Por Redação

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Mariza Santana
Dificilmente retorno imediatamente ao mesmo autor depois de ler um livro de sua autoria. Mas, com o escritor turco Orhan Pamuk, a situação foi diferente. Logo que fui apresentada à sua obra, por meio do romance “O Museu da Inocência”, me vi inteiramente enfeitiçada pela sua literatura de qualidade e com uma vontade enorme de mergulhar em suas novas narrativas. Depois do livro de memórias “Istambul”, o romance “O Castelo Branco” (Companhia das Letras, 200 páginas, tradução de Sergio Flaksman) é o terceiro livro de Pamuk que li em um curto período. E o escritor, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006, não decepciona.
“O Castelo Branco” é escrito na primeira pessoa, tendo como protagonista um acadêmico veneziano que foi feito cativo pelos turcos no século 18. Negando a se converter ao Islã, ele tem a vida poupada pelo sultão, mas é dado como presente ao um estudioso turco, chamado Hoja. E, embora oriundos de localidades tão diferentes, ambos têm muito em comum: a aparência e o interesse pela ciência e pela busca do conhecimento. Como homens estudiosos de seu tempo, faziam estudos sobre a natureza e os astros, escreviam tratados e inventavam narrativas para entreter e conquistar a simpatia do sultão.
O relacionamento dos dois homens, inicialmente como senhor e escravo, vai se modificando ao longo do tempo para uma espécie de irmandade. Eles se reúnem para escrever, discutem temas filosóficos e fazem desafios psicológicos. Chega a um ponto em que, olhando juntos no espelho, já não sabem quem é quem. O ocidental, aos poucos, vai perdendo as referências do passado e começa a tomar gosto pela vida de Istambul. O oriental tem curiosidade sobre as coisas do Ocidente e fica transtornado ao não saber responder com precisão à pergunta: quem sou eu? Ele busca angariar alta posição na corte do sultão, ao prometer construir uma arma bélica de grande porte, capaz de vencer todas as batalhas, mas que se mostra uma enorme quimera.

Assim, no convívio cotidiano desses dois homens estudiosos, o veneziano e o turco, e diante das intrigas da corte do sultão, o romance “O Castelo Branco” vai se desenvolvendo, sendo que às vezes um deles cai nas graças do supremo poderoso de Istambul, e depois o outro é agraciado com as benesses do sultão. Mas as descobertas e os tratados não têm mais uma única autoria, são realizados a quatro mãos, assim como suas personalidades e sonhos vão se misturando, às vezes em oposição, outras em atração. Essa é a alegoria adotada por Pamuk para mostrar a identidade turca, que apresenta momentos de busca da modernidade ocidental e outros de culto às tradições culturais do Oriente.
Istambul, situada na divisa entre Ocidente e Oriente, ainda hoje tem essas peculiaridades, apesar do fim do Império Otomano e do surgimento da Turquia moderna. E ninguém consegue traduzir melhor esse sentimento do povo turco do que Orhan Pamuk, mesmo que seja por intermédio de um romance ambientado no século 18. O vigor de sua literatura é cativante, e nos faz ter vontade de revisitar essa cidade misteriosa, que já foi Constantinopla e Bizâncio, palco de tantas guerras e tanta história da humanidade. Na minha lista de desejos literários permanecem outras obras do escritor turco para serem lidas, porque no momento sou eu cativa de sua força criativa.
Orhan Pamuk nasceu em 1952, em Istambul, na Turquia. Atualmente, é o escritor turco de maior sucesso comercial de seu país, com trabalhos traduzidos para mais de 50 línguas. Também tem forte ativismo em favor das minorias perseguidas em seu país, o que tem lhe rendido dificuldades diante do regime de Recep Erdogan.
Mariza Santana é crítica literária. E-mail: [email protected]
Leia sobre o livro Istambul, de Orhan Pamuk

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