Por Euler de França Belém
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Arquivo[/caption]
Em 1990, Iris Rezende aliou-se ao presidente Fernando Collor. Em seguida, quando o líder do PRN caiu em desgraça, trocou-o, sem nenhuma culpa, por Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Mostrando que é afeito ao poder, e não a lealdades, Iris Rezende em seguida trocou o tucano Fernando Henrique Cardoso pelo presidente Lula da Silva, do PT.
Iris Rezende tornou-se quase uma espécie de petista honorário e vivia abraçado com Lula da Silva e Dilma Rousseff.
O “amor” pelo PT era tanto que Iris Rezende convocou um petista, Paulo Garcia, para ser o seu vice na eleição de 2008.
Na eleição seguinte, em 2012, pediu votos para o prefeito Paulo Garcia, dizendo que era uma espécie de filho dos mais queridíssimos. Porém, com a debacle petista, em termos nacionais, Iris Rezende decidiu abandonar Paulo Garcia, sugerindo que alguns de seus aliados, como Agenor Mariano, atacassem o prefeito.
O que se comenta é que a próxima vítima deve ser o senador Ronaldo Caiado. O líder do partido Democratas parece acreditar que Iris Rezende vai bancá-lo para o governo em 2018.
É provável que Ronaldo Caiado será mais um “enganado” por Iris Rezende (a lista é grande, incluindo Maguito Vilela, Henrique Meirelles, Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi).
Sabe-se que Iris Rezende só é candidato a algum cargo quando diz que não é candidato. Se for eleito prefeito de Goiânia, este ano, dificilmente alguém vai contê-lo em 2018: vai tentar disputar o governo do Estado, atropelando o “apadrinhado” Ronaldo Caiado.
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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil[/caption]
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sugere que, em poucos mais de dois anos, não consegue consertar a economia brasileira. Mas deixa os fundamentos ajustados para o próximo ministro.
Quando inquirido sobre a possibilidade de disputar a Presidência da República, em 2018, não diz que sim nem que não. No estilo dos políticos tradicionais, assinala que, no momento, só pensa em recuperar a economia do país.
Porém, nos bastidores, entre os mais chegados, Henrique Meirelles admite, sim, que pode disputar a Presidência da República. Ou até o governo de São Paulo ou o de Goiás. Já em 2018. Ele já chegou a conversar com líderes de seu partido, o PSD, dirigido nacionalmente pelo ministro Gilberto Kassab.
Tancredo Neves disse uma vez a um político que havia sido eleito pela primeira vez para um cargo majoritário: “Meu filho, entenda bem, porque, se não entender, não conseguirá ser um administrador eficiente e, portanto, não terá futuro político. No primeiro dia depois da posse, é preciso que perceba que seu maior adversário passará a ser seus aliados. Portanto, cuidado com eles”.
O advogado e economista Fernando Navarrete assume a Secretaria da Fazenda do governo de Goiás talvez até antes de dezembro. A secretária Ana Carla Abrão Costa, ao aceitar a Secretaria de Finanças do governo de João Dória, prefeito eleito de São Paulo, pode antecipar a sua saída.
Se assumir mais cedo, Fernando Navarrete vai operar, pelo lado do governo, a venda da Celg. Presidente da Celg GP, é apontado como um executivo eficiente e que entende do assunto energia elétrica como poucos.
Fernando Navarrete terá como uma de missões a manutenção do ajuste fiscal do governo. Goiás integra a lista dos Estados que não quebrados, graças ao ajuste que começou não em 2015, no segundo governo, e sim em 2014.
Há um consenso no meio político que o jornal “O Popular” está jogando abertamente contra a candidatura de Vanderlan Cardoso. Não se sabe se por orientação do proprietário. Mas uma repórter teria confidenciado a colegas que crítica o candidato do PSB a prefeito de Goiânia a pedido. Ao mesmo tempo, a garota não faz nenhuma crítica ao candidato do PMDB, Iris Rezende.
Se o jornal jogasse limpo logo, admitindo que tem lado, ninguém teria o direito de reclamar. Jornais e revistas podem, sim, apoiar um candidato. O que não pode camuflar suas posições, fazendo um jornalismo parcial como se estivesse fazendo jornalismo totalmente isento (algo que é pura ficção).
