Uso de testosterona sem indicação médica aumenta risco de infarto, AVC e morte, aponta estudo
31 julho 2026 às 16h53

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O uso de testosterona sem indicação médica pode aumentar significativamente o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, parada cardíaca e morte. É o que aponta um estudo publicado na revista científica eBioMedicine, considerado o maior já realizado para comparar os efeitos da terapia de reposição hormonal em homens com e sem diagnóstico de hipogonadismo.
A pesquisa acompanhou 358.957 homens entre 30 e 75 anos por um período de até dez anos. Os resultados mostraram que pacientes que iniciaram a terapia com testosterona sem apresentar deficiência hormonal tiveram um risco significativamente maior de desenvolver eventos cardiovasculares graves do que aqueles com indicação clínica para o tratamento.
Os autores destacam que os dados reforçam a importância de que a reposição de testosterona seja prescrita apenas quando houver diagnóstico confirmado de hipogonadismo. A testosterona é o principal hormônio sexual masculino e desempenha funções essenciais no organismo.
Além de influenciar a libido e a função sexual, ela participa da manutenção da massa muscular, da saúde óssea, da fertilidade, do metabolismo e do funcionamento do cérebro e do sistema cardiovascular. Quando os níveis do hormônio estão baixos, podem surgir sintomas como fadiga persistente, redução do desejo sexual, disfunção erétil, alterações de humor, dificuldade de concentração, perda de massa muscular e diminuição da densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose.
Casos mais avançados também podem provocar redução dos pelos corporais, anemia leve e diminuição do volume dos testículos. A terapia de reposição de testosterona é indicada para homens com hipogonadismo, condição caracterizada pela produção insuficiente do hormônio, confirmada por sintomas clínicos e exames laboratoriais.
Nos últimos anos, porém, o tratamento passou a ser utilizado também por homens sem deficiência hormonal, principalmente para ganho de massa muscular, melhora da estética corporal e aumento do desempenho físico. Segundo os pesquisadores, esse uso fora das indicações médicas tem crescido, apesar de ainda haver dúvidas sobre sua segurança cardiovascular em longo prazo.
Estudo aponta maior risco de infarto, AVC e morte
Os pesquisadores analisaram prontuários eletrônicos de 358.957 homens atendidos em 123 instituições de saúde. Entre eles, 35,4% iniciaram o tratamento com testosterona sem apresentar evidências de hipogonadismo. Para reduzir possíveis diferenças entre os grupos, os cientistas compararam pacientes com características semelhantes, como idade, índice de massa corporal, pressão arterial e doenças pré-existentes.
Após esse ajuste, foram acompanhados 113.554 pares de participantes durante até dez anos. A análise mostrou que homens que utilizaram testosterona sem indicação médica apresentaram 51% mais risco de sofrer um evento cardiovascular grave; 90% mais risco de morte por qualquer causa; e maior incidência de AVC isquêmico, parada cardíaca e insuficiência cardíaca.
De acordo com os autores, a segurança cardiovascular da terapia com testosterona depende do contexto clínico e tende a ser menos favorável quando o tratamento é iniciado sem evidências de deficiência hormonal. Os pesquisadores ressaltam que o estudo não encontrou aumento de risco entre homens que utilizaram testosterona para tratar hipogonadismo confirmado.
Pelo contrário, os resultados indicam que os maiores riscos ocorreram justamente entre aqueles que receberam a terapia sem uma indicação clínica comprovada. A equipe defende que a prescrição da testosterona seja baseada em critérios médicos e exames laboratoriais, além do acompanhamento contínuo dos fatores de risco cardiovasculares durante o tratamento.
Embora o estudo seja observacional e, portanto, não comprove uma relação direta de causa e efeito, os cientistas afirmam que o grande número de participantes e o acompanhamento por até uma década fortalecem as evidências de que o uso de testosterona sem indicação médica pode estar associado a um aumento do risco de doenças cardiovasculares e morte.
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