Euler de França Belém
Euler de França Belém

Último “Programa do Jô” irá ao ar em dezembro deste ano. Jô Soares diz que não abandona TV

A TV Globo e Jô Soares não definiram qual será o último convidado do programa. Sugiro dois: Sergio Moro e Cármen Lúcia

Deltan Dallagnol, procurador da República, é entrevistado por Jô Soares

Deltan Dallagnol, procurador da República, é entrevistado por Jô Soares

Jô Soares fez humor de primeira linha na televisão patropi. Era divertido e cercava-se de humoristas do primeiríssimo time, que, mesmo quando dispostos como escadas, acrescentavam sempre alguma coisa ao trabalho do “Gordo”. Depois, revelou-se um entrevistador extremamente perspicaz, daqueles que sabem arrancar o que é importante e aquilo que não parece relevante, mas interessa ao telespectador.

Com o tempo, Jô Soares perdeu a graça. Fica-se com a impressão de que não entrevista mais as pessoas. Entrevista a si mesmo. Outro problema é que nem sempre se consegue entrevistados realmente interessantes e isto deve cansar e chatear profissionais muito bem preparados. A tendência é que o entrevistador, até para colocar ideias na cachola do entrevistado, se comporte como entrevistador e entrevistado. Mario Sergio Conti começou bem, na Globo News, mas já não parece tão empolgado com seus entrevistados — alguns bem fracos.

Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, e Sergio Moro, juiz federal

Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, e Sergio Moro, juiz federal: seriam grandes entrevistados

Flávio Ricco, do UOL, informa que o último “Programa do Jô” será levado ao ar, pela TV Globo, no dia 16 de dezembro deste ano. Numa sexta-feira. Jô Soares ainda não definiu o nome do convidado (ou dos convidados). Recomendo uma pessoa: Sergio Fernando Moro, o juiz federal que contribuiu para que os brasileiros passassem a acreditar na vitalidade e independência do Poder Judiciário. Se não for possível, outra dica é a presidente do Supremo Tribunal Federal, a excepcional Cármen Lúcia. Eis uma brasileira admirável. Jô Soares, para finalizar seu programa com chave de ouro, poderia levar os dois magistrados.

Aos 78 anos, Jô Soares não está superado e está lúcido. Ele só está cansado do que faz. Nos últimos anos, os entrevistados, convidados mais por serem midiáticos do que pelo conteúdo, não empolgam, são limitados intelectual e existencialmente. Flávio Ricco frisa que “não pretende parar com a televisão”. Poderia fazer um programa semanal sobre livros, com entrevistados locais e de outros países. Jô Soares é intelectualmente dotado e sabe entrevistar (misto de técnica e, em alguns casos, arte). Flávio Ricco especula sobre um programa nos canais Globosat ou “até uma volta ao SBT pode acontecer”.

Ótimo diretor de Teatro — como prova a peça “Histeria”, divertidíssima —, Jô Soares poderia se dedicar à área. Ele também não escreve mal e poderia publicar novos romances policiais.

O “Programa do Bial” vai substituir o “Programa do Jô”.

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