O papa Leão XIV divulgou nesta segunda-feira, 25, sua primeira encíclica e defendeu que governos adotem medidas para desacelerar e regulamentar o avanço da inteligência artificial (IA). No documento, intitulado “Magnifica Humanitas”, o pontífice alerta para riscos relacionados à desinformação, ao uso militar da tecnologia e à concentração de poder nas mãos de grandes empresas do setor.

Com cerca de 43 mil palavras, a encíclica foi apresentada durante evento no Vaticano que contou com a presença de Chris Olah, cofundador da empresa de inteligência artificial Anthropic. O papa afirmou que alguns sistemas de armas autônomas já avançaram “praticamente além de qualquer alcance humano para governá-los”.

No texto, Leão XIV defende a criação de “estruturas legais robustas”, supervisão independente e maior participação política sobre o desenvolvimento tecnológico. Segundo o pontífice, a propriedade dos dados ligados à IA não deve ficar concentrada apenas em empresas privadas, e os governos precisam proteger trabalhadores e crianças diante das transformações provocadas pela tecnologia.

“O que é necessário é um envolvimento político mais ativo que seja capaz de desacelerar as coisas quando tudo está se acelerando”, escreveu o papa.

A encíclica também critica o aumento de conflitos armados no mundo e faz um ataque direto à chamada teoria da “guerra justa”, conceito historicamente utilizado pela Igreja Católica para discutir conflitos militares. Para Leão XIV, a doutrina está “ultrapassada”.

“A humanidade está escorregando para uma cultura violenta de poder, onde a paz não aparece mais como uma responsabilidade a ser assumida, mas como um frágil intervalo entre os conflitos”, afirmou o pontífice.

Durante o evento no Vaticano, Chris Olah afirmou que empresas de inteligência artificial enfrentam forte pressão comercial e precisam de fiscalização externa. Segundo ele, os laboratórios de IA operam sob incentivos que nem sempre favorecem “a ação correta”.

A encíclica marca o primeiro grande documento doutrinário de Leão XIV desde sua eleição e amplia o debate da Igreja Católica sobre os impactos sociais, econômicos e éticos da inteligência artificial.

Leia também

A retórica de Trump já não cabe nem na própria extrema-direita; e isso diz muito