Euler de França Belém
Euler de França Belém

Celso Daniel foi assassinado porque tentou brecar o caixa 3. Queria deixar só o caixa 2, o do PT

O caixa 2 era repassado para o PT nacional, supostamente para José Dirceu. O petismo tentou frear a turma do caixa 3, que decidiu eliminar o prefeito de Santo André

digitalizar0001

O livro de um editor da revista “Veja” mostra que “o que aconteceu em Santo André foi um laboratório que culminou no mensalão e no petrolão; o ABC fora mesmo o laboratório — o projeto-piloto — da corrupção do PT”

Os líderes do PT criaram e cristalizaram a ideia de que, uma vez chegando ao poder — a Presidência da República —, tudo seria diferente. O país até poderia mudar o nome de Brasil para Ética ou Brasilético. Fora do poder, petistas professavam uma cruzada moralista, que mesmerizou as classes médias. Os integrantes dos outros partidos eram impuros. Os petistas eram o povo escolhido para a construção de um novo tempo — o da razão honesta e do avanço social.

Em 2002, com Lula da Silva, o PT chegou ao poder em termos nacionais. Logo os reds de sua intelligentsia criaram uma tese estapafúrdia, mas lógica. Para continuar no poder, numa espécie de mexicanização sul-americana, o petismo decidiu trilhar dois caminhos. Primeiro, aliou-se às elites estaduais, franqueando-lhe o poder regional, por vezes chegando-se a afastar petistas de disputas eleitorais, e abrindo-lhe espaços no governo federal. Segundo, numa espécie de pacto faustiano, comprou o apoio dos partidos medianos, como PTB, PP e PR, e, em seguida, adquiriu o passe de um partido gigante, o PMDB. Os governos do PT, de Lula da Silva a Dilma Rousseff, distribuíram cargos e dinheiro a rodo para as elites políticas.

A tese do PT era: “Os meios justificam os fins”. O meio, a corrupção dos aliados, justificaria o fim, a manutenção do poder. Porém, como assinalou o filósofo italiano Norberto Bobbio, é possível que, às vezes, os meios corrompam os fins. No processo de comprar aliados, como se apenas eles fossem impuros, vários petistas se corromperam e acabaram, em alguns casos, roubando até mais do que as ditas “elites retrógradas” mas necessárias para se manter no poder. A furtocracia, que era para ser moderada, se tornou incontrolável. Pode-se sugerir que o PT acabou por ser responsável pela criação de um Estado criminoso. Antes, havia corrupção, em todos os governos. Entretanto, exceto o governo de Fernando Collor, não na dimensão sistêmica produzida pelo petismo e aliados.

Santo André
O laboratório do mensalão e do petrolão não foi forjado em Brasília ou no Rio de Janeiro, e sim em Santo André, cidade colada em São Paulo. Na gestão do prefeito Celso Augusto Daniel, o “bom burguês”, o PT roubava sem pudor. Como de hábito, dizia-se que o assalto aos cofres públicos tinha uma motivação: fortalecer o partido para a disputa presidencial, no caso a de 2002, quando Celso Daniel seria um dos coordenadores da campanha de Lula da Silva. Com a vitória, seria indicado para o Ministério do Planejamento.

Celso Daniel com Lula da Silva: candidato a presidente da República, em 2002, o petista-chefe cobrou uma depuração na Prefeitura de Santo André; o prefeito pressionou a turma do caixa três e acabou assassinado

Celso Daniel com Lula da Silva: candidato a presidente da República, em 2002, o petista-chefe cobrou uma depuração na Prefeitura de Santo André; o prefeito pressionou a turma do caixa três e acabou assassinado

