Iris Rezende cria estrutura pra Caiado na prefeitura e não abre espaço pra Daniel Vilela

Estrutura que move a pré-campanha do líder do DEM deriva do Paço Municipal e o emedebistas é excluído

Ronaldo Caiado, Iris Rezende e Daniel Vilela: se atos e gestos valem mais do que palavras, é óbvio que o prefeito de Goiânia caminha, salamaleque à parte, mais com o senador do DEM do que com o deputado federal

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, é um político que mantém uma relação turbulenta com seus aliados. Vários políticos deixaram o MDB porque ousaram confrontá-lo. A lista é longa: Mauro Borges, Henrique Santillo, Nion Albernaz, Marconi Perillo, Fer­nan­do Cunha, Lúcia Vânia. Nas suas pro­ximidades, sustentam ex-aliados, não nasce nem grama, mas prolifera erva daninha. Articulador hábil e duro, em 1998, impediu a candidatura de Maguito Vilela, então governador, à reeleição. As três vitórias do governador Mar­co­ni Perillo, do PSDB, contra Iris Re­zen­de, em 1998, 2010 e 2014, liber­taram as forças produtivas do MDB. Tanto que, quando Iris Rezende bancou Nailton Oliveira para presidente do partido, o deputado federal Daniel Vilela decidiu enfrentá-lo. Ao derrotar Nailton Oliveira, um preposto, o jovem emedebista derrotou, na verdade, o decano emedebista. Nascia ali uma espécie de Marconi Perillo do MDB — um político que desafiara e vencera o mais longevo líder do partido em Goiás.

Iris Rezende costuma dizer que não trai e que só apoia candidatos do MDB. É uma questão de interpretação. Há quem, no partido, considere que, apesar dos arroubos da semana passada — o emedebista “garantiu” que vai apoiar Daniel Vilela para governador —, o decano da política de Goiás não demonstra, na prática, que não trabalha para o pré-candidato do DEM a governador, senador Ronaldo Caiado.

Na política, gestos dizem mais do que palavras. Sob pressão dos prefeitos do MDB, cerca de vinte, Iris Rezende reafirmou que vai subir no palanque de Daniel Vilela em outubro. No entanto, os prefeitos que gravitam em torno do alcaide da capital — Adib Elias, de Catalão, Ernesto Roller (ganha um desconto: é parente de Ronaldo Caiado), de Formosa, Renato de Castro, de Goianésia, e Paulo do Vale (caiadista inveterado e assumido), de Rio Verde — estão todos trabalhando, aberta e diretamente, para o senador do DEM. Iris Rezende, como líder do grupo, poderia “segurá-los” ou mantê-los afastados do postulante do partido Democratas. Mas não se move.

O principal articulador dos encontros de Ronaldo Caiado no interior é o irista Samuel Belchior. No interior, o ex-deputado estava falando, de maneira acintosa, que havia sido enviado por Iris Rezende. Tanto que o prefeito de Goiânia teve de repreendê-lo. “Estava ‘dando na cara’”, afirma um deputado vilelista.

Mais grave: a estrutura mínima que move a pré-campanha de Ro­naldo Caiado está parcialmente ins­talada no Paço Municipal. Os líderes dos pequenos partidos que apoiam o senador estão empregados na Prefeitura de Goiânia ou indicaram aliados para cargos de relativa importância. O PSDC, de Alexandre Magalhães, o PMN, de Eduardo Macedo, e o PV, de Eduar­do Zaratz, ocupam posições de proa na gestão municipal. Os três partidos, por sinal, apoiam o líder do DEM. Anna Vitória, filha de Ronaldo Caiado, é a procuradora-geral do Município.

Pois bem: se Ronaldo Caiado tem uma estrutura no Paço Muni­ci­pal, por qual motivo Daniel Vi­lela não indicou ne­nhum secretário de Iris Rezende? Simples: não é, na prática — só na teoria —, o candidato do alcaide a governador de Goiás.

Deixe um comentário

Que ótimo!!! Daniel e o Pai são dois petista disfarçados de PMDB, …corruptos , covardes , ingratos e prepotentes. Goiás não merece isso !!