Bastidores

[caption id="attachment_29013" align="alignright" width="620"] Paulo do Vale: investigação do SUS e da Polícia Federal é exclusivamene técnica e nada tem a ver com política | Foto: Divulgação[/caption]
O médico Paulo do Vale (PMDB), ex-secretário de Saúde de Rio Verde e pré-candidato a prefeito, tenta, sem sucesso, explicar as denúncias que motivaram inquérito da Polícia Federal contra sua clínica.
Em entrevista a rádios locais, Paulo do Vale se mostrou nervoso e irritado. Disse que é vítima de perseguição, mas não conseguiu explicar por que auditoria técnica (e não política) do SUS apontou fraudes em procedimentos cobrados por ele e que não teriam sido executados. Apenas em 2014, segundo a Auditoria Nacional do Ministério da Saúde, os desvios giram em torno de R$ 300 mil. A auditoria motivou inquérito da PF, que corre em segredo de justiça na Delegacia Regional de Jataí.
As novas denúncias se somam a duas condenações sofridas por Paulo do Vale na Justiça de Goiás. Ambas por lesão ao Erário quando ele era secretário de Saúde da Prefeitura de Rio Verde. O Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas dos Municípios também investigam a gestão do peemedebista.

[caption id="attachment_68878" align="alignright" width="620"] Maguito Vilela, Daniel Vilela, Vanderlan Cardoso, Iris Rezende e Ronaldo Caiado: usando o jogo de 2016 como preliminar para o jogo decisivo de 2018[/caption]
Há dois projetos políticos e estratégicos em confronto no PMDB de Goiás — reverberando noutros partidos —, mais de fundo do que de superfície, daí a dificuldade de a imprensa percebê-los e analisá-los. E, sim, tem a ver com 2016 e, igual e fortemente, com 2018. O grupo do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, por vezes sugere, ainda que mais nos bastidores — e por meio de algumas notas sem abrangência plantadas na imprensa —, que gostaria de apoiar o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) para prefeito da capital goiana, com um peemedebista na vice. O motivo é mais tático-estratégico do que trivial: seria uma forma de garantir o apoio de um possível prefeito da maior cidade do Estado — se Vanderlan Cardoso for eleito — e de agregar uma senadora da importância de Lúcia Vânia (PSB) ao candidato do PMDB ao governo de Goiás em 2018, que tanto poderá ser Maguito Vilela quanto seu filho, o deputado federal Daniel Vilela, presidente regional do partido. Esta é uma perspectiva, mas há outra, que, como a sugerida por Maguito Vilela, articula com forças internas, peemedebistas, e forças externas, o senador Ronaldo Caiado, do DEM, e Armando Vergílio e Lucas Vergílio, do Solidariedade.
Pode-se dizer que, hoje, o ex-governador Iris Rezende e Maguito Vilela são “inimigos cordiais”. Eles se comunicam, se tratam bem e com respeito, mas seus jogos são contraditórios e distanciados. Do enfraquecimento de Iris Rezende depende a vitalidade do grupo do prefeito de Aparecida de Goiânia. Porém, se o peemedebista mais jovem — tem 67 anos — está armando seu jogo, desconsiderando a trama do peemedebista mais velho, de 82 anos, o outro lado não está parado.
Iris Rezende, se candidato a prefeito de Goiânia e, sobretudo, se for eleito, retoma parte de sua força política, mas não para que ele próprio dispute o governo, porque, se o fizer, poderá perder pela quarta vez. Ao entender que o jogo do grupo de Maguito Vilela pressupõe sua exclusão, o peemedebista-sênior firma uma aliança com o senador Ronaldo Caiado, do DEM. O democrata representa dois antídotos. Primeiro, é um aliado contra a ascensão do maguitismo. Segundo, um agregado na luta contra a hegemonia do marconismo.
Em 2018, é possível três grupos na disputa pelo governo: 1 — Maguito Vilela-Daniel Vilela-Júnior Friboi; 2 — Iris Rezende-Ronaldo Caiado-Armando Vergílio; e 3 — José Eliton-Marconi Perillo-Thiago Peixoto. Há, claro, a possibilidade de o grupo 1 compor com o 3, mas dificilmente se assistirá uma composição com o 2.