Como um dos homens de ouro do PT, o prefeito Celso Daniel sabia das falcatruas na prefeitura. O dinheiro que ele e seus auxiliares arrancavam de empresários, notadamente do setor de transporte coletivo, deveria ser repassado religiosamente para o partido (era o “propinoduto altruísta”). Calcula-se que a cúpula petista tenha recebido ao menos 1,2 milhão de reais proveniente de Santo André. Em tempos de vacas magras, era muito dinheiro; não, claro, comparado com o que o PT faturou depois (o livro “”Petrobrás — Uma História de Orgulho e Vergonha”, de Roberta Paduan, indica que o PT furtou cerca de 200 milhões de dólares da Petrobrás). Os irmãos de Celso Daniel, João Francisco Daniel e Bruno José Daniel Filho, contaram que, uma semana depois do assassinato, Miriam Belchior, ex-mulher do prefeito, e Gilberto Carvalho confirmaram que parte do dinheiro desviado era entregue a José Dirceu. João Francisco disse durante a acareação com Gilberto Carvalho, na CPI dos Bingos, em outubro de 2005: “Você se esquece que, naquele dia em casa, entre um pedaço de bolo de aipim e outro, você não parava de falar? Disse que tinha medo de transportar tanto dinheiro para José Dirceu num Corsa preto. Em Santo André, o senhor fazia a ligação entre a quadrilha formada por Klinger, Ronan e Sérgio com a cúpula do PT”. O lulopetista negou a conversa.

Rosângela Gabrilli, filha de Luiz Alberto Ângelo Gabrilli, dono da Expresso Guarará e da Viação São José, denunciou que Sérgio Sombra era conhecido como o homem da grana. “O Sérgio era o que guardava o dinheiro, ou o que levava o dinheiro. Como o sócio do meu pai declarou na CPI de Santo André, era um homem frio, sempre portava arma, sem conversa.” Rosângela Gabrilli mostrou ao Ministério Público cópias dos depósitos numa conta particular de Sérgio Sombra.

Sérgio “Sombra” Gomes da Silva, Ronan Maria Pinto e Klinger Luiz de Oliveira Souza: as investigações do Ministério Público e a conclusão da Justiça demonstraram que os três mosqueteiros operavam o caixa três na Prefeitura de Sandro André

Sérgio “Sombra” Gomes da Silva, Ronan Maria Pinto e Klinger Luiz de Oliveira Souza: as investigações do Ministério Público e a conclusão da Justiça demonstraram que os três mosqueteiros operavam o caixa três na Prefeitura de Sandro André

O objetivo de Sérgio Sombra, Klinger e Ronan Maria Pinto era “estrangular” as empresas de Luiz Alberto Gabrilli. “Os mosqueteiros de Celso Daniel cobravam o pagamento de um percentual mensal sobre cada ônibus que rodasse na cidade.” A pedido do prefeito Celso Daniel, Klinger pegava 40 mil reais todo mês das empresas dos Gabrilli.

João Antônio Setti Braga e Sebastião Passarelli, donos de empresas de transporte coletivo, confirmaram a propinocracia. Setti Braga contou que o consórcio das empresas passou a entregar “R$ 100 mil ao secretário Klinger”.

Se Celso Daniel era participante do assalto (uma faxineira-diarista encontrou maços de dinheiro em sua residência) de Sandro André, por que decidiram matá-lo? “Celso Daniel — Política, Corrupção e Morte no Coração do PT” (Record, 236 páginas), de Silvio Navarro, não é o livro definitivo sobre o assunto. Embora o crime tenha ocorrido em janeiro de 2002, há quase quinze anos, os fatos não estão inteiramente esclarecidos. Silvio Navarro é editor da “Veja”, revista vista pelos petistas como “inimiga” do PT, mas a obra é equilibrada e afeita tão-somente aos fatos. O autor chega a ser cauteloso e poucas vezes manifesta suas convicções.

Silvio Navarro sugere que Celso Daniel, se aprovava o caixa dois, não aceitava inteiramente o caixa três — o que era operado pelos mosqueteiros Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, Ronan Maria Pinto e Klinger Luiz de Oliveira Souza (secretário de Serviços da Prefeitura de Santo André). Quando tentou barrar os que estavam se enriquecendo, com parte do dinheiro que deveria ser repassado para o PT, o prefeito foi assassinado. O engenheiro petista não estava condenando o assalto aos cofres públicos, e sim o excessivo caixa três do trio. Sérgio Sombra chegou “a operar o caixa dois do Partido dos Trabalhadores”, ao menos em Santo André.