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Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção[/caption]
O núcleo político do governo já dá como irreversível a debandada da senadora Lúcia Vânia da base governista para 2018, principalmente agora que a filha Ana Carla Abrão Costa deixa o governo e está de volta para São Paulo.
Desde a definição do apoio do governador de Goiás, Marconi Perillo, ao candidato do PSB a prefeito de Goiânia, Vanderlan, Lúcia Vânia não conversou mais com ele.
Lúcia Vânia colocou resistência ao acordo, batendo na tecla que 2016 não tem nada a ver com 2018, embora nem Marconi ou Vanderlan tenham cogitado o assunto.
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Governador Marconi cumprimenta o apresentador Sandes Júnior | Foto: Rodrigo Cabral[/caption]
O governador Marconi Perillo teria dito que Sandes Júnior não vai ficar um dia sem mandato. A dúvida é: qual será o deputado federal que vai deixar Brasília para que o líder do PP permaneça lá?
O tucano-chefe sempre diz que Sandes Júnior, além de um político leal, atua com extrema eficiência em Brasília. Na capital, ele tem muito prestígio político e sempre foi um abre-portas para o governador Marconi.
O prefeito de Hidrolância, Paulo Sérgio de Rezende, o Paulinho, aparece na lista de candidatos a presidente da Associação Goiana de Municípios (AGM).
Reeleito, Paulinho é apontado como uma revelação política. Mas, se não trocar o DEM pelo PSDB, não terá apoio algum para disputar a presidência da AGM.
O DEM, em termos de apoio política, dá traço.
O prefeito Paulinho, de Hidrolândia, é candidato a presidente da AGM. Mas só tem chances se trocar o DEM pelo PSDB.
Não há favas contadas em política e não se ganha eleição por antecipação. Há um eleitorado em Goiânia que decide em cima da hora, mas não pode ser considerado indeciso. Pelo contrário, politizado e independente, pode desafinar o coro dos contentes
O presidente dos Estados Unidos enquadrou os soviéticos, contribuiu para dinamitar o comunismo, mas, no final de seu governo, era controlado pela mulher, assessores falsificavam sua assinatura e astrólogas controlavam sua agenda e vida pessoal
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Zé Gomes em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Na cobertura do assassinato do ex-prefeito de Itumbiara José Gomes da Rocha e do cabo Vanilson Pereira, da Polícia Militar, “O Popular” está um passo atrás. Suas reportagens, que lembram mais datilografia — transcrição de declarações (quase tão furadas quanto peneiras) — do que jornalismo, são resultado do trabalho de repórter que continua foca mesmo tendo alguma experiência. O profissional enviado a Itumbiara não escarafuncha os bastidores e contenta-se com declarações de quem, frise-se, pouco sabe sobre os bastidores ou, se sabe, não quer ou não pode contar nada de relevante.
Uma repórter experiente como Rosana Melo certamente daria um toque diferente, mais bem informado, à cobertura dos crimes de Itumbiara. A área policial não é para amadores. É para quem tem fontes privilegiadas e desconfia até da própria sombra.
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Montagem[/caption]
Os jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes separaram-se, como tantos casais, e volta e meia estão na imprensa, não por vontade própria, e sim pelo sensacionalismo de jornais, revistas, sites e redes sociais. Como estão reconstruindo suas vidas, fortalecendo suas identidades — separação de casais que vivem juntos há muito anos é quase sempre uma espécie de mutilação —, e as notícias sobre a separação não acrescentam mais nada, seria positivo que nós, jornalistas, deixássemos ambos em paz.
Outra pessoa que a imprensa deveria deixar em paz é Suzane von Richthofen, condenada por matar, com o auxílio de dois homens, os pais.
Suzane von Richthofen cometeu um crime gravíssimo, dos mais inomináveis, pelo qual, ao ser condenada, pagou e, ante o opróbio público, vai continuar pagando. Portanto, a imprensa deveria deixá-la em paz, para que cuide de sua própria vida. Se cometer outra infração grave — seus namoros e briguinhas eventuais só lhe dizem respeito —, aí, sim, a imprensa deve voltar os olhos para a jovem. Esquecida, talvez possa reconstruir sua vida — o que é um direito seu. Seu dever é tornar-se uma cidadã de bem.
