Quatro empresas foram responsáveis pela fabricação das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras ao longo dos últimos 30 anos. Ao contrário do que ocorre com equipamentos vendidos no mercado, a urna eletrônica brasileira não é um produto desenvolvido pelas fabricantes.

O equipamento é projetado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que define todas as especificações técnicas e de segurança em um edital de licitação. As empresas vencedoras ficam responsáveis apenas pela fabricação e montagem, sob fiscalização permanente da Justiça Eleitoral. Ao longo de três décadas, apenas quatro fabricantes venceram as licitações promovidas pelo TSE:

  • Positivo Tecnologia – responsável pelos modelos UE2020 e UE2022, atualmente em uso;
  • Diebold/Diebold Procomp – fabricou os modelos 2015, 2013, 2011, 2010, 2009, 2008, 2006 e 2004;
  • Unisys Brasil – produziu a primeira urna eletrônica utilizada no país, a UE1996, além do modelo 2002;
  • Procomp Indústria Eletrônica – desenvolveu os modelos 1998 e 2000.

Segundo o coordenador de Tecnologia Eleitoral do TSE, Rafael Azevedo, o Brasil não compra modelos prontos de urnas eletrônicas. “O Brasil não compra um modelo específico de urna de fabricantes. O processo de produção e urna são projetos do Tribunal Superior Eleitoral. E isso é muito diferente de outro país em que é um produto de prateleira”, explica.

De acordo com ele, o edital para fabricação possui mais de 500 páginas com exigências técnicas e requisitos de segurança que devem ser cumpridos pela empresa vencedora. As urnas eletrônicas dos modelos UE2020 e UE2022 são produzidas em duas cidades.

A placa-mãe e o leitor biométrico são fabricados em Manaus (AM). Já a montagem final e os testes acontecem em Ilhéus (BA). A fabricação começa em uma sala de acesso restrito, onde são preparados os componentes considerados mais sensíveis, como placa-mãe, leitor biométrico, terminal do mesário e impressora.

Depois ocorre a integração desses módulos aos demais componentes da urna. Cada equipamento é composto por aproximadamente 120 peças, leva cerca de 69 minutos para ser montado e a fábrica consegue produzir até 2.100 urnas por dia, chegando a aproximadamente 50 mil unidades por mês em capacidade máxima.

Testes garantem o funcionamento das urnas

Após a montagem, cada urna eletrônica passa por uma série de testes automáticos e manuais. Um dos procedimentos consiste em manter o equipamento ligado por seis horas com alimentação elétrica de 90 volts, enquanto técnicos verificam o funcionamento de todos os componentes, incluindo o teclado.

Segundo o chefe da Seção de Tecnologia de Urnas Eletrônicas do TSE, Ivanildo Soares, nenhuma etapa seguinte é iniciada sem que a anterior tenha sido concluída com sucesso.

Depois dos testes funcionais e finais, as urnas recebem as tampas externas, são embaladas e identificadas conforme o lote de produção. Antes do envio aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), servidores do TSE realizam auditorias por amostragem na fábrica da Positivo, na Bahia.

Em lotes de até 50 equipamentos, 13 urnas são inspecionadas. Caso alguma apresente falha, todo o processo de correção é realizado antes de nova avaliação. Segundo o TSE, o único programa instalado na fábrica é o sistema utilizado para executar os testes de produção.

Os softwares responsáveis pela votação são inseridos somente após a chegada das urnas aos Tribunais Regionais Eleitorais, depois que cada equipamento recebe certificados digitais gerados na sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral. As urnas UE2020 e UE2022 contam com processador mais potente e são 18 vezes mais rápidas que o modelo anterior, lançado em 2015.

Outra mudança apontada pelo TSE é o uso do algoritmo criptográfico EdDSA (E521), considerado um dos mais avançados para proteção de dados. Os equipamentos também possuem perímetro criptográfico certificado pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), após avaliação realizada por laboratório credenciado pelo Inmetro.

O ciclo de vida útil de uma urna eletrônica é de aproximadamente 10 anos, o equivalente a seis eleições consecutivas. Os modelos 2009, 2010 e 2011 foram substituídos pelas urnas UE2022. Após o encerramento da vida útil, cerca de 99% das peças são recicladas e reaproveitadas na fabricação de novos produtos, reduzindo o impacto ambiental do descarte dos equipamentos.

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