O vale-alimentação (VA) e o vale-refeição (VR) continuam entre os benefícios mais valorizados pelos trabalhadores em Goiás, mas o aumento dos preços tem reduzido o poder de compra desses recursos. É o que aponta levantamento realizado pela Vólus com trabalhadores goianos em 2026.

Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados consideram o VA ou o VR importantes ou gostariam de contar com esses benefícios. Ao mesmo tempo, 52% afirmam que o saldo é insuficiente, em um contexto em que não tiveram reajuste do benefício nos últimos 12 meses.

Para Gerlos Lima, gerente regional da Vólus em Goiás, os dados indicam uma mudança na percepção dos trabalhadores sobre os benefícios oferecidos pelas empresas. “Hoje, 66% dos trabalhadores apontam que tanto a alimentação como a refeição são muito importantes. Mas um sinal de alerta é que 52% dos entrevistados colocam que há um ano o saldo é insuficiente justamente porque não teve reajuste”, afirma ao Jornal Opção.

Segundo ele, a combinação entre o aumento dos preços e a manutenção dos valores pagos pelas empresas tem provocado uma perda de poder de compra. “As coisas vêm subindo de preço e automaticamente o valor que a empresa coloca para os colaboradores fica estagnado”, diz.

Auxílio-combustível ganha espaço

A pesquisa também procurou identificar quais benefícios os trabalhadores gostariam de receber, mas ainda não possuem. Nesse recorte, o auxílio-combustível foi citado por 32% dos entrevistados, aparecendo à frente do plano de saúde e da premiação por desempenho, ambos mencionados por 24%.

Para Gerlos, o resultado está relacionado ao custo de deslocamento até o trabalho e a uma mudança nas expectativas dos profissionais. “Hoje tem muitas empresas que ainda não dão um benefício para o colaborador chegar à empresa. Então, existe essa percepção: ‘Eu vou, mas vou usar onde?’. Ele já tem um benefício, mas como vai se locomover?”, explica.

O gerente afirma que a composição dos benefícios também precisa considerar a convivência de diferentes gerações no mercado de trabalho. Segundo ele, atualmente seis ou sete gerações podem estar trabalhando simultaneamente, com necessidades distintas.

“Talvez a necessidade de um seja totalmente diferente da do outro. É aí que estão vindo esses benefícios que até então a empresa ou dava por força de convenção ou nem dava. Agora ela vê que existe uma necessidade para reter aquele talento dentro da empresa”, afirma.

Na avaliação de Gerlos, o benefício relacionado à alimentação continua relevante, mas deixou de ser a única demanda dos trabalhadores. “Hoje não é só alimentar. Tem várias outras vertentes que, como benefício, são tão importantes quanto para essa classe trabalhadora”, diz.

Gerlos Lima, gerente regional da Vólus em Goiás | Foto: Reprodução

Empresas devem ouvir funcionários, diz gerente

O levantamento também aponta mudanças na percepção sobre benefícios tradicionais. O plano de saúde, que durante anos esteve entre as principais reivindicações dos trabalhadores, aparece agora empatado com a premiação por desempenho, ambos com 24%.

Para Gerlos, uma das formas de as empresas entenderem essas mudanças é envolver os próprios funcionários na definição do pacote de benefícios. “É interessante as empresas colocarem um programa de benefícios, de implantação de benefícios, mas fazer com que o próprio colaborador participe da implantação. Através de pesquisa, de um programa organizacional, enfim, de uma forma que ela consiga que o colaborador relate isso para ela”, afirma.

Segundo o gerente, as necessidades dos trabalhadores podem variar conforme o perfil de cada equipe. Por isso, uma política de benefícios padronizada pode não atender igualmente todos os funcionários.

“Anteriormente, o principal ponto de atenção dos colaboradores era o plano de saúde. Agora já está mudando. Ele não acha que é só o plano de saúde: ele quer alimentação, quer saber como vai chegar naquele estabelecimento e, se vê que está contribuindo com o esforço dele para que aquela empresa seja rentável, também se preocupa em ter uma participação, uma premiação”, afirma.

Para Gerlos, a participação dos trabalhadores na definição dos benefícios pode ajudar as empresas a compreender quais recursos têm maior impacto no cotidiano das equipes e, consequentemente, na permanência dos profissionais. “A importância hoje dos empresários é fazer de uma forma que, por mais que vá colocar benefício, os colaboradores participem”, conclui.

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