[caption id="attachment_54542" align="alignright" width="620"] Marconi Perillo, Maguito Vilela e Paulo Garcia: aliança contras as correntes mais conservadoras | Foto: Divulgação[/caption]
Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia podem ser consideradas como o Triângulo das Bermudas — lugar fatal — àquele que pretende disputar o governo do Estado. Quem for mal nos 3 lugares perde a eleição. O governador Marconi Perillo (PSDB), quando disputa com um candidato forte em Goiânia, como Iris Rezende, concentra energia em Anápolis (e amplia sua campanha no Entorno do DF) para compensar perdas eleitorais. É a política do contrapeso. Em 2018, não será diferente, mas o jogo será mais complexo.
Em Anápolis, o PT busca aliança com o PMDB, mas este sugere que vai lançar o Eli Rosa para prefeito. Se depender do prefeito de Aparecida, Maguito Vilela, a composição PMDB e PT será possível. Em Aparecida, o PT fala em lançar candidato, mas deve apoiar Maguito. Este tenta também conquistar o apoio tucano pra Gustavo Mendanha. Em Goiânia, por causa de, PMDB e PT se distanciaram, mas PT e PSDB se aproximaram. Em 2018 não será surpresa se PSDB, PMDB e PT se unirem contra uma aliança entre Iris, o DEM de Ronaldo Caiado e o SD de Armando Vergílio.

[caption id="attachment_68873" align="alignright" width="620"] Ângela Pessoa e Afrânio Pimentel: nomes fortes para a disputa em Valparaíso[/caption]
Na semana passada, um líder do Entorno de Brasília disse: “A política de Valparaíso está pegando fogo”. O que está sugerindo é que instalou-se uma verdadeira batalha no município. Inicialmente, acreditava-se que — devido ao apoio dos deputados Lêda Borges, secretária do governo do Estado, e Célio Silveira — o vereador Pábio Mossoró, anunciado, deslancharia imediatamente. Não é o que está acontecendo. Com o anúncio de que os vereadores Ângela Pessoa (PSC), que deve compor com o peemedebista Plácido Cunha; Afrânio Pimentel (PR), bancado por Sônia Chaves (pré-candidata a prefeita de Novo Gama pelo PSDB), e Marcus Vinícius (PSD) pretendem disputar a prefeitura, houve uma reviravolta política. Ângela e Afrânio se tornaram “postulantes fortíssimos”, asseguram líderes locais.

[caption id="attachment_68871" align="alignright" width="620"] Misael Oliveira e Zélio Cândido: o candidato da máquina e o postulante bancado por Vanderlan Cardoso[/caption]
Um especialista em política de Senador Canedo afirma: “Lá, contra o que sugerem as pesquisas de intenção de voto do momento, que apresentam Divino Lemes (PSD) e Alsueres Mariano (PR) nas melhores posições, com Misael Oliveira colado no segundo colocado, a tendência é que, na marca do pênalti, a disputa se dê entre o prefeito, dado o peso da máquina, e o candidato bancado por Vanderlan Cardoso. Os líderes de hoje se tornarão lanterninha em setembro”. Há a expectativa de que, se considerado ficha suja, Divino Lemes não dispute a eleição. A cúpula do PSD — leia-se Vilmar Rocha e Thiago Peixoto — aposta que o ex-prefeito será candidato e será eleito.
Acredita-se que tende a prevalecer a tese de que a sociedade de Senador Canedo está “cansada” da briga entre Misael Oliveira e Vanderlan Cardoso e, por isso, tende a bancar um postulante da terceira via — como Divino Lemes ou o médico Alsueres Mariano.

