Vereadores apuram denúncias contra prefeita de Pires do Rio

Câmara instaurou Comissão Processante na última semana. Dentre as denúncias está nepotismo, confirmado pela própria prefeita Cida Tomazini à reportagem

Foto: divulgação/Facebook

Prefeita Cida Tomazini e vice-prefeito Paulinho do Cartório | Foto: divulgação/Facebook

A Câmara Municipal de Pires do Rio, a 147 km de Goiânia, instaurou na última sexta-feira (6/11) uma Comissão Processante para apurar denúncias de improbidade administrativa contra a prefeita Cida Tomazini (PSDB) e o vice Paulinho do Cartório (PTB).

A comissão é formada pelo presidente Júlio Auto Peças (PMDB), o relator Douglas da Garagem (PSD) e o vereador Sinésio Chaveiro (PT do B). De acordo com o relator, um eleitor levou seis denúncias contra a prefeita, e a Câmara, composta por 11 vereadores, aprovou por 10 votos (estando um vereador ausente) a criação da comissão, que incia os trabalhos já na terça-feira (10).

O processo ainda não foi olhado por Douglas, que disse se lembrar de cinco denúncias. A primeira delas é nepotismo, uma vez que acusa-se a prefeita de contratar o irmão do vice-prefeito para trabalhar na gestão. De acordo com o vereador, o homem foi contratado para exercer o cargo de assistente administrativo, mas na verdade comanda a garagem municipal, que faz parte da Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Ao Jornal Opção, a prefeita afirmou que contratou sim o irmão de seu vice, um homem que, de acordo com ela, é muito simples e recebe um salário mínimo. Cida afirma que não houve má-fé e que acredita ser lícita a contratação.

“Eu não sei se essa lei ainda existe, mas a Lei Orgânica do Município liberava o prefeito e o vice de contratarem um parente, por isso acho que não tem problema, mas vou olhar tudo isso”, disse, explicando que não possui a denúncia em mãos. Cida disse ainda que a cunhada do vice-prefeito também trabalha para a gestão, sendo efetiva na secretaria de Saúde.

De acordo com Douglas, a segunda denúncia que consta é relacionada ao fato do vice-prefeito ocupar a Secretaria de Educação sem a autorização da Câmara — uma vez que, segundo o vereador, é necessária a autorização da Casa, com base na Lei Orgânica. Cida, entretanto, disse acreditar que não existe tal especificação na Lei Orgânica. “O que não pode é receber por dois cargos, e isso ele não faz.”

A terceira denúncia é relacionada ao pagamento da revisão geral para os secretários, a prefeita e o vice. “Não obteve autorização legislativa”, justificou o vereador. Por fim, a quinta denúncia é relacionada ao trabalho de uma advogada do município, que conforme o relator, não poderia ser contratada.

A prefeita disse à reportagem que não ficaria com o advogado da última gestão — comandada pelo então prefeito Luiz Eduardo Pitaluga da Cunha (PSD), o Gude, que foi cassado pelo TRE e preso naa Operação Tarja Preta. “Contratei alguém de minha confiança. Isso eu já olhei judicialmente. Não tem problema nenhum”, explicou a prefeita. Cida afirmou ainda que a denúncia acolhida pelos vereadores veio de uma pessoa favorável ao governo do ex-prefeito.

A comissão poderá funcionar por no máximo 90 dias. Caso os vereadores constem irregularidades, poderão votar pela cassação da prefeita.

Sem apoio na Câmara

Após a cassação de Gude, Pires do Rio passou por novas eleições no final do ano passado, vencidas por Cida Tomazini — que está em seu terceiro mandato na cidade — com 55% dos votos. Ao Jornal Opção, a prefeita garante que a ação dos vereadores é estritamente política.

De acordo com ela, de 11 vereadores, nenhum é de sua base política, nem mesmo o seu líder na Casa. “Eu não tenho apoio nenhum da Câmara. Mas não caio na deles. Administro da maneira que acho correta, até porque da maneira deles o prefeito foi cassado”, disse.

Em setembro de 2013, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou o mandato do ex-prefeito Gude (PSD) e do ex-vice-prefeito José Antônio Silva (PT). Os dois foram condenados por abuso de poder e autoridade e compra de votos.

Um mês depois, Gude foi preso pela Operação Tarja Preta, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) que desmontou um esquema de venda fraudada e superfaturada de medicamentos e equipamentos hospitalares e odontológicos para prefeituras.

A prefeita acusa os vereadores, dizendo que todos viram as fraudes e nada fizeram. “Eles ficaram fingindo que não viam as irregularidades, até o prefeito sair daqui algemado”, afirmou, chamando o ex-prefeito de “bandido”. Sobre o processo político administrativo da Câmara, Cida explicou que só poderá falar com domínio sobre o assunto depois de terça-feira (10), quando irá se reunir com seus advogados.

 

 

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