Por Euler de França Belém
Ameaçada de expulsão pelo poderoso chefão do PDT, Carlos Lupi, a deputada federal Flávia Morais, que votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, recebeu convite do governador de Goiás, Marconi Perillo, para voltar ao PSDB. “Com direito a tapete vermelho e banda de música”, afirma um tucano de bico eradíssimo. O problema é que, se perder o comando do PDT no Estado, Flávia Morais e seu marido, George Morais, perdem cacife político. A parlamentar tem tempo de televisão e fundo partidário para fazer política. Se expulsa, na avaliação de um aliado, “terá de gastar muita sola de sandálias para se manter viva na política goiana, que é uma verdadeira selva”.
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Foto: Marco Monteiro[/caption]
Com o desgaste de Aécio Neves, que alguns chamam de Aécio “Delação Premiada” Neves, e de Geraldo “Merenda Escolar” Alckmin, os dois tucanos que eram os mais cotados para disputar a Presidência da República em 2018, a cúpula nacional tem pressionado o governador de Goiás, Marconi Perillo, a assumir, em definitivo e de modo enfático, que acalenta um projeto nacional.
Tal projeto, obviamente, é disputar a Presidência da República. Porém, como não se deixa se contaminar pela vaidade, o tucano-chefe sempre responde com o máximo de serenidade que, além de cedo, precisa focar na gestão do governo de Goiás. A política, assinala, deve ficar para mais tarde. Ele pensa mais em Goiás e no Brasil do que em projetos pessoais. Mas, de fato, tem interesse num projeto político nacional.
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Foto: divulgação/ FacebookG[/caption]
Magda Mofatto é deputada federal, mas, antes de tudo, é empresária. Havia decidido pelo impeachment, mas, levada por Valdemar Costa Neto — o presidente do PR que usa tornozeleira eletrônica devido à condenação pelo envolvimento na corrupção do mensalão —, foi recebida pela presidente Dilma Rousseff.
Depois de uma conversa candente — lágrimas contidas com certo esforço —, a petista Dilma Rousseff quase convenceu a presidente do PR em Goiás a não votar pelo impeachment.
Mas as pressões das ruas e, sobretudo, das redes sociais levaram Magda Mofatto a, na marca do pênalti, votar pelo impeachment. A presidente Dilma Rousseff teria jurado vingança eterna.
Marqueteiros e pesquisadores do primeiro time assinalam que o deputado federal Waldir Delegado Soares, pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PR, continua pregando para os “convertidos”. Os especialistas avaliam que, se não formular um discurso para setores mais amplos, sobretudo da classe média, dificilmente irá para o segundo turno. Tende a estagnar nos 20%, ou mesmo a cair para patamares bem mais baixos, durante a campanha. Recomenda-se que é hora, portanto, de pregar para os não convertidos, de conquistar votos novos. Waldir Soares precisa entender, com apuro, que a votação de um deputado é muito diferente da votação de um candidato a prefeito. Ele está trabalhando em 2016 como se a eleição fosse a mesma de 2014. São muito diferentes.
O pré-candidato do PSDB a prefeito de Goiânia, Giuseppe Vecci, vai falar aos candidatos a vereador do PHS no dia 11 de maio, às 19h30, na Assembleia Legislativa. Vai apresentar suas ideias para modernizar a capital. Os humanistas vão sabatiná-lo.
Deputados de todo o país estão impressionados com Alexandre Baldy, que todos chamam de deputado-ostentação, dada sua vaidade extremada. Segundo um colega, de 30 em 30 minutos, ele passa um produto no cabelo, que parece gel. “É a Marcela Temer do mundo masculino”, define um parlamentar.
De um tucano de Anápolis para um deputado: “Você já ouviu falar de ensino a distância? Pois Alexandre Baldy inventou o líder a distância. Ele quase não aparece em Anápolis, mas se apresenta como líder do município”. Políticos de Anápolis frisam que telefonar para Alexandre Baldy é como tentar falar com o presidente dos Estados Unidos — uma missão quase sempre impossível.
O chamego entre o deputado Alexandre Baldy e Ronaldo Caiado está provocando ciúme na base governista. Há quem acredite que, na hora agá, o presidente do PTN vai declarar apoio à candidatura de Pedro Canedo, do DEM, para prefeito de Anápolis. Baldy fala em apoiar a candidatura de Carlos Antônio, mas meio mundo tucano não acredita nisso, não.
A palavra que define o ex-deputado estadual Cleovan Siqueira é obstinado. Ele não desiste nunca. Ao saber que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia indeferido o pedido de registro do Partido Liberal (PL), quando abriu as portas para partidos anódinos e sem história nenhuma, longe de mostrar-se irritado e desnorteado, disse ao Jornal Opção: “A luta pela reconstituição do PL continua. Perdemos uma batalha, mas não a guerra”. Cleovan Siqueira diz que advogados vão pegar o processo para examinar detidamente o julgamento do TSE. “Avaliadas as falhas apontadas, vamos fazer outro pedido de registro oportunamente, preenchendo os requisitos legais exigidos pelo TSE. Estou de cabeça erguida e com a mesma determinação.” Contra o PL levantaram-se vozes poderosas, tanto do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quanto do DEM.
O deputado estadual Lucas Calil quase levou o prefeito de Piracanjuba, Amauri Ribeiro, para o PSL. Na última hora, o controverso gestor municipal recuou com um argumento sui-generis: não queria deixar o PRP por causa do número—44. Embora em litígio com o presidente do PRP, Jorcelino Braga, Amauri Ribeiro aprecia o número 44, fácil de gravar e simbólico, e por isso optou por não mudar-se de mala e cuia para o PSL. Lucas Calil ficou desapontado.