[caption id="attachment_47078" align="alignright" width="620"] Mauro Miranda e Iris Rezende | Foto: Leandro Vieira[/caption]
Convidado a explicar a “indecisão” de Iris Rezende — se disputa ou não a Prefeitura de Goiânia —, o ex-senador Mauro Miranda (leitor da obra de Ayn Rand), um dos melhores amigos do peemedebista, é peremptório: “Anote e me cobre depois — ele é candidatíssimo, mas só vai anunciar na última hora, quando não tiver mais jeito”. Por quê? “Porque, como político experiente, vai esperar o quadro político e econômico do país ficar mais ‘claro’. Com o quilo do feijão a 16 reais, o jornalista quer que o cidadão esteja mais preocupado com eleição ou com a crise econômica? Abro o Jornal Opção e leio que a Cecrisa, a Perdigão e a Votorantim fecharam as portas, respectivamente, em Anápolis, Jataí e Niquelândia. Na coluna Bastidores, leio que a Mitsubishi fez demissões em Catalão. O quadro econômico, ao menos para a população, está acima do quadro político-eleitoral. Como ex-governador, ex-ministro, ex-senador e ex-prefeito, Iris Rezende tem experiência de sobra e sabe o que faz. Ante uma crise dos políticos, que pode se tornar uma crise da política, ele está fazendo política sem dizer que está fazendo política. Portanto, insisto: é candidato, é candidatíssimo”.

O ex-senador Gim Argello, se decidir pela delação premiada, estaria disposto a mencionar, como partícipe de seus negócios, um prefeito do Entorno de Brasília. Seriam sócios em empreendimentos pouco católicos. É nitroglicerina puríssima. O prefeito pode acabar preso e isto pode provocar uma reviravolta na política do município.

Há um evidente descompasso entre as análises que fazem do pré-candidato do PR a prefeito de Goiânia, Waldir Delegado Soares, e sua permanência quase no topo das pesquisas de intenção de voto. No meio político e entre pesquisadores e marqueteiros, entre os analistas mais qualificados, não há um que não aposte contra o deputado federal Waldir Soares. Todos dizem que vai desidratar durante a campanha e que não tem experiência e competência para administrar Goiânia. Os críticos também apontam que faltam ao seu lado técnicos com experiência em gestão pública. O mais qualificado é mesmo o médico Zacharias Calil, do PMB, que tende a ser seu vice e, de algum modo, tende a contribuir para inseri-lo na classe média e entre os formadores de opinião. Tudo bem que pensem assim. É até possível que estejam com a razão. Há cerca de 30 anos, os eleitores colocaram Daniel Antônio na Prefeitura de Goiânia e foi um fracasso retumbante. Os prefeitos seguintes demoraram a recuperar a capital. Sacrificar a cidade como forma de protestar contra tudo e contra todo pode não ser um bom negócio para os cidadãos. Às vezes, beira à irresponsabilidade. Mas há um problema com as análises, ao menos em termos de popularidade. Waldir Soares “apanha” daqui e dali, é frequentemente mencionado com ressalvas, especialmente nos bastidores, mas está sempre entre os primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto. Há, por assim dizer, uma permanência, uma estabilidade (há quem afiance que está estagnado). Isto é um sinal preciso de que há sintonia entre o postulante do PR e o eleitorado de Goiânia. Fica-se com a impressão de que seu eleitorado não o abandona — é praticamente fixo. É preciso incorporar tal informação às análises.

O que gerou o descontrole demonstrado pelo médico Paulo do Vale, na semana passada, não foi apenas o inquérito da Polícia Federal, mas o fato de o processo seguir em segredo de Justiça. O fato gerou receio entre seus apoiadores de que poderia estar em curso uma operação da PF na sua clínica, o que aumentaria ainda mais o estrago que as denúncias e suas duas condenações estão fazendo com sua pré-candidatura a prefeito de Rio Verde. Não é segredo para ninguém que o PMDB já pensa em um plano B para Rio Verde, caso a candidatura de Paulo do Vale continue em queda livre. Uma eventual operação da Polícia Federal enterraria de vez suas pretensões.

