Basta uma simples busca nos buscadores; sons para relaxar, música para estudar, ondas neurais para foco e concentração ou barulho de chuva para dormir. Alguns canais no youtube reúnem dezenas de horas de sons relaxantes e são acompanhadas, ao vivo, por centenas de milhares de brasileiros.

As batidas para relaxar tem respaldo da ciência. A neurologista Lorena Bochenek argumenta que a criação de hábitos sensoriais auxilia em tarefas que requerem atenção plena. “O cérebro não tem afinidade para fazer duas coisas ao mesmo tempo. Entretanto, criar uma rotina para iniciar os estudos, ou até mesmo dormir, com o auxílio de músicas ou sons, pode ser vantajoso”, aponta.

Além de auxiliar na concentração, a música na hora de fazer atividades que exigem concentração podem ajudar a isolar barulhos externos. A médica veterinária Larissa Ribeiro, conheceu a técnica no 2º ano do ensino médio. “Com o nascimento da minha irmã, havia bastante barulho em casa. Então comecei a ouvir música para ajudar na concentração e reduzir os ruídos”, destaca.

O benefício está relacionado também ao trabalho. “Depois de um exame, eu coloco o meu fone, escolho uma música animada e faço as receitas e avaliações mais concentrada”, comenta. 

Quem mora em grandes centros urbanos destaca a necessidade da música muito mais para evitar o barulho que vem da cidade. A doméstica Andreia Ribeiro revela que faz praticamente todo o trabalho ao longo do dia ouvindo músicas ou podcasts. “Além de distrair, a gente ainda pode aprender”, destaca.

A prevalência de doenças psicológicas, estresse e cidade barulhenta tem uma relação direta com o estilo. Muitos buscam os sons, até mesmo para navegar na internet sem uma atividade específica em mente. No Brasil, os casos de depressão explodiram durante e após a pandemia de Covid-19.

Rádio 24h

Uma garota com fones dentro do quarto com seus fones de ouvido e um bloco de anotações sobre a mesa é o retrato do movimento. Conhecido como Lofi, o estilo começou a se popularizar nos anos 80. Especialmente durante a pandemia, o movimento tomou corpo no Brasil e um canal alcançou a marca de 13 mil horas ininterruptas de transmissão.

Lofi Girl ganhou adaptações e versões de diferentes países | Foto: Reprodução Youtube

Variações e remix com músicas brasileiras, raps, música clássica. São várias as adaptações que abraçam o estilo. A principal característica do low fidelity, é a leveza, batidas lentas e a simplicidade. Como esse estilo dificilmente tem vocais, os sons são muito procurados para quem busca se concentrar, seja no trabalho, na hora de estudar ou para dormir.

Agitação e produtividade

Doutor em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS), Dado Schneider utiliza músicas mais agitadas na hora de programar. “No meu caso, costumo escutar músicas rápidas, com batidas e sem letras quando quero entrar em um estado frenético de desenvolvimento, feito quando estou programando. Acho músicas lentas e sem letras muito legais para quando estou escrevendo ou lendo, normalmente um bom Jazz. Também toco a minha playlist do Spotify favorita(com todo tipo de música) quando estou idealizando e trabalhando com o design dos meus projetos”, aponta.

Ruídos 

Outro instrumento encontrado por quem não consegue se concentrar em ambientes barulhentos são os ruídos coloridos. Quando é constante, é chamado de ruído branco, ele ajuda a mascarar outros ruídos pontuais com frequências parecidas. 

Ele leva esse nome em referência à luz branca pois contém todas as frequências sonoras na mesma intensidade. Sons de 20 até 20 mil hertz são tocados simultaneamente, e nosso cérebro combina todo esse barulho em um ruído constante, que depois de um tempo é filtrado pelo cérebro e não nos atrapalha, mas ao mesmo tempo ajuda a mascarar outros sons.