Planejando uma viagem ao Uruguai, me toquei de que não treinava o espanhol desde o ensino médio — quiçá, por uma breve passagem na faculdade. Já tinha investigado rota, roteiro, alguns passeios pelo caminho. Peguei orientação sobre documentos, aduanas, pesquisei um pouco sobre a história do país. Comecei, então, a buscar notícias, entender como está a economia.

Fiquei curioso para ver algum programa de televisão. Assisti a uma entrevista de uma ex-participante de um programa musical infantojuvenil. Aldana Cardozo estava “muy contente” com o novo disco, que descreveu como belíssimo. “Metanoia”, aliás, nome do álbum, vem do grego e significa, segundo ela, algo como o ato de transformar — não sei, na maneira de ver algo, de viver.

Ouvi uma notícia sobre o clima. Li outra sobre a convocação de uma reunião para discutir um desmoronamento na costa da região de Villa del Mar, em Montevidéu.

Depois, li sobre a sanção do presidente Yamandú Orsi a uma lei que trata da morte medicamente assistida. Orsi publicou que a lei foi resultado de “debate, reflexión y escucha”. O projeto aprovado garante a despenalização da eutanásia para maiores de idade psiquicamente aptos que estejam passando por enfermidades incuráveis e irreversíveis, que provoquem sofrimento insuportável.

Li ainda sobre um projeto de lei para estimular e auxiliar o emprego para jovens.

Ah, e também ouvi uma entrevista brilhante com uma professora de espanhol uruguaia — cujo nome eu não consegui pegar de ouvido, mas a discussão era justamente sobre os detalhes da língua do país vizinho ao Brasil.

Coincidentemente ou não, consegui ler, assistir e ouvir tudo sem muitos problemas. Fiquei surpreso, é claro, com a desenvoltura da leitura e escuta e quis testar também a fala. Tudo certo. Mala pronta.

Ainda finalizei com uma entrevista do ex-presidente Julio María Sanguinetti, contando sobre um livro de memórias. Falou, claro, sobre política, eleição, contexto da União Soviética. Sobre os tempos da sua vida política, disse: “a política era muito dura” e que “fomos contornando as circunstâncias”.

E eu, ali, no meio disso tudo, já atravessando a fronteira antes mesmo de sair do lugar.

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