Por Euler de França Belém
Ao retirar a Polícia Federal das investigações sobre a polícia do Senado, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, mandou dois recados.
Primeiro, o fato de o presidente do Senado, Renan Calheiros, ter chamado o juiz que autorizou a investigação da polícia do Senado — que estaria sendo chamada de James Bond de Brasília — de “juizeco”, apesar de ter desgostado os magistrados, não gerou ressentimento. Zavascki priorizou a ação institucional, não corporativa.
Segundo, após ter dado uma demonstração de descortino e moderação, Teori Zavascki está livre para pedir, se necessário, a prisão de Renan Calheiros.
Macaco velho, dos mais escolados, Renan Calheiros deve ter percebido isto. Mas fingiu que obteve uma vitória. Na verdade, o senador alagoano sabe, mais do que ninguém, que é a próxima caça. Na sequência de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha.
O caixa 2 era repassado para o PT nacional, supostamente para José Dirceu. O petismo tentou frear a turma do caixa 3, que decidiu eliminar o prefeito de Santo André
Comenta-se que um deputado federal de Goiás será “enrolado” pela delação premiada da Odebrecht. Mas seu nome ainda não circula nas praças.
"Lógica, comportamento ordenado e premeditação são indicadores de improbabilidade de psicose”, diz o psiquiatra Lúcio Malagoni
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Projeto de 2003 foi aprovado depois de 13 anos[/caption]
Aprovar um projeto na Câmara dos Deputados é uma tarefa de Hércules. O deputado Sandes Júnior, do PP, apresentou um projeto em 2003 com o objetivo de a União conceder pensão às 555 vítimas do acidente radioativo do césio 137, em Goiânia (ocorrido em 1987).
O projeto só foi aprovado em 2016 — treze anos depois —, após a morte de algumas das vítimas.
Aprovado em todas as comissões da Câmara dos Deputados, o projeto será levado ao plenário. Se aprovado, irá à sanção do presidente Michel Temer. Nesta semana, o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, acompanhará Sandes Júnior numa audiência com o presidente da Câmara dos Deputados.
O tucano e o pepista vão pedir empenho de Rodrigo Maia na aprovação do projeto, de caráter eminentemente social.
Ranking da plataforma SimilarWeb mostra que mais de 2,9 milhões de usuários acompanharam a sucessão nos municípios pela internet
Dennison de Oliveira, doutor em Ciências Sociais, é autor do livro “Os Soldados Brasileiros de Hitler” (Juruá, 122 páginas). O Jornal Opção resenhou-o (http://www.jornalopcao.com.
Em termos de jornalismo, quem não leu Paulo Francis bom sujeito tende a não ser. Durante anos, com seu “Diário da Corte”, escrito a partir de Nova York, que grafava Iorque, escreveu sobre política, economia, música, cinema, teatro e literatura. Deu pitacos a respeito de tudo — errando e acertando (nem Deus acerta tudo). Em tempos pré-internet, quando era muito difícil obter publicações estrangeiras, contribuiu para divulgar escritores que nunca haviam sido publicados no Brasil, como a excelente Muriel Spark. Suas colunas, publicadas duas vezes por semana, eram lidíssimas, entre as décadas de 1980 e 1990 — período em que eu comprava a “Folha de S. Paulo” e, depois, o “Estadão” para ler seus textos —, tanto pela direita quanto pela esquerda. A direita para amar suas diatribes — num tempo em que a direita era execrada, não havia quase nenhum espaço para jornalistas e intelectuais que não fossem da esquerda escreverem nos jornais — e a esquerda para odiá-lo. Ninguém ficava indiferente aos petardos. Os artigos eram verdadeiros ensaios, que ele ia desenvolvendo, às vezes, durante semanas. Alguns eram longos, outros mais curtos.