Dionísio de Aquino Severo: o criminoso era a chave para desvendar quem mandou matar Celso Daniel, mas foi assassinado, dentro de um presídio, pelo Primeiro Comando da Capital

Dionísio de Aquino Severo: o criminoso era a chave para desvendar quem mandou matar Celso Daniel, mas foi assassinado, dentro de um presídio, pelo Primeiro Comando da Capital

Preparando-se para disputar a Presidência em 2002, Lula da Silva começara a articular sua equipe de campanha e Celso Daniel seria um dos coordenadores. Porém, a cúpula petista temia que a roubalheira de Sandro André, que desviava dinheiro para azeitar as movimentações do PT nacional, poderia prejudicar tanto o petista-chefe quanto o prefeito. Por isso, um dos homens de ouro de Lula da Silva, Gilberto Carvalho, auxiliar de Celso Daniel, foi encarregado de alertá-lo sobre a necessidade de uma depuração. Sérgio Sombra deveria ser afastado dos bastidores das finanças da prefeitura, pois estava guerreando “com a estrutura partidária pela propina — todo mundo roubava todo mundo, mas o PT queria o dinheiro”. O Ministério Público “estava no encalço” do prefeito.

A turma do caixa três, operado por Sérgio Sombra, não gostou da ação da turma do caixa dois, operado pelo PT. Os dois grupos disputavam Celso Daniel, mas o grupo de Lula da Silva, em Santo André representado por Gilberto Carvalho, estava levando a melhor. Daí Sérgio Sombra e seus aliados começaram a pressioná-lo.

Na noite de 18 de janeiro de 2002, Celso Daniel e Sérgio Sombra, um ex-segurança que se tornou empresário potentado, jantaram no restaurante Rubaiyat, na Alameda Santos, em São Paulo. Logo depois de saírem do restaurante e, embora estivesse numa Pajero brindada, Celso Daniel foi sequestrado por bandidos da favela Pantanal. Sintomaticamente, os criminosos da pesada nada fizeram a Sérgio Sombra. No dia 20 de janeiro, o corpo do prefeito foi encontrado em Juquitiba.

José Dirceu, na época deputado federal, disse: “Depois de terem assassinado dois prefeitos do PT, se eu não encarar isso como uma questão política, sou um irresponsável”. O outro prefeito, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, de Campinas, teria sido assassinado por criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os sequestradores
Silvio Navarro relata que criminosos da favela Pantanal foram os operadores do “sequestro” de Celso Daniel. Os cabeças do grupo eram Ivan Rodrigues da Silva, Ivan Monstro (curiosamente, sua família trabalhava em empresas de Ronan Maria Pinto, dono do grupo Transleste); José Edison da Silva; Rodolfo Rodrigues Santos de Oliveira, Bozinho; Itamar Messias Silva dos Santos, Zoio de Gato; Marcos Roberto dos Santos, Marquinhos; Elcyd Oliveira Brito, John; e Manoel Dantas de Santana Filho, Cabeção. (Curiosidade: os cantores que mais ouviam eram Bruno e Marrone.)

