Por Euler de França Belém
O deputado federal Alexandre Baldy tem sido elogiado por Michel Temer e Eduardo Cunha como uma articulador de primeira linha. Numa roda de aliados, Temer teria dito, em virtude da juventude do presidente do PTN em Goiás: “É o mascote do impeachment”.
Incansável na articulação, sugerindo que nasceu para fazer política e não cuidar de negócios, Alexandre Baldy trabalhou em tempo integral para convencer o Pros, dirigido pelo goiano Eurípedes Júnior, a apoiar o impeachment.
Alexandre Baldy mostrou dados e sugeriu que o nome do futuro é Michel Temer e que o nome do passado é Dilma Rousseff. Convencido, Eurípedes Júnior desembarcou do governo federal e declarou apoio ao impeachment da petista.
Goianos que visitaram Palácio do Jaburu, na semana passada, chegaram a perguntar, em tom jocoso: “É a festa de Trindade, a romaria começa aqui?” Ante um Michel Temer atônico, os políticos, sobretudo Sandro Mabel, esclareceram do que se tratava. Aí o vice-presidente da República riu com vontade. A cerimônia do beija-mão, no Palácio do Jaburu, impressiona. Consta que até um petista apareceu por lá, meio desconfiado. Já no Palácio do Planalto e no Palácio Alvorada, o clima é de velório. A presidente Dilma Rousseff anda cabisbaixa. Ela, que não é corrupta, em termos financeiros, lamenta ter de deixar o governo com a imagem negativa, mas avalia que a história lhe fará justiça.
Organizador do maior encontro de muladeiros da América Latina, que reúne mais de mil pessoas, o produtor rural Naçoitan Leite é apontado como favorito para a disputa da Prefeitura de Iporá. Mas enfrenta uma oposição consistente de um professor e de um ex-prefeito. O problema de Naçoitan Leite é que o prefeito de Iporá, um primo, é mal avaliado. Para piorar, os opositores afiançam que o tucano é o prefeito de fato. “Por que ‘reelegê-lo’ se a gestão vai mal?”, pergunta um ex-prefeito.
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Jardel Sebba | Foto: reprodução / Facebook[/caption]
O deputado estadual Adib Elias (PMDB) tem o hábito de dizer que, segundo as pesquisas, já está praticamente eleito prefeito de Catalão.
Uma pesquisa divulgada pelo “Diário da Manhã”, com 400 entrevistas, registrada na Justiça Eleitoral em 8 de abril sob o número 02068/2016 e feita pelo Instituto Tocantins Market, sugere outra possibilidade. O levantamento foi feito de 6 e 8 de abril, com margem de erro de 4,9 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo a pesquisa, o prefeito Jardel Sebba (PSDB) lidera, com 33% das intenções de voto dos eleitores de Catalão. Adib Elias aparece com 31%.
Adversários de Adib Elias ressaltam que o peemedebista, como tem contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), pode se tornar ficha suja e, por isso, pode não ter condições de disputar a Prefeitura de Catalão.
Numa visita ao Jornal Opção, Adib Elias disse que não é ficha suja e que vai disputar a prefeitura.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, falou com o vice-presidente Michel Temer, no Palácio Jaburu, durante mais de meia hora, na semana passada. Michel Temer disse que, se entronizado na Presidência da República, vai atender os pleitos do governo de Goiás. Hoje, Lula da Silva trabalhar para atrapalhar a privatização da Celg.
O tucano Marconi Perillo e o deputado federal Thiago Peixoto (PSD), ao visitarem Michel Temer, no Palácio Jaburu, em Brasília, encontraram-se com Sandro Mabel. O ex-deputado articula tanto para o vice-presidente quanto para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Todos do PMDB. Sandro Mabel é cotado para a chefia da Casa Civil de um provável governo de Michel Temer.
Goiás está bem na fita nacional. Se Michel Temer assumir o governo, como vai precisar de uma base parlamentar sólida — o PT lhe fará oposição —, abrirá espaços amplos para o PSDB. Se for criado o Ministério da Segurança Nacional, o vice-governador de Goiás e secretário da Segurança Pública, José Eliton, pode ser convocado para chefiá-lo. O senador Ronaldo Caiado, do DEM, é cotado para o Ministério da Agricultura, substituindo Kátia Abreu, do PMDB. Curiosamente, José Eliton, do PSDB, e Ronaldo Caiado devem se enfrentar em 2018 na disputa pelo governo do Estado.
Emplacado Michel Temer na Presidência da República, se Dilma Rousseff cair, Eduardo Cunha tende a renunciar à presidência da Câmara dos Deputados.
O mais cotado para substitui-lo é Jovair Arantes — chamado em Brasília de Jovadeus, por ter elaborado o relatório que pede o impeachment da petista —, mas o parlamentar goiano também é cotado para um ministério.
Apontado como possível ministro, Marcelo Melo (PSDB), ligadíssimo a Michel Temer, prefere disputar a Prefeitura de Luziânia. Com o apoio dos deputados Célio Silveira (PSDB) e Diego Sorgatto (PSB), é mencionado como favorito.
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Daniel Vilela ministro? | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Na cota do PMDB goiano, o deputado federal Daniel Vilela é mencionado como ministeriável.