Para o deleite dos leitores de Paulo Francis (autor de memórias espantosamente deliciosas, “O Afeto Que Se Encerra”; muito superiores aos seus romances), a Editora Três Estrelas lança uma coletânea de artigos com o título de “A Segunda Profissão Mais Antiga do Mundo”. Ela contém textos sobre jornalismo, política e cultura, publicados entre 1975 e 1990. Curiosamente, a editora, do grupo que edita a “Folha de S. Paulo” — jornal que abriu espaço para desmerecê-lo depois que migrou para o “Estadão” —, o apresenta como o “maior polemista da imprensa brasileira”.
Num dos textos, Paulo Francis escreve, com seu velho estilo oracular: “Nunca apoiei governo algum. Acho que é um dever de jornalista adotar o mote dos anarquistas. Hay gobierno, soy contra”. Claro que ele teve sua fase jango-brizolista. Depois, passou a criticar João Goulart (sobretudo) e Leonel Brizola. O título da coletânea resulta de uma frase irônica sobre jornalismo (a primeira profissão do mundo era a prostituição).
Segundo a editora, há retratos memoráveis de Carlos Lacerda, o Corvo, Samuel Wainer, Antonio Maria, Stanislaw Ponte Preta, Henfil e Millôr Fernandes (um de seus melhores amigos).
Li a primeira coletânea publicada pela Três Estrelas e fiz dois comentários (https://jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/livro-resgata-deboche-de-paulo-francis-sobre-o-pop, texto no qual menciona “O Popular”, e https://jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/francis-ressalta-obra-de-jorge-amado-joyce-e-nelson-rodrigues). Avultam três coisas. Primeiro, a qualidade da informação dos textos. Segundo, a prosa bem escrita. Terceiro, os textos permanecem vivos, não estão datados.
Costumo dizer que há dois tipos de textos para jornal: os que morrem no mesmo dia e os que sobrevivem. Com a internet, os textos que chamo de “permanentes” continuam obtendo acesso anos depois de publicados. Paulo Francis era uma celebridade antes da internet. Com a rede, teria se tornado um campeão nacional de leitura.
A cantora Rita Lee é uma das maiores roqueiras brasileiras. Sua história seria mais bem contada por um jornalista independente, como Ruy Castro, ou um historiador da música, como Zuza Homem de Mello. Isto não invalida, de maneira alguma, o livro “Uma Autobiografia” (Globo Livros, 352 páginas), de Rita Lee. Caetano Veloso já havia escrito um excelente livro sobre a Tropicália (e até além dela), em “Verdade Tropical”. O importante é que, com sua obra, a artista lança as bases para, futuramente, algum pesquisador construir sua biografia (a artista continua vivíssima, agora escrevendo livros). O possível autor não vai partir do nada e, por certo, entenderá que a cantora está apresentando a sua versão, que sempre deve ser levada em conta, dos fatos.
O jornalista Guilherme Samora escreveu sobre o livro: “Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias. Está tudo lá. E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas — e até decidiu a ordem das imagens —, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas... Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado”.
