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Lançamento desta obra será realizado pelo Instituto Altair Sales e pelo Centro Universitário Araguaia (UniAraguaia) no dia 28 de novembro, no IHGG
Iniciativa é contemplada pelo edital Goiás Mundo Afora, viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc Goiás
O projeto mostra potência da literatura goiana e periférica em reencontro simbólico com as raízes históricas, que conectam Brasil e continente africano
Lesbianismo, lésbica e safismo provêm de Safo e sua origem em Lesbos. A poetisa, que viveu há 2.600 anos, deixou sua marca na poesia e no registro linguístico de neologismos
Criado e apresentado pela professora, atriz e doutora em literatura Helissa Soares, o Didosseia estreia nova temporada do Didocast nesta sexta-feira, 24, com a série "Poetas Goianos(as)". O podcast é dedicado a entrevista com autores e autoras que compõe o cenário poético contemporâneo de Goiás. Para o episódio de estreia, a convidada é a poeta Beta (m) Xreis, que também lança sua nova obra, Linguagema, a partir das 19h no Youtube.
O Didosseia é uma das principais plataformas de difusão literária de Goiás, com mais de cinco anos de atuação. O projeto tornou-se referência ao promover discussões aprofundadas e acessíveis sobre literatura clássica e contemporânea, além de valorizar a produção de mulheres, pessoas negras e LGBTQIAPN+. Ao todo, o canal já conta com mais de 300 vídeos publicados entre análises, oficinas, entrevistas e performances.
A nova série do Didocast reúne 12 entrevistas com poetas nascidos ou radicados na Grande Goiânia, ampliando a visibilidade de uma cena literária reconhecida nacionalmente pela vitalidade e inovação estética. Entre os nomes confirmados estão Beta (m) Xreis, Rico Lopes, Fernanda Marra, Miguel Jubé e Baale. Cada episódio aborda o processo criativo, as relações entre poesia e território e os desafios da escrita no Brasil contemporâneo.
Além das entrevistas, o projeto também oferece oficinas gratuitas de criação e leitura poética ministradas pelos próprios convidados. As atividades estão disponíveis no canal do Didosseia e podem ser acessadas mediante inscrição simples via formulário on-line.
A iniciativa foi contemplada pelo Edital nº 012/2024 – Plano Nacional Aldir Blanc (PNAB), executado pela Secult Goiânia, voltado à manutenção de espaços e projetos culturais que atuam de forma continuada na democratização do acesso à cultura.
Serviço
Estreia da série Didocast – “Poetas Goianos(as)”
Convidada: Beta (m) Xreis
Data: Sexta-feira, 24 de outubro
Horário: 19h
Onde assistir: Canal Didosseia no YouTube – https://www.youtube.com/c/didosseia
Oficinas gratuitas: https://forms.gle/g2NH3WAbNmUNPjr27
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O evento contará com uma mesa redonda com a participação do professor Dráulio Carvalho, do Professor Hélder Modesto e da Professora Meire Viana, todos especialistas na obra de Morrison. O professor explica que Helder é da filosofia, Meire é da literatura e ele é da história.
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Goiano que concorreu a vaga na ABL, ele simboliza o raro ramo humilde da humanidade, que sabe chorar e que nunca buscou presunção nem vaidades
por Gabriel Nascente*
Nós também temos algo a dizer sobre o amor;
NAZIM HIKMET
I
Acorda, mãe do céu…
e acode nós cá do mundo!
Anda insuportavelmente esquisito vivermos
neste planeta de esquizofrênicos (onde a
tecnologia consagrou-se deus- o Deus -
desta humanidade tresloucada, sem
coração. E que muge,
baba,
urra,
diante dos monitores.
A terra ficou doente. E párem, pelo amor de Deus,
de judiar da
terra. A terra é a mãe das águas.
E a água é a mãe da vida.
No lugar de Cristo, pregaram o senhor Computador,
todo magestoso, imponente e tietado
pelas turbas do delírio coletivo.
Por favor, mãe, não deixes que esta
caterva de blogueiros obstrua a
luz dos meus olhos.
As estrelas estão fugindo de mim.
E não há como sonhar que somos felizes.
A matança triunfou entre maridos e mulheres.
E a dignidade dos homens foi pro lixo.
E tudo isso é infernal e
apoteótico, eu sei.
Hoje é dia das Mães.
Festim de flores em
nossas almas.
II
Mãe, acode! Cadê
o teu verbo
de ternura e de látego?
Me mande, urgentemente, um
exército de querubins, para expulsarmos
este enxame de taturanas psicopatas,
que atordoam os nossos espíritos!
Essas metamorfoses das engrenagens magnéticas
assombram o ritmo cerebral de
nossas emoções.
E é por demais desconsertante para mim,
mãe, viver, sobreviver e conviver, com estes tempos
de podriqueiras dejetórias escorrendo pelos túneis
fantasmagóricos da infernet (onde estão instalados
todos os rendez- vous do mundo, sodômicamente).
Já entregarmos as nossas pobres cabeças a esta
cozinha de carniceiros tecnológicos.
Coitados desses crótalos imbecis parindo
robôs ( que engolirão eles mesmos).
Repito: eu não sou deste mundo.
A minha ferramenta de viver tem cheiro
de mãos descascando batatas, ou ceifando
talos de canos.
As máquinas choram
vinagres.
A treva incha.
A lua de maio amanhece em teus sedentos
desejos de prata.
E eu balbucio o teu nome , bem baixinho,
num ninho de passarinhos,
para não acordar as chuvas.
III
É o amanhecer da humanidade indo
pro matadouro (feito tropa de saguis
teleguiados pelas sirenes do Apocalipse).
Não, mãe, não. Não quero ver
a natureza esmagada pelo aço das
indústrias.
Se preciso for, eu farei brandir
até as tripas das minhas palavras,
para evitar o massacre sanguinário
dessas atrocidades.
IV
Ó juízo! Por que tu refugias
entre demônios? Por que?
Minha consciência não entra nisso.
Por isso, humildemente eu te peço, mãe,
não repares este meu vocabulário
à base de querosene. Assim tão ácido, lacrimoso.
O Sol de maio não tem culta.
O Sol é fraterno. Não cobra
impostos de seus usuários.
É dadivoso. É dadivoso.
Perdão. Eu me sinto aos trapos
para escrever coisas bonitas.
Nem tenho poderes para brecar
o mundo.
Eu sou a vida que veio
do ventre de tua luz.
E tu, o girassol
que se abre sobre as mãos do meu destino.
Não dou conta, mãe, de sofisticar
os adjetivos desta mensagem. Mas
o dia de hoje (14 de maio) é zenital,
em pujança de beijos e de mimos.. E numa
delas, aí estou eu mãe, umectado de amor,
e doidão de alegrias para dizer-te:
mãe, por que não eternizas
a ternura entre os homens?