Manter Suzane von Richthofen sob a luz incandescente dos holofotes é torná-la ainda mais maldita. Por que amaldiçoar os já malditos com excesso de exposição?
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Reprodução[/caption]
Há um crime que se recusa a calar-se: o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, município da Grande São Paulo. A imprensa contou-a de diversas maneiras, mas o caso não está devidamente esclarecido. Quem matou o político do PT e por quê? O livro “Celso Daniel — Política, Corrupção e Morte no Coração do PT” (Record, 238 páginas), do jornalista Silvio Navarro, apresenta algumas respostas.
É provável que o começo do declínio do PT tenha começado, não com a corrupção da Petrobrás — aí talvez resida a pá de cal —, e sim com o assassinato de Celso Daniel. A impressão que se tem é que o PT nunca quis o caso devidamente esclarecido. Impressão? Talvez não seja a palavra adequada.
Release da editora sintetiza a história contada pelo repórter:: “O livro revela detalhes sobre o assassinato de Celso Daniel. Mito político-policial. Tabu entre as forças de investigação. Pauta jamais superada na imprensa. Permanente perturbação na cabeça de homens poderosos, de partido poderoso. Este mistério perfeito e digno da melhor literatura de suspense é, no entanto, uma trama real. Nenhum crime brasileiro recente mobilizou mais o imaginário popular que o assassinato de Celso Daniel, prefeito petista da cidade de Santo André, em janeiro 2002 — mesmo ano em que Luiz Inácio Lula da Silva seria eleito presidente da República. Quase quinze anos depois, Silvio Navarro reconstrói, em detalhes, a sofisticada máquina de desvio de recursos públicos e expõe as bases operacionais do que seriam, em escala nacional, mensalão e petróleo. Resultado de uma apuração de fôlego, Celso Daniel é uma reportagem em ritmo de thriller”.
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Para tentar conquistar a atriz Jodie Foster, que o atraiu ao fazer o filme “Taxi Driver”, John Hinckley tentou matar o presidente Ronald Reagan[/caption]
Em 1976, na sua campanha para tentar ser candidato a presidente pelo Partido Republicano (a preferência recai no presidente Gerald Ford), Ronald Reagan quase é baleado. Michael Lance Carvin, de 20 anos, aponta uma pistola para seu peito, mas um agente do serviço secreto protege o político republicano e impede que seja atingido.
Reagan, homem de Hollywood, quase foi assassinado por uma paixão gerada pela meca do cinema. A atriz Jodie Foster brilhou, ao lado de Robert de Niro, no filme “Taxi Driver”, de Martin Scorsese. Um garoto de família rica viu o filme, várias vezes, e apaixonou-se pela atriz e pela personagem. John Hinckley Jr., para chamar a atenção da atriz, pensou em se matar, na sua frente, em sequestrar um avião ou assassinar o presidente Jimmy Carter (“chegou a ficar a menos de dois metros de Carter, mas não atirou porque não estava no ‘estado de espírito para executar o ato’”). Um psiquiatra estudou seu caso e concluiu que era “esquizofrênico”.
John Hinckley chegou a se filiar ao Partido Nazista Americano, que o expurgou porque o jovem “defendia a violência”.
Os irmãos de John Hinckley recomendam aos pais que o internem. Jack Hinckley e Jo Ann (curiosa ou sintomaticamente, também Jodie) levam o filho ao psiquiatra John Hopper, que “não encontra nada de muito errado” com o garoto. “Deem a John 100 dólares e depois digam adeus”, orienta o médico. Mesmo contrafeitos, os pais sugerem ao filho, de 25 anos, que saia de casa e procure um emprego.
Rejeitado por Jodie Foster, que chega a acionar a polícia do campus de Yale, onde estuda, John Hinckley planeja matar Ted Kennedy. Começa também a pensar no assassinato de Reagan. Chega a escrever uma carta para a atriz: “Querida Jodie, há uma possibilidade concreta de que eu seja morto na minha tentativa de matar Reagan”.
No Hotel Washington Hilton, Reagan encontra-se com sindicalistas liberais. John Hinckley espreita, não muito decidido a matar o presidente. Mas fica na porta, junto a outras pessoas, e, quando o líder republicano sai, começa a atirar. Acerta o secretário de imprensa, James Brady, o policial Thomas K. Delahanty, o agente secreto Tim McCarthy e Reagan.