A morte de Rodriguinho Carvelo comoveu a cidade, que o admirava como guerreiro
Conhecido como Padre Ruy, o intelectual foi secretário da Educação do governo de Mauro Borges e Moisés Avelino, foi reitor da Unitins, trabalhou em Paris e na Guiné-Bissau
A TV Globo e Jô Soares não definiram qual será o último convidado do programa. Sugiro dois: Sergio Moro e Cármen Lúcia
Thiago Topete, por meio do programa “Meu Motel, Minha Grana”, construiu 112 quitinetes em apenas 20 dias. A Odebrecht deveria contratá-lo como engenheiro
Nãos D. H. Lawrence Lute, menino, sua luta de nada, vá à luta e seja homem. Não seja um bom menino, um bom moço, sendo tão bom quanto você pode ser e concordando com todas as matreiras, manhosas verdades que os fingidos encenam para se protegerem e à sua ávida, glutona, gulosa covardia de escolados grosseiros. Não corresponda à queridinha que acaba por custar sua macheza e te fazendo pagar. Nem à velha mamãezona que orgulhosamente se gaba de que você vai ser um dos que vão chegar. Não conquiste opiniões valiosas, abalizadas opiniões valendo obrigações do Tesouro, de homens de todo tipo; não fique devendo nada ao rebanho engordado para o matadouro. Não queira ter meninos bons, bonitinhos, os quais você terá de educar para ganhar a vida; nem meninas gostosas, uns docinhos, que vão achar muito difícil trepar. Também não queira uma casinha, com os custos que você terá de aguentar ganhando a vida enquanto a vida se perde, e o susto da morte um dia vem te agarrar. Não se deixe sugar pelo sup-superior, não engula a isca da cultura a chamar, não beba, não vire um cervejado senhor, aprenda, isto sim, a discriminar. Mantenha-se inteiro e lute atento, empurrando daqui ou empurrando de lá, e tendo à noite o consolador sentimento de que um pouco de ar você fez entrar. No chiqueiro do dinheiro esse ar renovado você pôs pelo buraco que na prisão pôde abrir, fazendo o pouco que podia, empenhado em que o Cristo ressuscite como forma de agir. [Do livro “Poemas de D. H. Lawrence”, tradução de Leonardo Fróes. O poema é de 1929]
Márcio Cecílio é apontado como o que articula mais e pertence ao PSDB. Issy Quinan é uma revelação como gestor. A barreira para Paulinho Sérgio é o DEM
Cinco prefeitos vão disputar a presidência da Associação Goiana de Municípios (AGM) em fevereiro de 2017: Issy Quinan, de Vianópolis; Itamar Leão, de Sanclerlândia; Kelson Vilarinho, de Cachoeira Alta; Márcio Cecílio Ceciliano, de São Miguel do Passa Quatro, e Paulinho Sérgio de Rezende, de Hidrolândia.
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Issy Quinan: PP[/caption]
1 — Issy Quinan. É a revelação política do PP goiano. Apontado como gestor competente, recebeu uma prefeitura arrasada, mas conseguiu recuperá-la em quatro anos. Foi tão bem-sucedido que, na disputa deste ano, não apareceu adversário para enfrentá-lo. É bancado pelo senador Wilder Morais, mas o número de prefeitos do partido, 24, é pequeno.
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Itamar Leão: PSDB[/caption]
2 — Itamar Leão. Eleito este ano, foi prefeito há alguns anos, e, considerado como um dos mais criativos, chegou a receber prêmio nacional do Sebrae. Pertence ao PSDB e é ligado ao governador Marconi Perillo. Já foi presidente da AGM. É apontado como um dos mais fortes postulantes.
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Kelson Vilarinho: PSD[/caption]
3 — Kelson Vilarinho. Prefeito reeleito, pertence ao PSD de Vilmar Rocha e Thiago Peixoto. Representa um município de escassa projeção, mas é um político articulado.
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Paulinho Sérgio: DEM[/caption]
4 — Paulinho Sérgio de Rezende, reeleito prefeito, é mencionado como um político habilidoso (e foi goleiro do São Paulo, reserva de Rogério Ceni durante oito anos, e do Vila Nova). O problema é seu partido, o DEM. O PSDB, o PSD e o PP, para citar apenas três partidos da base aliada, dificilmente apoiarão um candidato do DEM. O PMDB pode apoiá-lo, mas, se o fizer, vai derrotá-lo.
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Márcio Ceciliano: PSDB[/caption]
5 — Márcio Cecílio Ceciliano é um dos favoritos. Como ex-presidente da AGM, conhece a maioria dos políticos goianos, articula por música e é bem próximo do governador Marconi Perillo. Pertence ao PSDB, o que é um de seus trunfos.
Ressalva
Um dos problemas dos prefeitos que assumem a presidência da AGM é que, por vezes, descuidam dos municípios para os quais foram eleitos para administrar. A associação é vista como trampolim para projetar políticos, mas a maioria que a presidiu não cresceu em termos estaduais.

