O MBL e o momento político do país

O grupo não teme discordar e debate com sua base de seguidores, de forma transparente, os problemas do país, ao mesmo tempo que apresenta soluções

Ana Carla Maia

Nascido durante a luta pelo impeachment de Dilma Rousseff, no ano de 2014, o Movimento Brasil Livre é o protagonista maior de um momento de descoberta da identidade política do cidadão brasileiro, que por décadas se via desarticulado e perdido, falsamente representado por agremiações políticas de esquerda e sem eco nem voz na grande imprensa.

O aparelhamento de instâncias representativas da sociedade civil, tais como sindicatos, entidades estudantis e igrejas determinou o isolamento político do cidadão médio, que, ensimesmado, resmungava consigo mesmo e para os próximos seu desconforto com a corrupção, a taxação, os impostos escorchantes, os serviços públicos pífios — em suma, o “estado das coisas”.

Nesse triste cenário de aridez representativa, a conectividade advinda dos novos meios de comunicação em rede — em especial veículos como o Facebook e o WhatsApp — fizeram o que muitos consideravam impossível: permitiram a formação de uma estrutura orgânica de militância e debate, oferecendo voz à indignação outrora silenciada. O Movimento Brasil Livre se encaixa como vanguarda nesse fenômeno, oferecendo não apenas estrutura política e militância, mas linguagem, estética e comunicação ágil e rápida sobre os fatos políticos relevantes no país.

O Movimento, porém, não se resume ao trabalho de ecoar tais angústias; é, antes de tudo, um grupo político propositivo, com agenda clara e por muitas vezes polêmica. Defensor aguerrido de uma agenda liberal de reformas para o país, foi protagonista do debate recente acerca da PEC do Teto e das reformas Ttrabalhista e da Previdência, sendo que na última apresentou ao Congresso emenda com seu próprio modelo de reforma.

E é aí que reside a grande virtude do grupo: a de não temer discordar e debater com sua própria base de seguidores, de forma clara e honesta. Muitos foram os que se opuseram à agenda reformista do MBL — em especial ao caso da Previdência —, mas o grupo levou suas ideias à frente e ofereceu o amplo debate. Do ponto de vista democrático, todos saíram vencedores.

O tempo dirá qual terá sido o papel do Movimento Brasil Livre nas rápidas mudanças culturais e políticas que o país vem passando. Veloz em sua ação transformadora e fiel a seus princípios, o grupo calou até o momento todos aqueles que deram por encerrada sua jornada política; muitos disseram que ele acabaria após o impeachment ou as eleições municipais de 2016.

Deram com a cara na parede. Diante da inconformidade dos detratores, de setores da imprensa e de invejosos de plantão, o MBL cresce torna-se cada vez mais influente, devendo ser um ator decisivo nas eleições majoritárias que se aproximam. E é com esta ambição — a de influenciar a política por um Brasil mais Livre — que o movimento segue em frente, de cabeça erguida e sabedor de sua importância.

Ana Carla Maia é coordenadora do MBL Goiás.

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Paulo Ricardo Dias

Movimento Boquinha Livre