“A bala entra no pulmão” esquerdo de Reagan, “parando a menos de 3 centímetros do coração”. A multidão segura e agride John Hinckley e os agentes procuram mantê-lo vivo. Inicialmente, ao ser perguntado pelo agente Jerry Parr, Reagan pensa que não foi atingido. “Não, acho que não”, afirma. O agente leva-o para um hospital, onde, por ter perdido muito sangue, desmaia. Ao ser preparado para a cirurgia, lúcido, faz uma piada para Nancy Reagan, sua mulher: “Querida, esqueci de me esquivar”.
Ao saber que Jodie Foster havia se declarado lésbica, em 2013, John Hinckley teria ficado “indignado”.
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Reagan e Nixon: o 2º pediu que permanecesse no Partido Democrata para atrapalhar um candidato. Mais tarde, ele se tornou republicano[/caption]
Em 1938, ao chegar a Hollywood, Ronald Reagan quase se filiou ao Partido Comunista Americano. “Reagan ficou empolgado com os relatos do Partido Comunista ajudando os menos favorecidos, os desempregados e os sem teto”, contou o roteirista e escritor Howard Fast (autor do romance “Espártaco”). Mas logo rompeu com a esquerda e se tornou um direitista empedernido. Ele foi eleito presidente do sindicato dos atores e, ao lado de sua mulher, Jane Wyman, passou a ser informante do FBI.
Assim como Hillary Clinton era adepta dos republicanos, Reagan era do Partido Democrata, ao menos até o início da década de 1960. Quando tentou sair do partido, foi aconselhado por Richard Nixon a ficar — era positivo ter um aliado democrata. Embora não fosse intelectual, Reagan era dotado de uma percepção aguçada. Quando o conservador Nixon, para se contrapor ao “progressista” Jack Kennedy, começou a adotar uma “plataforma republicana mais liberal”, ele aconselhou-o a manter o projeto anterior. “Não sou um perito infalível, mas eu tenho um forte sentimento de que 20 milhões de pessoas que não comparecem às urnas só podem ser conservadoras”, escreveu Reagan numa carta a Nixon. Este perdeu a eleição para John Kennedy.
Na televisão, Reagan contracenou com James Dean e Natalie Wood, então garotos, na adaptação do conto “I’m a Fool”, de Sherwood Anderson. “Jimmy Dean era um jovem ator com potencial ilimitado”, disse Reagan.
Em 1960, entre John Kennedy, do Partido Democrata, e Richard Nixon, do Partido Republicano, Reagan fica com o segundo. O cantor Frank Sinatra, então kennedista, ataca: Reagan seria “estúpido, perigoso e muito simplista”. Mais tarde, o apoiou para presidente.
Ao participar de um debate com Robert Kennedy, na década de 1960, Reagan lembrou-se que, quando ministro da Justiça do governo de Jack Kennedy, o democrata pediu e levou sua cabeça. Reagan foi demitido do cargo de apresentador do “GE Theater”, da General Electric. Reagan ganha o debate de Bob Kennedy, que diz para sua assessoria: “Nunca mais me coloque num palco com aquele filho da puta”.
Embora conservador, Reagan era tolerante com os homossexuais. Uma herança de Hollywood.
Reagan e Nancy Reagan, sua mulher, tomavam decisões seguindo as orientações de astrólogas, como Joan Quigley. A agenda deles, até a presidencial, seguia os ditames da astrologia. Nancy, “extremamente supersticiosa”, dormia “com a cabeça voltada para o norte e batendo na madeira constantemente”. O vice-chefe de gabinete Michael Deavir diz que, “sem a aprovação” de Quigley, “o avião presidencial, o Air Force One, não decola”. Isto faz de Reagan um idiota? De maneira alguma. Era um homem inteligente, foi um grande presidente e um líder político de feição internacional, acima de Jimmy Carter, Gerald Ford, Bush pai e Bush filho. Um lídimo herdeiro, quem sabe, de Richard Nixon. Só que este, nos piores dias, era meio, digamos, Fernando Collor.
Reagan era mais sutil do que Nixon, aproximando-se, por vezes, de Franklin D. Roosevelt.

