O presidente Lula da Silva, do PT, “não” gosta do ex-deputado Luis Cesar Bueno e, por isso, não o quer como candidato a governador de Goiás pelo Partido dos Trabalhadores?

Quem acredita nisto não sabe nada da cabeça absolutamente pragmática de Lula Silva — presidente por três mandatos e com alta possibilidade de obter um quarto.

Na verdade, Lula da Silva nada tem contra Luis Cesar Bueno. Ele está de olho, isto sim, nos números de Goiás. Quais números?

Políticos de ponta, como o petista-chefe, não têm ódios nem amores. O que adoram mesmo é o realismo absoluto, filho dos números.

Então, Lula da Silva está de olho nos números de 2022 e nos números de 2026, estes, obviamente, não concretizados, mas sugeridos pelas pesquisas de intenção de voto.

Em 2022, há quase quatro anos, Lula da Silva foi eleito presidente da República, com 60.345.999 votos — derrotando Jair Bolsonaro, do PL, que obteve 58.206.354 votos. A diferença entre os dois foi de 2.139 votos (1,8 pontos percentuais). Como se diz em Garanhuns e Glicério, a vitória do petista se deu por um beicinho de pulga.

Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro Foto de Marcos Corrêa e Presidência
Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro: o ex-presidente ganhou de Lula em Goiás, em 2022 | Foto: Divulgação

Em Goiás, Jair Bolsonaro ganhou de Lula da Silva, ao conquistar 2.193.041 votos (58,71%). O petista ficou em segundo lugar, com 1.542.115 votos (41,29%). A diferença pró-candidato do PL foi de 650.926 votos.

De alguma maneira, Goiás contribuiu para a vitória petista. Mesmo ele não tendo conquistado maioria no Estado.

Goiás: quadro adverso para Lula

Mas o quadro de 2026 não é positivo para o presidente da República. Porque, com a entrada de Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente pelo PSD, ele caiu para terceiro lugar, atrás também de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL. Pode, dependendo da circunstância, obter menos votos do que em 2022.

Atento aos números, Lula da Silva verificou que eleitorado de Goiás subiu, em 2026, para 5.081.043. Como fazer para conquistar parte substancial deste eleitorado?

Claro, as “bondades” do governo federal — como a facilidade para comprar veículos elétricos (taxistas e motoristas de aplicativos estão adorando) — tendem a ajudar o postulante petista. Ainda assim, ele não aparece muito bem nas pesquisas de intenção de voto em Goiás.

Por isso, e não por amor ou por ódio, Lula da Silva opera para descartar a candidatura de Luis Cesar Bueno e impor a da deputada federal Adriana Accorsi, que não quer, de jeito nenhum, disputar. Porque sabe que, se postular o governo, tende a passar quatro anos sem mandato. Se o petista-chefe ganhar, vira ministra? É provável. Se perder, terá de se contentar em voltar a trabalhar como delegada da Polícia Civil (umas das melhores, por sinal).

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Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado: os dois estão deixando Lula da Silva para trás em Goiás | Fotos: Reproduções

Deputada categorizada e popular, com dois mandatos, Adriana Accorsi, assim como Lula da Silva, está agindo com absoluto pragmatismo. Ela está pensando no seu projeto pessoal. O que é inteiramente legítimo.

Político de valor, Luis Cesar Bueno aparece, no entanto, com apenas 5% das intenções de voto — por isso, na avaliação dos luas-vermelhas do PT nacional, não ajuda o presidenciável Lula da Silva. Estaria “atrapalhando”.

Adriana Accorsi, pelo contrário, aparece nas pesquisas de intenção de voto com pelo menos 10%. Por isso seu “palanque” ajudaria Lula da Silva a obter mais votos em Goiás. Ao menos em tese. Mas o presidente ajudaria a campanha da parlamentar? Talvez muito pouco. Daí a resistência dela. É uma questão de lógica e, insistindo, realismo.

A deputada acusa políticos e jornalistas (que só registram os fatos) de machismo ao supostamente pressioná-la para disputar o governo do Estado. Quando foi candidata a prefeita de Goiânia, duas vezes, não houve nenhuma pressão machista? Eram todas libertárias?

Mas a pergunta de 13 milhões de yuans é outra: Lula da Silva, ao tentar impor Adriana Accorsi como candidata a governadora, está sendo machista? Se está, é possível dizer que o petista-chefe é machista? É o que se depreende da fala de Adriana Accorsi, que está criticando a consequência e deixando de observar a origem verdadeira das informações (de que deve ser candidata a governadora).

Luis Cesar Bueno: hoje é o único do PT que quer realmente disputar o governo | Foto: Leoiran/Jornal Opção

Aava Santiago e Luis Cesar Bueno

Como fica habilidosa Aava Santiago? Por enquanto, é candidata a deputada federal, pelo PSB. Pode ser candidata a senadora na chapa dos aliados do PT? Até pode. E a governadora do Estado?

Mas, se Adriana Accorsi não quer, por que ela terá de ir para o sacrifício e disputar o governo? Quem atenderá Lula da Silva: Aava Santiago ou Adriana Accorsi? Ou nenhuma das duas?

Aava Santiago poderá disputar o governo com o apoio do PT? Não se sabe.

Mas, observador atento da política e de seus valores, Lula da Silva viu alguma coisa de extraordinário na vereadora evangélica.

Luis Cesar Bueno, se for mesmo candidato a governador, vai enfrentar a seguinte crítica: poderá ser apresentado, por adversários, como o postulante que nem Lula da Silva quer.

No momento, Luis Cesar Bueno é chamado pelos companheiros de “voluntário Luis Cesar”. Porque ele quer ser candidato a governador e avalia que tem chance de ajudar o presidente.

O ex-deputado não teme perder e avalia que vital mesmo é a reeleição de Lula da Silva. Por isso, na avaliação de seus aliados, projetos pessoais precisam ser deixados de lado em virtude do projeto maior. Uma derrota do petista-chefe pode representar uma debacle histórica para o PT em todo o país. (E.F.B.)