O deputado federal Pedro Chaves não foi mencionado. Mas é respeitado por Michel Temer. Agora, quando ouve o prenome “Iris”, o vice-presidente confidencia que olhos ardem...
A tendência é que Goiás tenha de um a dois ministérios. Não mais do que isto. O motivo? O Estado não tem um eleitorado do tamanho de São Paulo e Minas Gerais. Mas há um detalhe que conta: a bancada é razoável. Michel Temer queria saber, na passada, quantos deputados federais seguiam a orientação do governador Marconi Perillo. Ouviu que são 13. “Quem bom!”, teria exclamado.
De um deputado petista: “O deputado Roberto Balestra pode votar contra o impeachment”. O parlamentar do PP tem sugerido a aliados que vai votar pelo impeachment. Roberto Balestra nunca foi entusiasta do governo do PT.
O padre Robson, que dirige as matrizes de Campinas e de Trindade, é apontado como um fenômeno religioso e administrativo. Dois assistentes sociais dizem que, apesar da boa intenção, a casa de apoio que montou em Campinas poderia funcionar de maneira mais adequada. Está servindo apenas café da manhã, das 7 às 8h30. Moradores de rua cobram uma ajuda mais consistente. Almoço, pelo menos. O papa Francisco quer uma igreja mais engajada, na prática, na defesa dos pobres. Mas não se trata de defesa ideológica, e sim apoio mesmo. Na semana passada, nas proximidades da matriz de Campinas, um homem — mendigo e alcoólatra, aparentemente — passou mal, outro homem massageou seu peito. Mas ele acabou morrendo antes da assistência do Samu chegar.
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Presidente Dilma Rousseff | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado[/caption]
1 — Guia cultural em Cuba — Raúl Castro, amigo de José Dirceu, não faria a descortesia de não contratá-la.
2 — Bedel da escola para presos da Papuda, em Brasília. O governador Armando Rollemberg, de esquerda, certamente lhe daria um cargo comissionado.
3 — Malabarista de circo. A presidente não é muito ágil, mas o emprego, dada a quantidade de gente nas ruas fazendo malabares, parece ser certo.
4 — Consultora do MST e do Movimento Pela Casa Própria. Inclui palestras, mas não remuneradas.
5 — Recuperadora de créditos para empreiteiras como Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez.
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Dilma Rousseff: pelo jeito, não fica desempregada | Foto Lula Marques/Agência PT[/caption]
6 — Dirigente de ONG em defesa da Amazônia, do Cerrado e contra o desaparecimento do pequi.
7 — Conselheira de Nicolás Maduro, de Evo Morales e de Rafael Correia. Remunerada.
8 — Porta-voz de manicômio — desses que, chiques, ganham o nome de clínica.
9 — Carregadora de pasta de Lula da Silva. Terá de usar capacete para evitar os cascudos.
10 — Leoa de chácara de boate. Com sua cara fechada, de poucos amigos, nem precisará usar a força.
Leonardo da Avestruz é assim chamado por algumas pessoas remetendo a um episódio triste que levou Goiás às manchetes nacionais: a Avestruz Master, que vendia aves de papel prometendo lucros estupendos. Quando o esquema ruiu, cerca de 40 mil famílias foram prejudicadas. Apenas na cidade que sediava o grupo, Bela Vista, mais de 2 mil famílias choraram a perda, até, da casa em que moravam. Uma década depois, o escândalo volta à tona porque um clã que representava a empresa, o do ex-prefeito Vanderlan Celso e Silva, lançou candidato a prefeito da cidade. O governador Marconi Perillo e o secretário José Eliton não sabem, mas Leonardo da Avestruz saiu do DEM no fechar da janela do troca-troca partidário e entrou no PSDB. Trata-se de um empresário que construiu sua fortuna desde a época, mas também agora, por fornecer para o Laticínio Piracanjuba, dirigido por seu amigo Pereira do Laticínio. Leonardo será o candidato do prefeito de Bela Vista, Eurípedes do Carmo, que é irmão de Luiz Carlos do Carmo, primeiro-suplente de Ronaldo Caiado. Portanto, além de lembrar a atrocidade financeira da Avestruz Master, a filiação de Leonardo ganhou o ingrediente do caiadismo tucano: se hipoteticamente Ronaldo Caiado se eleger governador, o irmão do padrinho de Leonardo será senador. Pode ser a última tarefa de Sérgio Cardoso, o hábil articulador político do governo, antes de ser nomeado conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios: combater o tucano-caiadismo ou liberar a traição geral e irrestrita. Ao passar o relato a um repórter do Jornal Opção, um governista enviou mensagem no WhatsApp: “Se o irmão do suplente do maior adversário do governador pode mandar num diretório do PSDB, e é o que acontece com Eurípedes do Carmo em Bela Vista, então Giuseppe Vecci pode ser vice de Iris Rezende em Goiânia e Gustavo Sebba pode ser companheiro de chapa de Adib Elias em Catalão”. Puro nonsense kafkiano. Exageros à parte, a situação de Bela Vista é realmente única. E isso não é culpa da Avestruz Master. Pelo menos isso, não. Ufa!