Luiz Bittencourt postula que está se destacando dos pré-candidatos a prefeito de Goiânia em virtude do trabalho criativo nas redes sociais e pela radicalidade de seus projetos. O petebista frisa que “todos os candidatos repetem o mesmo script das últimas campanhas e isso será fatal neste processo, no qual o eleitor se mostra cansado da chamada ‘velha política’”.

O Solidariedade de Lucas Vergílio e o PMDB de Daniel Vilela trabalharam, noite e dia, para tentar travar a privatização da Celg. Os deputados federais Lucas Vergílio e Daniel Vilela pediram a Michel Temer que brecasse a privatização. O presidente mandou um recado duro mas polido: vai privatizar a Celg de qualquer maneira — até por que a Eletrobrás não tem condições de financeiras, no momento, de investir na sua recuperação e expansão.

[caption id="attachment_68859" align="alignright" width="620"] José Nelto com deputados da base entregando comanda para Ana Carla Abrão[/caption]
Ante o conhecimento técnico da secretária da Fazenda, Ana Carla, o deputado estadual José Nelto calou-se, na Assembleia Legislativa. A agressividade do plenário e dos blogs sumiu diante da doutora em economia pela USP, na sessão da Comissão de Tributação e Finanças. O parlamentar até que tentou, mas não conseguiu fazer nenhuma pergunta que ela não respondesse com mestria. Saia justa? Nenhuma. A secretária entrou forte e saiu gigante da AL. A favor do peemedebista: foi o único deputado da oposição que deu as caras.

Pesquisa do instituto Paraná que os políticos que são mencionados como possíveis candidatos a presidente da República na eleição de 2018 aparecem com uma rejeição gigantesca — 62,6% das intenções de voto, em média. Segundo a pesquisa, 73,4% afirmaram que não votar “de jeito nenhum” em Lula da Silva. O líder do PT é o mais rejeitados dos prováveis postulantes. O governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, é rejeitado por 62%. O tucano que perdeu para Dilma Rousseff em 2014, o senador mineiro Aécio Neves, é rejeitado por 61,9%. José Serra, do PSDB, é rejeitado por 58,2%. Marina Silva, da Rede, tem uma rejeição de 57,5%. O que a pesquisa mostra é que todos têm rejeição extremamente alta. Quer dizer, aqueles que já disputaram a Presidência, talvez por não serem mais novidades e por terem desgaste — em função de citações em escândalos (até o grupo de Marina Silva foi citado na Lava Jato) —, são altamente rejeitados pelos eleitores. O desencanto é generalizado. A pesquisa sugere, por outro lado, que há espaço para o político novo, ou seja, aquele que nunca disputou eleição presidencial e está fazendo uma administração criativa em seu Estado.
A goiana Maria Luiza Andrades Soares concluiu sua pós-graduação na área de marketing e negócios no prestigioso Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Ela foi diretora de marketing da Coca-Cola em Goiânia. O ex-senador Mauro Miranda assistiu a “formatura” da filha, recentemente, nos Estados Unidos.

José Mário Schreiner disse a um jornalista que não definiu o nome de seu candidato para prefeito de Mineiros. Há quem defenda que o presidente da Federação da Agricultura no Estado de Goiás (Faeg) deveria ser candidato, mas, segundo um tucano do município, trata-se de uma hipótese descartada. Schreiner comentou com o jornalista que uma coisa é certa: se quiser derrotar o prefeito Agenor Rezende, a base governista precisa unir-se. A divisão possibilitará a reeleição do peemedebista, que, se não é um gestor extraordinário, faz o feijão com arroz. Com uma possível divisão, como não há segundo turno, pode ser eleito com pouco mais de 35% dos votos. No momento, o PSDB banca a candidatura do vereador Ernesto Vilela, do PDT.