“Trabalhar contra o RRF é pobreza de espírito ”, diz Ernesto Roller ao criticar falas do deputado Major Vitor Hugo

Secretário de Governo avalia que o parlamentar bolsonarista deveria usar de sua proximidade com o presidente para atuar em favor do Estado e ao ingresso de Goiás no RRF

Sustentando o desejo de ser candidato ao governo do Estado, o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL) pegou uma carona na última live do presidente Jair Bolsonaro (PL) para criticar a adesão de Goiás ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). As falas do parlamentar destoam dos seus colegas no Congresso, que têm trabalhado para agilizar o processo de inclusão do estado no plano. O posicionamento do bolsonarista desagradou, gerou tensão na classe política e foi classificado como “pobreza de espírito”, pelo secretário estadual de Governo, Ernesto Roller. “Ele (major Vitor Hugo) tem limitação de conhecimento técnico e não teve curiosidade de aprender”, afirmou. 

Durante a live de Jair Bolsonaro da última quinta, 16, o presidente afirmou que iria esperar mais um pouco mais para assinar a autorização do ingresso de Goiás ao RRF, e encontrou apoio do deputado goiano – que é tido como o mais próximo do presidente. “O estado de Goiás está numa situação fiscal há algum tempo muito ruim. Na letra C na Capacidade de Pagamento. E essa política do fique em casa que a economia a gente vê depois, que o presidente sempre combateu, agravou ainda mais a situação fiscal”, disse Major Vitor Hugo durante a transmissão pelas redes sociais.

A posição do deputado federal pegou mal entre os goianos. Isso porque todos os demais representantes do Estado no Congresso têm apoiado a adesão ao RRF e buscado interlocução com a União para concretizar a renegociação das dívidas. Na avaliação de Ernesto Roller, a fala de Major Vitor Hugo revela desconhecimento da real situação fiscal do Estado e da necessidade da adesão ao RRF. 

O secretário de Governo, explica que o RRF fornece dois instrumentos principais para o reequilíbrio das contas: a suspensão da dívida pública, dando fôlego ao Estado enquanto as medidas de ajuste implementadas trazem os resultados, e a reestruturação da dívida em condições melhores de taxas de juros e prazos. Ernesto Roller esclarece que a entrada de Goiás no RRF possibilita ajustar as contas a fim de atingir o equilíbrio entre receitas e despesas, podendo, assim, fazer investimentos em políticas públicas que beneficiem a população goiana, principalmente os mais vulneráveis. “Não é uma questão de governo. É uma questão de estado, enquanto gestor do dinheiro público e da melhoria da qualidade de vida. O Major Vitor Hugo, com a força que tem junto ao presidente, ao invés de ajudar os goianos, ele atrapalha, vendendo uma vã ilusão, enganando e tapeando”, diz Ernesto Roller. 

Segundo o secretário, o desequilíbrio fiscal de Goiás vem desde 2010, com despesas continuamente superiores às receitas. Tanto é assim que o estoque de restos a pagar em cada ano chegou a R$ 3 bilhões desde 2015 e a folha salarial dos servidores públicos não pôde ser paga em 2018. Essa situação, segundo Ernesto Roller, demonstra que Major Vitor Hugo desconhece o assunto, ao fazer um paralelo entre as medidas de distanciamento social (ocorrido entre 2020 e 2021) com a situação fiscal do Estado, que resulta na necessidade do ingresso ao RRF. “O espírito que está movendo o Major Vitor Hugo não é o espírito público, não é o de goianidade e não é o de amor por Goiás. É espírito de porco”, dispara.

Ernesto Roller ainda faz um alerta, que a necessidade do Estado em ingressar no RRF não pode ser utilizada por Major Vitor Hugo como uma manobra para apoios políticos em 2022. “Essa é a política daqueles que trabalham para dificultar a vida de um governante, movido pelo sonho de ser candidato ao governo de Goiás. Não sei quem que botou esse sonho na cabeça, mas ele não se reelege nem para deputado federal, e vem falar em ser governador”, opina o secretário.

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