Caiado, o democrata humanista contra o fascismo

A diferença de ter um governador que se importa com as pessoas — inclusive as que não se importam consigo mesmas e com as outras

Nilson Gomes

A história de Goiás é marcada por diversos momentos emblemáticos, como Pedro Ludovico visitando o ermo que transformaria em Goiânia, Belkiss Spencière ao piano, Cora Coralina curvada na janela de sua casa, Bernardo Élis tomando posse na Academia Brasileira de Letras. E neste domingo, 15 de março, a saúde pública produziu as cenas que farão as próximas gerações se orgulharem da atual: o governador Ronaldo Caiado defendendo a integridade física de algumas pessoas que não se preocupam com a coletividade.

As filmagens mostram o médico Caiado — especializado na França do cientista Louis Pasteur — alertando acerca do risco de contágio. E uma meia dúzia de manifestantes vaiando a própria sandice.

Ronaldo Caiado é médico, especializado na França, e sabe do que está falando  | Foto: Fernanda Santos/Jornal Opção

Aparecem nos frames sindicalistas e de outros indivíduos, provando novamente que a falta de informação da direita é tão boboca quanto a de esquerda.

Ali não está somente um governante ou um renomado profissional de saúde. Está ali um ser humano preocupado com os demais seres. Está ali uma pessoa que cuida de outras. Está ali alguém que nos defende até de nós mesmos. Esse alguém, coincidentemente, é um médico que chegou à chefia do Executivo estadual. E foi às ruas, mais uma vez, cumprir seu dever de cidadão, ainda que correndo risco contra quem sequer sabe o que é cidadania.

Os mal informados portam faixas pedindo a volta do regime militar, enquanto vaiam o governador. Ronaldo Caiado fez a sua carreira política inteira na democracia, ocupando cargos 100% levado pelo sufrágio popular. No voto, sim; na marra, não.

Os vídeos mostram também rostos conhecidos e anônimos, um grupo de pessoas que combate as instituições. Alguns desejam o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Bradam pelo impeachment de ministros. Em resumo, o analfabetismo político da direita é rigorosamente igual ao da esquerda. Fascistas e comunistas se equivalem na desumanidade e, grave, na falta de informação.

Médico aplaudido internacionalmente, Ronaldo Caiado insiste para que os manifestantes se preservem. Eles permanecem pedindo não somente o ocaso da Corte Suprema e do Parlamento, mas da própria vida, pois o novo coronavírus é fácil de se espalhar e tem alta letalidade.

Por sua idade, 70 anos, Ronaldo Caiado se expôs ao ir à via pública defender os mal informados — e, até, mal intencionados — deles mesmos. Arriscou a própria pele e na memória da epiderme estará o grito da malta enlouquecida desafiando um mal cuja única vacina é a conscientização. É disso que a administração precisa: de um gestor preocupado até com quem talvez não valha um espirro.

Nilson Gomes é jornalista.

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