UFG e Fiocruz publicam nota de repúdio a suposto curso intensivo para deixar de ser gay

Responsável pelo curso afirma ser especialista pela UFG e mestre pela Fiocruz, mas entidades negam ligação com conteúdo que oferece “cura do homossexualismo”

claudemiro curso

Entidades se manifestaram após comoção nas redes sociais contra curso intensivo para deixar de ser gay | Reprodução/Facebook

Por meio de nota, a Fundação Oswaldo Cruz e a direção da Faculdade de Ciências Sociais (FSC) da Universidade Federal de Goiás (UFG) repudiaram a associação de seus nomes a um suposto curso intensivo com o tema “Homossexualismo – Prevenção, Tratamento e Cura”, cujo anúncio tem chamado a atenção dos internautas nas redes sociais.

Claudemiro Ferreira, professor e responsável pelo curso, se identifica como mestre em Saúde Pública pela Fiocruz e especialista em Políticas Públicas pela UFG. Conforme o material de divulgação, postado no perfil do Facebook de Claudemiro, o curso segue orientações para família e educadores “à luz da Ciência e da Bíblia”, com “conteúdos chancelados pelos Ministérios Públicos Federal e do Distrito Federal”.

Em nota, a Fundação Oswaldo Cruz repudiou a associação do nome da fundação com o suposto curso e afirmou que “não compactua com qualquer propaganda, ação ou conteúdo que desrespeite à diversidade e o exercício efetivo do direito à sexualidade.”

A Fundação afirma que Claudemiro de fato obteve o título de mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) em 2010, mas explica que “o tema de sua dissertação abordou as políticas públicas de fomento ao controle social em prefeituras municipais do Nordeste e nada tem a ver com a proposta de um curso sobre tratamento e cura do “homossexualismo”. ”

A FCS da UFG, por sua vez, esclarece inclusive que a grade curricular da Especialização oferecida pela faculdade inclui componentes associados à formulação, implementação e avaliação de políticas públicas voltadas à promoção de da paridade de gênero e combate à homofobia.

A direção da faculdade rechaça “a associação do seu nome e prestígio a práticas discriminatórias, anti-científicas e contrárias à resolução CFP 01/99, tendentes a supostos tratamentos de orientação sexual”.

A nota informa ainda que a entidade pretende acionar a Procuradoria da Universidade, com para avaliar as medidas judiciais cabíveis ao dano à imagem sofrido “por sua indevida e inverídica associação com práticas imorais e ilícitas” e apresentar junto à  Procuradoria da República representação “para reparação do dano difusamente infligido a toda a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros na publicidade que faz referência a uma “cura” do “homossexualismo”.”

Confira na íntegra os documentos publicados pelas entidades:

#NotaOficial: Vem circulando nas redes sociais a propaganda de um curso sobre a “cura gay” promovido por Claudemiro…

Publicado por Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Sexta, 26 de fevereiro de 2016

 

Nota de Repúdio da Faculdade de Ciências Sociais a respeito do anúncio de “cura gay”

A Direção da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Coordenação do Curso de Especialização em Políticas Públicas esclarecem, a seguir, o episódio de indevido uso do seu nome e reputação para divulgação de uma prática anti-jurídica e discriminatória concernente à intervenção alegadamente terapêutica sobre orientação sexual e identidade de gênero:

1) O Curso de Especialização em Políticas Públicas ministrado pela FCS/UFG não encerra nenhum componente curricular associado a tratamentos ou processos terapêuticos;

2) A grade curricular do curso contempla, ao longo de suas edições, componentes associados à formulação, implementação e avaliação de políticas públicas voltadas à promoção da paridade de gênero, ao combate à homofobia, à garantia de direitos sexuais e reprodutivos e ao respeito a todas as formas de família e de relações consensuais entre pessoas adultas e capazes.

3) A Direção da Faculdade de Ciências Sociais e a Coordenação da Especialização em Políticas Públicas rechaçam a associação do seu nome e prestígio a práticas discriminatórias, anti-científicas e contrárias à resolução CFP 01/99, tendentes a supostos tratamentos de orientação sexual.

4) A Direção da Faculdade de Ciências Sociais e a Coordenação da Especialização em Políticas Públicas informam, enfim, que acionarão a Procuradoria desta Universidade, de modo a avaliar as medidas judiciais cabíveis para fins de restauração do dano à imagem sofrido por sua indevida e inverídica associação com práticas imorais e ilícitas. Consignamos, ademais, que serão apresentadas as devidas representações à Procuradoria da República, de modo a solicitar-se o ajuizamento da ação cabível para reparação do dano difusamente infligido a toda a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros na publicidade que faz referência a uma “cura” do “homossexualismo”.

Goiânia, 26 de fevereiro de 2016

Direção da Faculdade de Ciências Sociais (FCS)

Coordenação do Curso de Especialização em Políticas Públicas

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