Especial: veja quanto vai custar o pedágio na Nova Rodovia BR-153

Concessão vai duplicar via até 2026, gerar receita para o Estado e trazer aos condutores mais segurança, conforto e rapidez nas viagens entre o sul do Tocantins e o norte de Goiás

Gerson Neto*
Especial para o Jornal Opção

Em 29 de abril completou-se o processo licitatório que concedeu o trecho da Rodovia BR-153 entre Anápolis e Aliança do Tocantins, a estrada mais importante do Norte de Goiás, por 25 anos, prorrogáveis por mais 5, para o Consórcio Eco153, formado entre as empresas Ecovias e GLP. O que deve mudar? Quem são essas empresas? Quais os ganhos logísticos? Quais serão os custos e onde ficarão os pedágios?

Os goianos não estão acostumados a pagar pedágios para transitar. Isso não está na cultura local. Mas a partir da construção das praças de pedágio, provavelmente ainda antes do final de 2021, uma tarifa alta será cobrada para transitar pela BR-153, mesmo em trechos não duplicados.

A boa notícia é que a obra de duplicação finalmente deve sair, com previsão de chegar a Porangatu dentro de cinco anos, ou seja, até 2026. O valor da tarifa vai partir de R$ 10,21 para cada 100 quilômetros de pista simples, valor acertado na licitação e que deve ser reajustado pela inflação ano a ano. Isso quer dizer que para ir pela BR-153 de Porangatu até Anápolis o usuário pagará cerca de R$ 40 em pedágios. Depois das obras de duplicação o preço-base passará para R$ 14,30 para cada 100 quilômetros duplicados.

Esses valores são altos, se comparados com os preços cobrados pela Concessionária Triunfo, que, por causa da diferença do modelo de concessão, tem tarifas muito menores. Hoje pra ir de Goiânia a Brasília, percorrendo 200 quilômetros, paga-se R$ 1,90 na praça de pedágio de Goianápolis e mais R$ 2,90 na praça de Alexânia, somando-se R$ 4,80. Os valores foram reduzidos em junho de 2020, quando o custo total somava R$ 7,50.

Quem ganha mais com a concessão das rodovias para a iniciativa privada são os cofres públicos, que trocam uma despesa por uma receita. Além de ganhar com os impostos, o poder público recebe o valor da outorga e deixa de gastar com manutenção. Quem passa a bancar a manutenção da pista são os usuários, que recebem em troca mais segurança e a boa conservação da rodovia. Além de cuidar da pavimentação, a concessionária mantém a sinalização de trânsito e oferece serviços de socorro em caso de acidentes.

Para essa licitação, também estão programadas algumas novidades, como descontos para usuários frequentes que precisem se deslocar por trechos curtos onde estejam praças de pedágio – como, por exemplo, entre uma fazenda e a cidade – e desconto de 5% na tarifa dos usuários que usarem o sistema de cobrança eletrônica.

A licitação prevê um investimento de R$ 14 bilhões na região, entre obras e prestações de serviços, que vão gerar empregos temporários para as obras de duplicação e permanentes para a manutenção e gestão da rodovia e das praças de pedágio.

As regiões Norte de Goiás e Sul do Tocantins também terão um grande ganho logístico. É como se a distância para Goiânia, Brasília e a região Sul do país diminuísse. Com uma estrada mais segura e trânsito mais fluido as viagens serão mais rápidas. Também haverá uma grande redução de acidentes e de vítimas da estrada, famosa por ser uma das mais perigosas do país e conhecida no Estado como “Rodovia da Morte”.

Empresas
Duas empresas formam o consórcio vencedor da licitação da BR-153. A Ecovias é uma das maiores empresas de gestão de rodovias do Brasil, responsável por 12 concessões importantes em todo o País. Entre elas, o sistema Imigrantes/Anchieta, que liga São Paulo a Santos; a Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto, que oferece uma alternativa à Via Dutra no trecho paulista da ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro; e a Ponte Rio-Niterói. A empresa GLP é especializada em logística e possui 16 grandes galpões logísticos em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco e também está presente na União Europeia, China, Índia e Japão.

Pelo cronograma de licitação o contrato será assinado apenas no dia 5 de agosto deste ano, quando começarão a contar os prazos para investimentos e obras. Até lá a rodovia continua sob os cuidados do DNIT.

Sobre as praças de pedágio, serão construídas nove postos, nos municípios de Jaraguá, São Luiz do Norte, Uruaçu, Santa Teresa de Goiás, Talismã, Figueirópolis e Aliança do Tocantins na BR-153 e em Barro Alto e Planalmira, cobrindo uma via alternativa a partir de Anápolis até Uruaçu pelas BRs 080 e 414.

Apuramos a localização prevista para as praças a serem instaladas próximas a Jaraguá e Uruaçu. A primeira estará ao sul de Jaraguá e a outra ao norte de Uruaçu, conforme indicado pelo alfinete vermelho nos seguintes mapas:

Praça de pedágio entre Jaraguá e o trevo de São Francisco de Goiás (GO-080)

Praça de pedágio entre Uruaçu e Campinorte

 

Por fim, vamos deixar aqui uma tabela com os preços de tarifa esperados para a tarifa básica para os carros de passeio em cada praça de pedágio. Motos pagarão metade deste valor. Caminhões pagarão esse valor multiplicado pelo número de eixos.

Locais previstos para as novas praças, com base no Trecho de Cobertura de Praça (TCP):

Praça de Pedágio Rodovia Km Município Estado TCP Tarifa esperada p/ pista simples
P 01 BR-153 636+500 Aliança TO 66 km R$ 6,73
P 02 BR-153 741+750 Figueirópolis TO 91 Km R$ 9,29
P 03 BR-153 16+600 Talismã GO 88 Km R$ 8,98
P 04 BR-153 116+000 Santa Tereza de Goiás GO 84 Km R$ 8,57
P 05 BR-153 185+300 Uruaçu GO 104 Km R$ 10,61
P 06 BR-153 234+200 São Luiz do Norte GO 104 Km R$ 10,61
P 07 BR-153 371+850 Jaraguá GO 104 Km R$ 10,61
P 08 BR-080 156+200 Barro Alto GO 104 Km R$ 10,61
P 09 BR-414 404+500 Planalmira GO 104 Km R$ 10,61

* Gerson Neto é jornalista e especialista em Planejamento Urbano e Ambiental.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.