Durante muito tempo, a cultura foi tratada como um luxo. Como algo que poderia esperar. Mas basta observar as cidades que hoje são referência em qualidade de vida para perceber um traço em comum: elas investem em pessoas tanto quanto investem em viadutos.

Segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais do IBGE, a cultura movimenta bilhões de reais por ano no Brasil, gera empregos, fortalece a economia criativa e amplia oportunidades, especialmente para crianças, adolescentes e jovens. Muito mais do que entretenimento, cultura é pertencimento, identidade, educação e desenvolvimento humano.

Em Anápolis, porém, quem faz a cultura acontecer sabe que ela sobrevive muito mais pela dedicação de artistas, produtores e educadores do que pelo incentivo público permanente. Ainda assim, são essas pessoas que mantêm viva a alma cultural da cidade.

É por isso que merece reconhecimento quem escolheu transformar Anápolis por meio da arte.

A professora Elza Gabriela é um desses nomes. Mestra em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília (UnB), licenciada em Artes Cênicas e em Artes Plásticas, professora do Instituto Federal de Goiás (IFG), ela construiu uma trajetória dedicada à formação artística, à educação e ao mapeamento cultural. Seu trabalho mostra que a arte vai muito além da expressão estética: ela desenvolve pensamento crítico, fortalece a cidadania e ajuda jovens a compreenderem seu lugar no mundo.

Outro exemplo é Milena Coelho, produtora cultural, poetisa e coordenadora da Sala Pública de Cinema Cine Sibasolly. Sua atuação conecta arte, território e meio ambiente, demonstrando que a cultura também é uma ferramenta de cuidado, escuta e transformação social. Em seus projetos, o cinema, a poesia e as políticas públicas dialogam para aproximar as pessoas da cidade onde vivem.

Também merece destaque Ingrid Bahia, baterista e produtora cultural que vem fortalecendo a cena musical anapolina desde 2018. Produtora de festivais como o Festival Expressão Cultural, Ingrid amplia o acesso à música e cria oportunidades para novos artistas. Seu trabalho também fortalece o protagonismo feminino na música goiana, abrindo caminhos para que mais mulheres ocupem os palcos e os espaços de produção cultural.

Essas mulheres representam uma geração que decidiu construir uma cultura anapolina mais humana, acessível e inclusiva. Elas mostram que a cultura não nasce apenas dos grandes investimentos, mas do compromisso diário com as pessoas e com o território.
Enquanto muitos ainda perguntam onde está a cultura, elas a constroem.Enquanto alguns insistem em dizer que cultura não dá resultado, elas formam plateias, inspiram artistas, movimentam espaços públicos, fortalecem a economia criativa e aproximam adolescentes e jovens da arte.

Em um tempo em que as redes sociais disputam cada segundo da nossa atenção, a cultura continua oferecendo aquilo que nenhum algoritmo consegue substituir: encontros, pertencimento, criatividade, reflexão e experiências capazes de transformar vidas.
Anápolis possui talentos extraordinários. O que ainda falta é compreender que investir em cultura não significa apenas realizar eventos para cumprir calendário. Significa investir na saúde mental da juventude, na prevenção da violência, na educação, no turismo, na economia criativa e na construção de uma cidade mais sensível e mais humana.

A cultura independente de Anápolis resiste todos os dias. Resiste nos palcos improvisados, nas escolas, nos festivais, nos coletivos e nos projetos comunitários. Resiste porque há pessoas que acreditam que a arte pode transformar realidades.
Talvez esteja na hora de deixarmos de perguntar quanto custa investir em cultura.

A pergunta que realmente importa é outra: quanto Anápolis já perdeu por não reconhecer, apoiar e fortalecer aqueles que mantêm sua cultura viva todos os dias?

Rebeca Romero é jornalista, luta pelas causas sociais e pré-candidata a deputada federal por Goiás.

Rebeca Romero é jornalista, luta pelas causas sociais e pré-candidata a deputada federal por Goiás

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