclui a senadora Lúcia Vânia e o deputado federal eleito Célio Silveira, além de vários políticos do Entorno do Distrito Federal, é muito forte.
O deputado estadual Marlúcio Pereira, do PTB, e Ademir Menezes, do PSDB, líderes políticos de Aparecida de Goiânia, estiveram com o vice-governador José Eliton. Foram lembrar que, apesar de o governador Marconi Perillo ter sido derrotado no primeiro e no segundo turno por Iris Rezende no município, políticos locais trabalharam em sua campanha.
O delegado Waldir Soares, depois de uma indecisão inicial, começa a procurar os líderes políticos de Aparecida de Goiânia para conversas republicanas. Eleito deputado federal mais bem votado da história de Goiás, Waldir Soares deve disputar a Prefeitura de Aparecida de Goiânia, em 2016. Ele lidera as pesquisas.
Líderes políticos de Aparecida acreditam que só terão força e presença no governo do Estado quando elegerem o prefeito do município.
Um aliado do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, afirma que, quando o peemedebista pôr o bloco na rua, tende a eleger seu sucessor. O nome que está mais cogitado é o de Euler Morais. Porém, se Euler Morais não deslanchar, Maguito pode apostar no vereador Gustavo Mendanha, do PMDB, ou no vice-prefeito Ozair José, do PT.
Há quem acredite que 2016 vai apresentar uma surpresa política: a aliança política entre o governador Marconi Perillo, do PSDB, e Vanderlan Cardoso, do PSB. Vanderlan Cardoso está sentindo a necessidade de “pertencimento”, quer dizer, de pertencer a um grupo político forte. Ele concluiu que caititu fora do bando é comida de onça, ou seja, não consegue romper a polarização entre PSDB e PMDB. Os principais aliados de Vanderlan Cardoso, como o prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira, e o presidente do PSC, Joaquim Liminha, já compuseram com o tucano-chefe. Só falta o presidente do PSB em Goiás.