Celso Daniel e José Dirceu: a cúpula do PT se beneficiou das falcatruas na Prefeitura de Santo André. Livro sugere que o petismo apropriou-se de pelo menos 1,2 milhão de reais, até 2002. O PT era dono do caixa dois

Celso Daniel e José Dirceu: a cúpula do PT se beneficiou das falcatruas na Prefeitura de Santo André. Livro sugere que o petismo apropriou-se de pelo menos 1,2 milhão de reais, até 2002. O PT era dono do caixa dois

Bozinho disse para a namorada Eliane Batista de Oliveira Santos: “Volta pra sua casa! A gente sequestrou o prefeito de Santo André, mas deu tudo errado. A gente vai se virar”. Não era para matar Celso Daniel? Não se sabe. Mas ele não quis assinar alguma coisa — sua renúncia? — e, por isso, o mataram? Ou o mataram como queima de arquivo e como sinalização de que o esquema do caixa três não iria parar? “Telefonema algum jamais foi feito para precificar o resgate de Celso Daniel”, frisa Silvio Navarro. Um grampo telefônico mostra que Ronan Maria Pinto disse a Sérgio Sombra “que, mesmo debaixo de tortura, Celso Daniel não entregara um ‘dossiê’”. Os grampos registraram conversas entre petistas e eles demonstraram pousa sensibilidade em relação à morte de Celso Daniel. Estavam mais preocupados em salvar a pele de José Dirceu e Lula da Silva. Os diálogos comprovaram também que José Dirceu orientava os depoimentos de petistas sobre o caso. “Estou aguardando a orientação do Zé Dirceu”, disse a namorada de Celso Daniel, Ivone Santana.

Ivan Monstro recebeu orientação de alguém para queimar alguns papéis que estavam com Celso Daniel. Os documentos estavam num envelope pardo grande e foram queimados por John. Curiosamente, se os autores do sequestro foram todos identificados, a polícia não conseguiu saber quais eram os “carcereiros” do prefeito.

Os sequestradores de Celso Daniel foram presos, mas, por meio de um pacto, talvez para sobreviver, falaram muito pouco. José Edison arranjou até um bode expiatório, o menor L. S., que teria atirado no prefeito. Para assumir o crime, teria ganhado um videogame. Mais tarde, numa conversa com uma psicóloga e duas assistentes sociais da Febem, o garoto confidenciou que “fora ameaçado de morte para assumir a autoria do homicídio”. Promotores exibiram várias fotografias, entre elas uma do petista, mas o adolescente não conseguiu identificá-lo.

Mortes misteriosas
Há um capítulo sobre as pessoas que morreram misteriosamente depois do assassinato de Celso Daniel. O garçom do Rubaiyat que serviu Celso Daniel e Sérgio Sombra, Antônio Palácio de Oliveira, foi assassinado, em fevereiro de 2003, por dois homens. Uma testemunha contou à polícia que Antônio Palácio havia ouvido a conversa entre o prefeito e o empresário. Na sua conta, apareceu um depósito de 60 mil reais. Ele queria mais?

Logo depois da morte do prefeito, a Polícia Federal gravou um estranho diálogo entre Sérgio Sombra e Klinger. Este diz: “Você se lembra se o garçom que te serviu lá no dia do jantar é o que servia sempre ou era um cara diferente?” Sombra esclarece: “Era o cara de costume”.
Paulo Henrique da Rocha viu os dois homens perseguindo o garçom Antônio Palácios, mas não pôde depor: vinte dias depois, também foi assassinado. Levou um tiro pelas costas.

Funcionário da Serviço Fu­nerário da Serra, Iran Rédua recolheu o corpo de Celso Daniel em Juquitiba e foi assassinado a tiros em dezembro de 2003. A polícia assinala que o crime não tem a ver com a morte do prefeito.

O legista Carlos Delmonte Printes apareceu morto, em seu escritório, em outubro de 2005, aos 55 anos. “Delmonte assinou o laudo que aponta evidências de tortura no corpo de Celso Daniel. As marcas de suplício e agonia seriam usadas pela promotoria para sustentar que o bando que protagonizou o sequestro tentava tirar do prefeito alguma informação antes de executá-lo. Uma das hipóteses aventadas pelos promotores era a de que Celso Daniel detivesse senhas e papéis relativos à contabilidade de offshores montados pelo Partido dos Traba­lhadores para juntar recursos ilícitos a fim de custear a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002”, escreve Silvio Navarro.

