TRT-GO lidera ranking nacional de conciliação após realizar mais de 74 mil audiências em 2025
06 setembro 2026 às 14h05

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O Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) alcançou, em 2025, o maior índice de realização de audiências de conciliação entre os 24 Tribunais Regionais do Trabalho do país. Segundo o relatório Justiça em Números 2026, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o tribunal goiano atingiu percentual de 92,6%.
Ao longo do ano passado, foram realizadas 74.020 audiências de conciliação na primeira instância, considerando processos na fase de conhecimento e também procedimentos pré-processuais. O desempenho do TRT-GO ficou muito acima da média nacional da Justiça do Trabalho, que foi de 27,6%.
O indicador utilizado pelo CNJ leva em consideração a relação entre o número de audiências de conciliação realizadas e a quantidade de novos processos recebidos pelos tribunais. A metodologia permite comparar o desempenho das diferentes unidades da Justiça.
Quando são considerados conjuntamente os tribunais estaduais, federais e trabalhistas analisados pelo CNJ, o TRT-GO aparece na segunda colocação nacional, atrás apenas do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), que registrou índice de 98%.
Para o presidente do TRT-GO, desembargador Eugênio Cesário, o resultado demonstra que a busca por acordos já está incorporada à rotina da Justiça do Trabalho em Goiás.
“Esse desempenho demonstra que a conciliação faz parte da cultura do nosso tribunal. É um trabalho construído diariamente por magistrados e servidores, que buscam aproximar as partes e criar condições para que elas próprias encontrem uma solução para o conflito”, afirmou.
Segundo o desembargador, além do resultado estatístico, a conciliação permite reduzir o tempo necessário para a solução dos processos e oferecer uma resposta mais efetiva aos trabalhadores e empregadores que recorrem à Justiça.
Cejuscs concentram parte das negociações
Uma parcela importante desse trabalho é desenvolvida pelos Centros Judiciários de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejuscs), unidades especializadas na busca de acordos entre trabalhadores e empregadores. Embora a tentativa de conciliação seja mais comum no início dos processos, ela pode ocorrer em diferentes momentos da tramitação. Em 2025, por exemplo, foram realizadas 5.636 audiências conciliatórias durante a fase de execução.
O TRT-GO conta atualmente com seis Cejuscs, distribuídos entre Goiânia, Aparecida de Goiânia e Rio Verde. O Cejusc Sul, instalado em Itumbiara, também atende processos das regiões abrangidas pelas Varas do Trabalho de Quirinópolis e Goiatuba.
A estrutura inclui ainda o Cejusc Digital, voltado para as Varas do Trabalho do interior que não contam com uma unidade presencial, e o Cejusc de segundo grau, responsável pelos processos que tramitam no próprio Tribunal.
Além dos centros especializados, as 48 Varas do Trabalho existentes em Goiás também realizam tentativas de conciliação durante a tramitação dos processos.
Modelo digital amplia alcance no interior
No Cejusc Digital, as audiências iniciais das unidades atendidas são realizadas por videoconferência e já começam com a possibilidade de acordo entre as partes.
Os conciliadores que atuam no modelo passam por formação específica de 100 horas e analisam previamente os processos para conduzir as audiências. A especialização busca ampliar as possibilidades de diálogo e permitir que trabalhadores e empregadores encontrem soluções construídas conjuntamente.
O juiz-coordenador do Cejusc Digital, Eduardo Tadeu Thon, destaca justamente a preparação dos profissionais como um dos diferenciais do modelo.
A experiência também recebeu reconhecimento durante a correição realizada no TRT-GO em agosto pelo corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro José Roberto Freire Pimenta.
Durante a visita, o ministro classificou o Cejusc Digital como uma experiência inédita no país por levar a conciliação às varas únicas do interior que não possuem unidades presenciais especializadas. A iniciativa deve ser apresentada pela Corregedoria-Geral como uma boa prática a outros tribunais.
Freire Pimenta também defendeu a ampliação das tentativas de conciliação em processos que possuem recurso de revista antes do encaminhamento ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), sempre que houver possibilidade de acordo.
Acordos respondem por quase metade dos processos solucionados
O impacto da política de conciliação também aparece no resultado dos processos efetivamente encerrados pela Justiça do Trabalho em Goiás.
Em 2025, 49,16% dos processos solucionados pelas Varas do Trabalho do estado terminaram em acordo. Nos primeiros sete meses de 2026, o índice permaneceu próximo da metade, chegando a 47,1%.
Entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 19.005 conciliações em um universo de 40.350 processos solucionados.
Os acordos também representam uma parcela expressiva dos valores pagos aos trabalhadores. No mesmo período, os reclamantes receberam R$ 791,1 milhões. Desse total, R$ 474,7 milhões, aproximadamente 60%, foram pagos por meio de conciliações.
As execuções forçadas responderam por R$ 224,6 milhões, enquanto outros R$ 91,8 milhões foram pagos espontaneamente.
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