O discurso-abobrinha, supostamente ancorado em pesquisas de intenção de voto mal-ajambradas, às vezes cola e, por isso, fica sendo repetido ad nauseam.

Zacharias Calil: o deputado federal é pré-candidato a senador pelo MDB | Foto: Jornal Opção

Recentemente, numa conversa entre dois deputados, na presença de um repórter, o tom era este: o deputado federal Zacharias Calil, do MDB, pode ser eleito senador devido ao “fato” de absorver o segundo voto de outros candidatos, “talvez” da maioria deles.

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Gustavo Gayer: o deputado federal é a aposta do PL para senador | Foto: Câmara dos Deputados

Se a pesquisa diz isto está mais próxima de adivinhação do que de ciência (e, mesmo falha, pesquisa é ciência). Na verdade, Zacharias Calil dificilmente terá o segundo voto da maioria dos postulantes ao Senado. De fato, pode conquistar o voto de uma vasta gama de eleitores, mas isto não significa que se trata necessariamente de segundo voto.

Vanderlan Cardoso: o senador é a aposta do PSD | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

O ambiente eleitoral de 2026 é altamente competitivo, com 10 pré-candidatos a senador (e pode surgir mais ou ao menos um pode sair do páreo): Aldo Arantes (PC do B), Benedito Torres (PSDB), Gracinha Caiado (União Brasil). Gustavo Gayer (PL), Gustavo Mendanha (PRD), Isaura Lemos (PSB), Iure de Castro (Cidadania), Jalles Fontoura (PSDB), Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil.

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Iure de Castro: procurador é o postulante indicado pelo Cidadania | Foto: Rafael Messias/Jornal Opção

De quem Zacharias Calil vai ter o segundo voto? Difícil dizer. Ao menos de Isaura Lemos, Aldo Arantes, Iure de Castro, do espectro da esquerda, o parlamentar, por certo, não absorverá votos. Porque o deputado é integrante da direita bolsonarista. A federação PSDB & Cidadania terá dois candidatos — um deles é Iure de Castro — e, dependendo do perfil, o segundo voto de ambos pode ser dado a candidato de esquerda ou de centro.

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Isaura Lemos: a ex-deputada estadual deve disputar mandato no Senado pelo PSB | Foto: Jornal Opção

A força de Gracinha Caiado

Há outro aspecto não devidamente examinado pelo mercado persa da política e pela mídia.

A pré-candidata do União Brasil, Gracinha Caiado, aparece nas pesquisas de intenção com cerca de 35%. Por que o número deve ser considerado muito alto? Sobretudo por causa do grande número de pré-candidatos.

Aldo Arantes: pré-candidato a senador pelo PC do B | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

O dado mostra também que a ex-primeira-dama, mulher do ex-governador Ronaldo Caiado, descolou dos demais postulantes. Nenhum deles chega a 30%. Aliás, não chegam a 25%.

A força de Gracinha Caiado advém sobretudo de, ao lado de Ronaldo Caiado, ter contribuído para fazer um governo inovador e que apostou alto no social, além de segurança pública.

Portanto, contrariando o discurso-abobrinha da Babilônia, Gracinha Caiado parece que está absorvendo o segundo voto de quase todos os candidatos. E, na campanha, poderá conquistar muito mais.

A vinculação forte de Gracinha Caiado à rede de proteção do governo fará, decerto, a diferença. As pesquisas, ao menos no momento, não captam isto com precisão. Mas um dado, o de 35%, já ressalta sua popularidade e aprovação. (E.F.B.)