Familiares dizem que Del­monte “era avesso a remédios”, mas, segundo a polícia, ele teria se matado exatamente com medicamentos. Estaria deprimido.

A quinta morte foi a de Otávio Mercier, de 43 anos. “Em janeiro de 2002, pouco antes do assassinato do prefeito de Santo André, Mercier trocou telefonemas com um detento, encarcerado num presídio de Guarulhos, cujo nome até hoje provoca faíscas entre promotores, delegados e advogados dos réus do homicídio do político petista. Trata-se de Dionísio de Aquino Severo”, registra Silvio Navarro. “Para os promotores e para os primeiros delegados que se debruçaram sobre o caso, Dionísio é a chave do sequestro de Celso Daniel.”

Os sequestradores de Celso Daniel não eram o fino do crime em São Paulo. Mas Dionísio de Aquino Severo, um profissional, era um dos dirigentes da facção Comando Revolucionário Brasileiro da Cri­minalidade (CRBC).
Um dia antes do sequestro do prefeito, um helicóptero pousou na Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, levou dois presos: Dionísio de Aquino e Aílton Alves Feitosa. Por que os guardas do presídio não reagiram? “Feitosa disse, em depoimento, que a muralha do presídio fora comprada por R$ 150 mil.” Quem pagou? Os prováveis mandantes do assassinato de Celso Daniel, que queriam um criminoso experiente no comando das ações. Feitosa disse à polícia “que ouviu Dionísio dizer ao telefone que pegaria um ‘peixe grande’”.

Preso, Dionísio de Aquino disse ao delegado Romeu Tuma Júnior que “assinaria a bronca de Celso Daniel”, desde que sua mulher, Sandra dos Anjos, “fosse liberada”. O policial ficou surpreso ao saber que o criminoso sabia “o nome correto” do restaurante Rubayiat e ao descobrir que ele conhecia Sérgio Sombra.

Mas Dionísio de Aquino não teve tempo de assumir “a bronca de Celso Daniel”. Ele foi morto em 10 de abril de 2002, no parlatório do Centro de Detenção Provisória I de Belém, em São Paulo, seis dias depois de ser preso no Nordeste”.

Dionísio de Aquino havia alertado os dirigentes da prisão de que o PCC o havia jurado de morte e pediu para ser transferido. Alguém poderoso, ao impedir a transferência, optou por queimar o arquivo com mãos alheias. “O assassinato de Dionísio foi a principal queima de arquivo relativa à morte de Celso Daniel”, sumariza Silvio Navarro. Ele era o “elo entre a quadrilha da favela Pantanal com” o “bando que desviava dinheiro da Prefeitura de Santo André”.

O advogado Adão Nery, que havia defendido Dionísio de Aquino, contou à polícia que o criminoso disse-lhe que chegou a trabalhar na Prefeitura de Santo André, “no fim de 1999 ou início de 2000”. Depois, “dizendo-se intimidado por um homem ligado ao PT, recuaria”.

José Cicote, ex-prefeito na primeira gestão de Celso Daniel, relatou ter visto Sérgio Sombra e Dionísio de Aquino juntos, na Prefeitura de Santo André, “duas ou três vezes”. O criminoso teria sido “segurança da equipe de Sombra”.

A testemunha Sambista, funcionário da Expresso Guarará, contou que Dionísio de Aquino “integrava a equipe de seguranças de Celso Daniel, chefiada por Sérgio Sombra, em época de campanhas eleitorais”.
Aílton Alves Feitosa acrescentou: “Dionísio falou com todas as letras: é o prefeito de Santo André, o Celso Daniel, e vai ser queima de arquivo”. Dionísio de Aquino dissera-lhe que o objetivo da fuga do presídio seria pegar um “peixe grande”.

