O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares entre janeiro e a primeira semana de julho de 2026, estabelecendo um novo recorde histórico para o período pré-eleitoral. Esse montante, pago a deputados e senadores até o último sábado, 4, já supera em 20,9% os R$ 28,04 bilhões desembolsados na última eleição presidencial. 

Além disso, o valor atual equivale a 75,3% de tudo o que foi pago em 2025, ano em que as emendas atingiram R$ 44,97 bilhões, o que indica um ritmo acelerado de liberação de recursos.

O recorde de repasses ocorre exatamente no momento em que entra em vigor o defeso eleitoral, período que se inicia três meses antes das eleições e proíbe novas transferências voluntárias da União. A partir do último sábado, agentes públicos passaram a cumprir regras mais rigorosas, especialmente quanto à publicidade institucional, para evitar que o poder público seja utilizado como instrumento de influência sobre o eleitorado.

A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República afirmou que a “execução de recursos orçamentários é feita de acordo com a legislação e as determinações do Supremo Tribunal Federal, observada a aprovação técnica das propostas pelos órgãos responsáveis pela sua execução, bem como a disponibilidade orçamentária e financeira”.

Os dados detalhados mostram que, do total de R$ 33,89 bilhões pagos em 2026, a maior fatia corresponde às emendas individuais, que somaram R$ 18,55 bilhões e são destinadas diretamente por cada deputado e senador. As emendas de comissão, herdeiras do antigo orçamento secreto e aprovadas pelas comissões da Câmara e do Senado,alcançaram R$ 7,68 bilhões, enquanto as emendas de bancada estadual, apadrinhadas pelo conjunto de parlamentares de cada estado, totalizaram R$ 7,28 bilhões. 

Embora o orçamento secreto tenha sido proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022 para a alocação de despesas discricionárias, ainda foram pagos R$ 386,05 milhões em emendas de relator-geral referentes a valores remanescentes de anos anteriores, liberados ainda durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que não haviam sido quitados financeiramente.

Os dados mostram uma escalada nos repasses em anos eleitorais, como demonstra o levantamento do Siga Brasil, sistema do Senado Federal que consolida informações orçamentárias desde 2015. Em 2016, foram pagos R$ 1,41 bilhão entre janeiro e julho, enquanto em 2018 o valor saltou para R$ 6,88 bilhões. Em 2020, o montante chegou a R$ 15,54 bilhões e, em 2022, alcançou R$ 23,70 bilhões. Já em 2024, foram R$ 29,40 bilhões no mesmo período.

Entre as áreas beneficiadas, a Comissão de Saúde da Câmara lidera o ranking de emendas pagas neste ano, com R$ 3,6 bilhões repassados, seguida pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado, também voltada à Saúde, com R$ 1,8 bilhão.

Internamente, quem comanda o apadrinhamento desses recursos são os presidentes das casas legislativas: o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) no Senado. O parlamentar que mais se destacou em volume de recursos foi o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que recebeu R$ 88,85 milhões em emendas pagas.

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