O pré-candidato do PSDB a prefeito de Aparecida de Goiânia, o professor e empresário Alcides Ribeiro, disse ao Jornal Opção na quarta-feira, 20, que está buscando o consenso. “Não é fácil e é provável que a base do governador Marconi Perillo tenha de dois a três candidatos em Aparecida — eu, o deputado estadual Marlúcio Pereira e o vereador Willian Ludovico.” O que não se sabe direito é se o PSB faz parte da base governista. Alcides Ribeiro sabe, porém, que o rival a ser batido, o mais consistente, é mesmo Gustavo Mendanha, do PMDB. “O governador Marconi Perillo quer o consenso de sua base, mas não será fácil firmá-lo. Eu e Marlúcio queremos ser candidatos a prefeito — não a vice. No segundo turno, que é certo, nós unimos a base. Nós reestruturamos o PSDB e o partido deve eleger, no mínimo, quatro vereadores”, afirma Alcides. “Estou conversando com o coronel Silvio Benedito, que é um homem sério e inteligente. Ligado ao governador Marconi Perillo e ao vice-governador José Eliton, é um político consistente e, se aceitar ser o meu vice, será muito bem recebido, porque agregará valor à minha campanha. O tema da segurança pública é candente em Aparecida”, diz o professor-empresário. Quanto a Ozair José, que permanece filiado ao PSDB, Alcides Ribeiro admite que talvez não conte com o seu apoio. Ozair José e Chico Abreu estariam conversando com Marlúcio Pereira.
O vice-prefeito de Aparecida de Goiânia, Ozair José, trocou o PT pelo PSDB com o objetivo de ser candidato a prefeito. Porém, por falta de estrutura e falta de apoio da base tucana local, que optou pela candidatura do professor e empresário Alcides Ribeiro, ficou sem chão e tende a não apoiar o postulante do PSDB. É quase certo que, se Marlúcio Pereira for candidato a prefeito pelo PSB, como está sugerindo, Ozair José deve apoiá-lo. Se Marlúcio Pereira desistir da candidatura, ninguém deve ficar surpreso se, na marca do pênalti, o tucano hipotecar apoio à candidatura de Gustavo Mendanha, do PMDB. Um tucano ouviu, do próprio Ozair José, que o vice-prefeito não quer e não vai apoiar o professor Alcides. Ele teria dito, segundo o tucano, que foi atropelado pelo poder financeiro do professor-empresário. Chico Abreu também acompanhar Ozair José e apoiar Marlúcio Pereira e, mesmo, Gustavo Mendanha.
Cidade com segundo turno, a Aparecida de Goiânia deve ter pelo menos quatro candidatos a prefeito. Os principais partidos estão, por assim dizer, testando suas forças em 2016 com o objetivo de consolidar posição para a disputa de 2018. O PMDB lança Gustavo Mendanha. O vereador é apontado como favorito. Primeiro, porque tem o apoio do prefeito Maguito Vilela, extremamente popular e considerado, por muitos, como o melhor prefeito da história do município. Segundo, porque, como presidente da Câmara Municipal, revelou-se um político agregador, conquistando amplos apoios. O PSDB banca o professor e empresário Alcides Ribeiro. Ele está conseguindo montar uma frente política e deve ter como vice o coronel Silvio Benedito, da Polícia Militar. É uma chapa consistente. O PSB tem um candidato popular, o deputado estadual Marlúcio Pereira. Mas falta-lhe estrutura política e financeira. Gustavo Mendanha e Alcides Ribeiro tendem a formatar alianças mais amplas, deixando o líder socialista isolado. Pode até sair em primeiro lugar, mas é provável que, se disputar, acabe ficando em terceiro lugar. O PTB vai bancar o vereador Willian Ludovico para prefeito. Willian tem discurso, é articulado, mas não tem estrutura para enfrentar pesos pesados como Gustavo Mendanha e Alcides Ribeiro e até um meio pesado como Marlúcio Pereira.
Como está montando uma forte estrutura de campanha, além do peso do gigante Maguito Vilela, o prefeito é um autêntico general eleitoral, há quem sugira que o candidato a prefeito de Aparecida de Goiânia pelo PMDB, Gustavo Mendanha, mude de sobrenome. O nome mais realístico, segundo aliados, é Gustavo Montanha. Trata-se de um brincadeira, é claro, mas baseada na realidade.
O líder político não teme nada e é um político aguerrido. Seus aliados avaliam que, se saírem de quatro a cinco candidatos a prefeito, longe de prejudicá-lo, isto vai ajudá-lo.
Com Misael Oliveira, Divino Lemes (PSD), Alsueres Mariano (PR), Franco Martins, Sérgio Bravo (PROS) e Zélio Cândido (PSB) — e é possível que mais um nome seja lançado —, é provável que o próximo prefeito de Senador Canedo seja eleito com cerca de 30% dos votos.
Com uma estrutura de qualidade, é possível que Misael Oliveira consiga pelo menos 30% dos votos — e, assim, seria reeleito.
Divino Lemes tende a sair na frente, e conta com uma estrutura financeira de qualidade, dada a parceira com o milionário empresário Walter Paulo, seu vice, mas é possível que a campanha possa desgastá-lo, quando seu passado como prefeito for lembrado. Mas pode ser também que o passado tenha sido esquecido ou não importe mais para os eleitores.
A incógnita é o empresário Zélio Cândido, que, apesar de apoiado por Vanderlan Cardoso e contar com a maior estrutura financeira de todos os pré-candidatos, não está deslanchando.