Ivan “Monstro” Rodrigues, Rodolfo “Bozinho” Rodrigues dos Santos e Marcos Bispo dos Santos, o Marquinhos:  integrantes da quadrilha da favela Pantanal, em São Paulo, que participaram do sequestro do prefeito Celso Daniel

Ivan “Monstro” Rodrigues, Rodolfo “Bozinho” Rodrigues dos Santos e Marcos Bispo dos Santos, o Marquinhos:
integrantes da quadrilha da favela Pantanal, em São Paulo, que participaram do sequestro do prefeito Celso Daniel

Condenações
Os sequestradores e assassinos de Celso Daniel foram condenados à prisão. Bem mais tarde, em 2015, acusados de corrupção, Sérgio Sombra (15 anos e seis meses de prisão), Klinger Luiz de Oliveira Sousa (mesma pena) e Ronan Maria Pinto (dez anos e quatro meses) foram condenados pela juíza Maria Lucinda da Costa, de Santo André. Em maio de 2016, o juiz Genilson Rodrigues Carreiro, de Santo André, “condenou o PT a pagar R$ 3,5 milhões pelo assalto ao caixa da prefeitura. O trio Sombra, Ronan e Klinger recebeu pena idêntica”.

Ronan Maria
Mesmo tendo participado do esquema corrupto de Santo André, o empresário Ronan Maria Pinto teria informado à cúpula do PT que “precisava” de R$ 6 milhões. O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza foi procurado por Silvio “Land Rover” Pereira, em 2004, para resolver o problema do empresário do Grande ABC, que ameaçava denunciar o esquema montado pelo PT na Prefeitura de Santo André. Aí apareceu o pecuarista José Carlos Bumlai, ex-primeiro-amigo de Lula da Silva, e obteve um empréstimo de R$ 12 milhões no banco da família Schahin. “Oito dias depois do pedido de empréstimo de Bumlai, a 2S Participações Ltda., uma das empresas de Marcos Valério, transferiu R$ 6 milhões para a Remar Agenciamento e Assessoria, cujo destino final seria a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto.” O PT comprara o silêncio de Ronan Maria Pinto, que, com o dinheiro, pagou dívidas de suas empresas e comprou o jornal “Diário do Grande ABC”, que antes lhe fazia críticas.

“O que aconteceu em Santo André foi um laboratório que culminou no mensalão e no petrolão”, diz a deputada federal Mara Gabrilli. “O ABC fora mesmo o laboratório — o projeto-piloto — da corrupção do PT”, anota Silvio Navarro. Impossível discordar.

O livro de Silvio Navarro é daqueles imperdíveis. Contei parte da história, mas há muito mais na notável obra. O detalhamento da ação da quadrilha da favela Pantanal e sua ligação com um bandido da pesada, Dionísio de Aquino, e a conexão deste com Sérgio Sombra, são cruciais para se entender a história — que ainda terá desdobramentos.

2 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
2 Comment authors

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Santos Van

MARCOS CARNEIRO LIMA | EX-DELEGADO GERAL DE SÃO PAULO “É fácil fazer teoria da conspiração, mas a morte de Celso Daniel não foi política” Marcos Carneiro Lima, que trabalhou na Divisão Anti-Sequestro entre os anos 90 e 2000, trabalhou também na Corregedoria da Polícia e no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), depois como delegado geral em São Paulo, comandando a Polícia Civil. Ele conhece muito bem um personagem central do assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, que volta ao noticiário pelas mãos da Lava Jato. Monstro, líder da quadrilha que sequestrou, torturou e… Leia mais

Gustavo

Agora vc deveria fazer uma reportagem sobre Aécio, li em um jornal que Aécio mandou matar um delegado por saber tudo, depois foi preso um policial civil, Aécio era governador de MG, esta ai ou vc esta desmoralisar Lula. També faz uma sobre o helicóptero que abasteceu em um aeroporto onde o tio do Aécio tinha a chave, depois o helicópterofoi preso no ES com 450kg de cocaina, aproventa e faz mais uma, aquele avião em Goias com 665kg de cocaina, segundo os pilotos que afirmou que sairam de uma fazenda de propriedade do Ministro da Agricultura. E ai vai… Leia mais